Quem é Lucas Pavanato, deputado federal mais votado em São Paulo em 2026

Ex-vereador de São Paulo, iniciou a trajetória no MBL e se aproximou do bolsonarismo nos últimos anos

Lucas Pavanato (PL) foi eleito deputado federal por São Paulo nas eleições de 2026, após exercer seu primeiro mandato na Câmara Municipal da capital paulista. Ele recebeu 3.038.438 votos e foi o candidato mais votado do estado para o cargo.

Aos 28 anos, Pavanato chega à Câmara dos Deputados após uma trajetória política iniciada no MBL e marcada, nos últimos anos, pela aproximação com o bolsonarismo. Antes de se eleger deputado, foi o vereador mais votado de São Paulo em 2024 e ganhou projeção nas redes sociais com discursos conservadores e embates sobre temas como identidade de gênero, aborto e direitos da população LGBT+.

Quem é Lucas Pavanato?

Lucas Pavanato de Oliveira nasceu em 12 de maio de 1998, em Sorocaba, no interior de São Paulo. Ainda criança, mudou-se com a família para São José dos Campos. Mais tarde, formou-se em Administração de Empresas pela Universidade Anhembi Morumbi.

A aproximação com a política começou durante as manifestações pelo impeachment da então presidente Dilma Rousseff, em 2015 e 2016. Na época, Pavanato se envolveu com o Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que ganhou projeção nacional durante os protestos.

Aos 18 anos, mudou-se para a capital paulista para trabalhar na política. Em 2018, entrou como estagiário no gabinete do então vereador Fernando Holiday, uma das principais figuras do MBL naquele período. Depois, assumiu outras funções na equipe do parlamentar.

Em 2022, filiado ao Novo, disputou pela primeira vez uma eleição para deputado estadual por São Paulo. Recebeu 36.258 votos e ficou como suplente.

Do MBL ao bolsonarismo

Depois de deixar o MBL, Pavanato se aproximou do bolsonarismo. A mudança ficou mais evidente após a eleição de 2022, quando passou a aparecer ao lado de nomes como Jair Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Em 2023, deixou o Novo e se filiou ao PL, partido de Bolsonaro, para disputar uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo no ano seguinte. A campanha apostou principalmente nas redes sociais, onde Pavanato já reunia um público expressivo e publicava vídeos sobre segurança pública, aborto, feminismo e identidade de gênero.

A estratégia se refletiu nas urnas. Pavanato recebeu 161.386 votos e foi o vereador mais votado da cidade de São Paulo naquela eleição.

Mandato como vereador de São Paulo

Pavanato levou para a Câmara Municipal algumas das pautas que já defendia nas redes sociais. Logo no início do mandato, apresentou medidas para adotar o sexo biológico como critério para o uso de banheiros de acesso público e para a participação em competições esportivas na cidade.

As iniciativas retomavam um tema recorrente em sua atuação. Durante a campanha de 2024, a agência de checagem Lupa identificou ao menos 28 vídeos publicados por ele no Instagram que classificou como transfóbicos ou machistas. Entre eles estavam conteúdos em que ironizava identidades de gênero e defendia impedir mulheres trans de usar banheiros femininos.

Em uma das publicações, Pavanato afirmou, de forma falsa, que a boxeadora argelina Imane Khelif, que disputou os Jogos Olímpicos de Paris como mulher, era um homem. O Comitê Olímpico Internacional (COI) afirmou na ocasião que Khelif atendia às regras para participar da competição feminina e condenou os ataques sofridos pela atleta.

O tema continuou presente durante o mandato. Pavanato propôs proibir hospitais e clínicas de realizar ou custear tratamentos hormonais e cirurgias de redesignação sexual em menores de 18 anos.

Em 2025, apresentou diretrizes para restringir a presença de crianças e adolescentes em eventos considerados sexualizados, como a Parada do Orgulho LGBT+. 

Na Câmara, Pavanato atuou ainda em outras áreas. Uma de suas propostas cria o programa Jovem Cidadão, com incentivos para empresas que contratem jovens estudantes de baixa renda entre 16 e 21 anos e inscritos no CadÚnico. Outra busca estimular a leitura, escrita e argumentação entre alunos da rede municipal, com atividades como clubes de leitura, produção de textos, debates, podcasts e jornais escolares.

A trajetória do vereador também inclui uma disputa judicial relacionada ao conteúdo que produzia para as redes antes de assumir o mandato. A Justiça de São Paulo determinou que indenizasse uma doutoranda da Universidade de São Paulo (USP) por usar a imagem dela sem autorização em um vídeo gravado no campus em 2023. Ele havia ido à universidade para produzir conteúdo sobre o que classificava como “doutrinação” no ensino público.

Eleição para deputado federal em 2026

Nas eleições de 2026, Pavanato recebeu 3.038.438 votos e terminou como o deputado federal mais votado de São Paulo e o segundo mais votado do país, atrás de Nikolas Ferreira.

Após a eleição, afirmou que pretende levar para Brasília algumas das bandeiras que já defendia como vereador. Entre elas estão a redução da maioridade penal para 14 anos, a liberação do ensino domiciliar e a revogação de leis que classifica como feministas.

Lucas Pavanato também colocou entre suas prioridades o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro. Como cabe ao Senado processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade, o deputado eleito afirmou que pretende buscar apoio de senadores para a iniciativa.