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O que antes da eleição era um exercício de cenário virou preço de mercado nesta segunda-feira (5). Opções de compra de Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3) e Petrobras (PETR4) encerraram o primeiro pregão após o primeiro turno com fortes altas, enquanto contratos ligados à Vale (VALE3) seguiram na direção oposta.
No fechamento, a ITUBJ49, uma das opções acompanhadas pelo InfoMoney, acumulou alta de 363,89%, a R$ 1,67. Outros contratos de Itaú subiram 288,30% e 266,67%.
Na Petrobras, a PETRJ550 avançou 164,04%, enquanto a PETRJ541 ganhou 148,59%. No Banco do Brasil, a BBASJ270 terminou com valorização de 144,29%.
Na outra ponta, as opções de Vale recuaram entre 22,75% e 46,92%.
Os movimentos mostram uma das principais características desse mercado: por serem instrumentos alavancados, as opções podem oscilar muito mais do que as próprias ações.
Prazo até o vencimento, distância em relação ao preço de exercício — o chamado strike — e volatilidade esperada também influenciam os preços.
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| Opção | Variação |
|---|---|
| ITUBJ49 (Itaú) | +363,89% |
| ITUBJ466 (Itaú) | +288,30% |
| ITUBJ505 (Itaú) | +266,67% |
| PETRJ550 (Petrobras) | +164,04% |
| PETRJ541 (Petrobras) | +148,59% |
| BBASJ270 (BB) | +144,29% |
| ITUBK464 (Itaú) | +125,22% |
| PETRK576 (Petrobras) | +80,00% |
| BBASK260 (BB) | +77,08% |
| PETRK541 (Petrobras) | +72,08% |
| BBASK259 (BB) | +70,25% |
| VALEK743 (Vale) | -22,75% |
| VALEJ779 (Vale) | -43,40% |
| VALEJ799 (Vale) | -44,44% |
| VALEJ754 (Vale) | -46,92% |

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Itaú lidera disparada das opções
Os movimentos mais fortes do dia apareceram nas opções de Itaú com prazo mais curto.
A ITUBJ49, com strike de R$ 49,03, fechou com alta de 363,89%, a R$ 1,67. A ITUBJ466, de strike a R$ 46,53, avançou 288,30%, enquanto a ITUBJ505, com exercício a R$ 45,79, ganhou 266,67%.
A ITUBJ49 chama atenção porque, no cenário traçado antes da eleição, aparecia entre as alternativas de maior risco. Mesmo em uma hipótese de alta de 10% de ITUB4, ela poderia terminar fora do dinheiro (out of the money, ou OTM) caso a ação não superasse seu strike no vencimento.
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Isso não impede, porém, uma forte valorização antes dessa data. Enquanto ainda há tempo até o vencimento, o preço da opção incorpora também a possibilidade de a ação alcançar ou ultrapassar determinado nível.
É essa combinação que permite que um contrato negociado por poucos centavos apresente ganhos de centenas por cento sem que a ação registre movimento semelhante.
Petrobras avança até 164%
As opções de Petrobras também registraram forte valorização e ganharam força ao longo do pregão.
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A PETRJ550, com strike de R$ 53,86, encerrou o dia em alta de 164,04%, a R$ 2,35. A PETRJ541, com exercício a R$ 52,36, avançou 148,59%, para R$ 3,53.
Nos vencimentos mais longos, as altas foram menores, mas ainda expressivas. A PETRK576 ganhou 80%, enquanto a PETRK541 subiu 72,08%.
A diferença ajuda a mostrar o efeito do prazo. Opções mais próximas do vencimento podem reagir de maneira mais intensa quando a ação se aproxima ou supera o strike. Já os contratos mais longos carregam mais valor de tempo, o que tende a reduzir a variação percentual em um único movimento.
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Petrobras também chegou à eleição com forte aumento do risco precificado. No acompanhamento realizado antes da votação, a volatilidade implícita das opções de PETR4 havia saído de uma região próxima de 29% para cerca de 47%.
Banco do Brasil: opção mais agressiva sobe 144%
No Banco do Brasil, o destaque foi a BBASJ270, que terminou o pregão em alta de 144,29%, a R$ 1,71.
O contrato tem strike de R$ 25,04 e já aparecia antes da votação entre as alternativas mais sensíveis da seleção acompanhada, justamente pela proximidade do preço de exercício em relação a um cenário de forte valorização de BBAS3.
Quando a ação se aproxima rapidamente do strike, a sensibilidade da opção pode aumentar. É o efeito associado ao gama, medida que mostra como muda o delta — a reação do preço da opção aos movimentos da ação.
Nos vencimentos mais longos, a BBASK260 avançou 77,08%, enquanto a BBASK259 subiu 70,25%.
Antes do primeiro turno, as opções de BBAS3 já vinham precificando prêmio de risco elevado, refletindo maior incerteza em relação aos movimentos do papel no período eleitoral.
Vale fecha na direção oposta
Enquanto Itaú, Petrobras e Banco do Brasil mostraram o lado positivo da alavancagem, as opções de Vale encerraram o pregão em queda.
A VALEJ754 recuou 46,92%, a R$ 0,69. A VALEJ799 caiu 44,44%, enquanto a VALEJ779 perdeu 43,40%.
O contrato de prazo maior, VALEK743, também caiu, mas em menor intensidade: 22,75%, para R$ 1,97.
A diferença reforça que a reação pós-eleição não foi uniforme entre os ativos. Enquanto bancos e Petrobras mostraram maior sensibilidade à reprecificação do cenário doméstico, a Vale permanece mais ligada à dinâmica do minério de ferro e às expectativas para a economia chinesa.
Para quem compra uma opção de compra, ou call, o efeito pode ser rápido: se a ação se afasta do strike na direção contrária à esperada e o vencimento se aproxima, o prêmio pode perder grande parte do valor.
Por que as opções variam tanto?
Uma call dá ao investidor o direito de comprar uma ação pelo preço estabelecido no contrato, o strike.
Quando a ação supera esse preço, a opção fica dentro do dinheiro (in the money, ou ITM). Quando permanece abaixo, está fora do dinheiro (OTM). Próxima ao strike, é classificada como at the money (ATM).
Antes do vencimento, porém, o preço também incorpora prazo e volatilidade. Por isso, contratos negociados por poucos centavos podem subir 100%, 200% ou mais de 300% em pouco tempo — e também perder boa parte do valor quando o movimento ocorre na direção contrária.
No primeiro pregão após a eleição, essa assimetria apareceu de forma clara: entre as opções monitoradas, as variações no fechamento foram de +363,89% em Itaú a -46,92% em Vale.