Meta Muse ameaça domínio da Apple dentro do iPhone; entenda

Com 2,5 milhões de downloads em duas semanas, IA da Meta força Apple a defender espaço dentro do próprio iPhone

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A Apple pode continuar vendendo milhões de iPhones e, ainda assim, ver uma parte importante das compras feitas pelo celular escapar de seu ecossistema. 

O alerta é do Bank of America e ganhou força com o avanço do Meta Muse, agente de inteligência artificial da Meta que executa tarefas em nome do usuário, inclusive pesquisar produtos e concluir compras. Em vez de abrir aplicativos e escolher onde comprar, o usuário entrega a busca ao agente.

É ele quem percorre sites e serviços até chegar à transação. Lançado em 8 de setembro, o Muse acumulou 2,5 milhões de downloads nas duas primeiras semanas e chegou ao topo da lista de aplicativos gratuitos para iOS nos Estados Unidos. Nesse período, também ampliou as conexões com empresas do comércio online.

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Por que o Meta Muse preocupa a Apple?

O analista Wamsi Mohan, do Bank of America, chama atenção para o controle sobre o caminho que leva o consumidor até a compra.

Se alguém pede ao Muse para procurar um produto, por exemplo, não precisa decidir antes qual loja visitar. O agente faz a busca e encaminha a transação.

Parte desse percurso hoje acontece dentro do ecossistema da Apple e alimenta seu negócio de serviços. Se agentes de terceiros assumem essa intermediação, parte da receita também entra em disputa.

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O impacto não depende apenas de quantas compras o Muse fecha sozinho. Se o usuário passa a recorrer ao agente sempre que quer encontrar um produto, comparar opções ou iniciar uma compra, a Meta também ganha espaço em uma etapa valiosa da relação com o consumidor: o momento em que surge a intenção de gastar.

Segundo o Bank of America, a Apple pode continuar vendendo aparelhos enquanto perde espaço na descoberta de produtos, nas indicações e no início das transações.

O movimento já aparece no comércio eletrônico. A Shopify abriu seu catálogo e a infraestrutura do Shop Pay ao Muse. Expedia e PayPal também estão entre os serviços integrados. A Amazon tomou outra direção e bloqueou o acesso do agente à sua loja.

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Apple terá de disputar espaço dentro do próprio iPhone

Ter o iOS e uma enorme base de usuários não garante à Apple que as compras feitas no iPhone continuem passando por seus serviços.

Se o agente vira a primeira parada do usuário, ele também passa a influenciar onde a busca começa e por quais serviços a compra avança.

Isso muda inclusive o peso dos aplicativos nesta jornada. Para o consumidor, deixa de ser necessário lembrar qual plataforma oferece determinado serviço ou navegar por diferentes interfaces. Basta dizer ao agente o que procura. Quanto mais natural esse hábito se torna, menor a dependência de abrir diretamente os aplicativos instalados no aparelho.

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A pressão chega à Siri. Segundo Mohan, a ferramenta da Apple ainda não acompanha algumas capacidades apresentadas pelo Meta Muse, como manter tarefas em segundo plano e atuar de forma mais ampla em serviços de terceiros.

O ritmo de desenvolvimento também pesa. As grandes versões do software da Apple seguem ciclos mais espaçados, enquanto agentes de IA recebem novos recursos com maior frequência.

Mesmo com esse risco, o Bank of America manteve recomendação de compra para as ações da Apple. Mohan cita a ampla base de usuários da companhia e a confiança construída em torno da privacidade como pontos favoráveis.

O avanço do Muse, porém, muda uma relação que por anos favoreceu a Apple: manter o usuário dentro do iPhone já não assegura que a empresa também fique no centro da compra.