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Vale destoa do Ibovespa em dia de euforia pós-eleição; entenda o que pesa sobre VALE3

Ação recuperou parte das perdas, mas fechou em queda; real forte, minério pressionado e gráfico ainda sem reversão ajudam a explicar o descolamento

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A Vale (VALE3) ficou de fora da euforia que tomou conta da Bolsa brasileira nesta segunda-feira (5). Enquanto o Ibovespa disparava mais de 8% após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, as ações da mineradora operavam em queda.

VALE3 fechou com baixa de 0,97%, a R$ 71,40, enquanto o Ibovespa avançou 7,70%, aos 206.911 pontos.

O contraste chegou a ser ainda maior durante a sessão. A Vale abriu a R$ 73,38, alcançou R$ 74,27 na máxima e caiu até R$ 69,51, antes de recuperar parte das perdas. O Ibovespa, por sua vez, atingiu 209.605 pontos na máxima, novo recorde intradiário.

No ano, VALE3 acumula valorização de 1,68%, enquanto o Ibovespa avança 28,42%.

O movimento não é exclusivo de VALE3. Suzano e Embraer também operavam em queda em meio à disparada do Ibovespa, enquanto bancos, varejistas, construtoras e outras empresas mais sensíveis aos juros lideravam os ganhos.

No caso da Vale, há uma combinação particular: além da forte valorização do real, o minério de ferro entrou no feriado chinês pressionado e o gráfico da ação ainda não confirmou uma reversão do movimento de baixa.

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VALE3 ainda precisa confirmar reação no gráfico

Apesar da recuperação observada na parte final do pregão, a configuração técnica de VALE3 ainda não indica uma reversão clara.

A ação permanece dentro do canal de baixa iniciado após a máxima de R$ 89,41 e negocia entre as médias móveis de 9 e 21 períodos.

Para que a recuperação ganhe consistência, o papel precisa superar as médias curtas e avançar em direção aos R$ 77,55.

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Acima desse patamar, as próximas resistências aparecem em R$ 81,31, R$ 83,35 e R$ 87,58, antes da máxima de R$ 89,41.

O IFR de 14 períodos (Índice de Força Relativa, indicador que mede a intensidade dos movimentos de preço) estava em 49,29 pontos na leitura feita com base no pregão anterior, região neutra, sem sinal de sobrecompra ou sobrevenda.

O pregão desta segunda também ajudou a testar o lado inferior do gráfico. VALE3 caiu até R$ 69,51, mas permaneceu acima da mínima recente de R$ 68,67, referência importante para a leitura técnica.

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A perda dos R$ 68,67 pode reforçar a pressão vendedora e abrir espaço inicialmente para R$ 64,11. Abaixo, aparecem R$ 58,67, R$ 56,81 e R$ 54,75.

Na outra ponta, mesmo a máxima de R$ 74,27 desta segunda-feira ainda ficou abaixo dos R$ 77,55. Assim, o papel terminou o dia entre as duas principais referências de curto prazo, sem romper nem o suporte recente nem a primeira resistência capaz de dar maior consistência à recuperação.

Real forte também entra nas contas da Vale

O câmbio ajuda a explicar o descolamento de VALE3 em relação à Bolsa nesta segunda-feira.

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O dólar chegou a cair abaixo dos R$ 5, acompanhando a forte reprecificação dos ativos brasileiros após o primeiro turno.

Como a Vale é uma grande exportadora e possui parcela relevante de suas receitas atrelada ao dólar, uma valorização forte do real reduz, na conversão cambial, o valor dessas receitas em moeda brasileira.

O câmbio, porém, não explica sozinho o desempenho de VALE3. Minério de ferro, China, custos e expectativas para a demanda global também entram na formação de preço da ação.

A sessão mostra ainda uma forte rotação dentro da Bolsa: investidores privilegiam empresas mais expostas à economia doméstica e à queda dos juros, enquanto algumas exportadoras ficam para trás.

Minério entrou no feriado chinês na mínima de dois anos

O cenário da principal commodity da Vale adiciona outra camada de pressão.

A referência física mais recente da Platts, o IODEX — índice do minério de ferro entregue à China e atualmente normalizado para 61% de teor de ferro — foi avaliada em US$ 91,05 por tonelada seca em 2 de outubro, queda de US$ 1,15 no dia e menor nível em aproximadamente dois anos.

Com o mercado futuro chinês fechado nesta semana, por causa do feriado nacional, não há nova cotação sendo formada em Dalian nesta segunda-feira.

A ausência dos compradores chineses também reduz a atividade no mercado físico. Algumas ofertas de cargas apareceram durante o feriado, mas não puderam ser efetivamente testadas junto ao mercado mais amplo, segundo informações da Platts compiladas pelo Bradesco BBI.

China vira próximo teste para o minério

A retomada das negociações chinesas deve devolver ao mercado uma de suas principais referências para a commodity.

Até lá, investidores acompanham as avaliações do mercado físico, o comportamento das grandes mineradoras internacionais e as expectativas para a demanda das siderúrgicas chinesas.

Para a Vale, essa combinação ajuda a explicar o forte descolamento desta segunda-feira. Enquanto o Ibovespa dispara com a reprecificação eleitoral e o mercado privilegia ações domésticas, VALE3 enfrenta simultaneamente um real mais valorizado, minério físico nas mínimas dos últimos dois anos e uma estrutura gráfica que ainda exige confirmação de melhora.

No curto prazo, R$ 77,55 segue como a primeira barreira importante para uma recuperação mais consistente. Do lado de baixo, R$ 68,67 permanece como o nível técnico mais próximo a acompanhar.

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Rodrigo Petry
Mercados | Economia | Onde Investir

Coordenador de Projetos Editoriais. Atuou como editor de mercados e investimentos no InfoMoney, liderando o Ao Vivo da Bolsa e o IM Trader. Antes, foi editor-chefe do portal euqueroinvestir, repórter do Broadcast (Grupo Estado) e revista Capital Aberto. Também foi Gestor de Relações com a Mídia do ex-Grupo Máquina e assessor parlamentar.