Argentina é impactada por “efeito Brasil” e ativos sobem após vantagem de Flávio

Dólar local, bônus e ações pegaram carona na onda otimista brasileira; valorização do real tende a tornar exportações argentinas para o Brasil mais competitivas

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O mercado financeiro da Argentina pegou carona no “Flávio Day” e vários ativos domésticos e estrangeiros apresentam alta nesta segunda-feira (5). É um forte contraste ante o comportamento da semana passada, quando ações e títulos se desvalorizaram devido a fatores internacionais e às dúvidas dos investidores sobre a recuperação econômica.

Além do resultado do 1º turno da eleição brasileira, os veículos noticiosos argentinos também citaram como fator para a recuperação a renovação do apoio ao país feita pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. Ele garantiu que, se necessário, retornaria para ajudar financeiramente a Argentina, como aconteceu em 2025.

O principal índice da bolsa de Buenos Aires, o S&P Merval fechou com alta de 3,68%, com destaque para o desempenho dos papéis dos bancos BBVA e Macro, com 5,63% e 5,24%, respectivamente. O índice havia caído 4,36% na semana passada.

“Consideramos que o resultado eleitoral de ontem (domingo) no Brasil é favorável para a Argentina. A vantagem de dois pontos de Bolsonaro o deixa à beira da vitória, e acreditamos que um real mais forte, taxas mais baixas e a presença de um aliado natural dentro do Mercosul favorecem os planos do presidente Milei”, afirmou a consultoria Max Capital.

Enquanto isso, o peso argentino interbancário se valorizou muito levemente, em 0,07%, para 1.520,5 unidades por dólar na venda.

Os títulos argentinos no mercado de balcão valorizaram 0,9% em média, enquanto o risco-país da Argentina caiu para 615 pontos básicos (17h no horário de Brasília), após atingir 655 pontos na sexta-feira, seu nível mais alto em 10 meses.

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Ao site do jornal Ámbito Financiero, Federico Vaccarezza, especialista em economia internacional e em relações Brasil-Argentina, destacou que “o que decidem em Brasília e São Paulo tem implicações diretas para Buenos Aires” e que, em um contexto de maior fragilidade local, “a última coisa que a economia argentina precisa é de uma desaceleração na economia brasileira.”

A valorização do real, por exemplo, favorece a economia argentina porque torna as exportações nacionais para o país mais competitivas. Cerca de 30% dos envios estrangeiros da Argentina são destinados ao seu principal parceiro comercial.