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A geração Z abriu uma nova discussão sobre etiqueta profissional, e desta vez o debate gira em torno de um café gelado.
Na semana passada, a recrutadora Caitlin Wehniainen publicou um vídeo no TikTok comentando que candidatos da geração Z têm aparecido em entrevistas de emprego segurando um café gelado. Para ela, a bebida transmite a impressão de que a entrevista é apenas mais uma “parada na lista de tarefas do dia”. Na sua avaliação, trata-se de uma atitude “casual demais” para oportunidades corporativas mais tradicionais. Por isso, ela recomenda que os jovens tomem o café antes ou depois da reunião.
Os comentários se dividiram. Alguns argumentaram que entrevistas são, de fato, apenas uma parte da rotina e que é absurdo “fingir que não somos humanos”. Outros disseram não acreditar que havia pessoas questionando o que consideram regras básicas de profissionalismo.
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A discussão ganhou força. O criador de conteúdo Josh Lora, conhecido como @tellthebees, afirmou no TikTok que algumas pessoas estão tentando redefinir o significado de profissionalismo de acordo com suas próprias preferências. Segundo ele, candidatos que entram em uma entrevista com um café gelado na mão correm o risco de não conseguir a vaga.
Lora criticou aqueles que veem o café gelado como um símbolo de rebeldia, mas acreditam que não deveriam sofrer qualquer consequência por isso. “Não é assim que o mundo funciona”, afirmou.
Outra criadora de conteúdo, conhecida como Miss Redacted, argumentou que o ambiente corporativo nos Estados Unidos possui diversas “regras não escritas”, independentemente de parecerem triviais para a maioria das pessoas.
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O debate extrapolou as redes sociais. Um vídeo no TikTok mostrou uma enquete em um elevador de um escritório considerado “extremamente corporativo”, na qual 92% dos participantes afirmaram que levar um café gelado para uma entrevista é inadequado, enquanto apenas 8% consideraram a atitude aceitável.
Os trabalhadores estão divididos sobre se a bebida é algo inofensivo ou uma quebra de etiqueta profissional. Os recrutadores também não chegaram a um consenso. Embora a maioria considere que um café gelado não seja suficiente para eliminar um candidato, alguns defendem que a prática viola regras implícitas de comportamento em entrevistas. E, apesar de a geração Z estar introduzindo novas expectativas no ambiente de trabalho, esse hábito aparentemente inofensivo pode influenciar as chances de conseguir uma vaga.
“Um café gelado diz muito pouco sobre a capacidade de uma pessoa fazer o trabalho, e é justamente por isso que esse debate gerou tanta repercussão”, afirma Ashley Daugherty, gerente da empresa de recrutamento Randstad Professional. “Na verdade, a discussão não é sobre café. É sobre quem define o que é ser profissional.”
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O que os especialistas em recrutamento pensam
Especialistas concordam que um café não deveria superar as qualificações de um candidato, mas admitem que pode influenciar percepções.
Megan Slabinski, presidente regional da empresa de recrutamento Robert Half, afirma que não recomendaria levar a bebida para a entrevista, embora considere improvável que isso seja decisivo. Segundo ela, o ideal é manter as mãos livres para cumprimentar os entrevistadores.
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“Embora um café gelado, por si só, provavelmente não determine o resultado da entrevista, eu não recomendaria levá-lo para a sala”, diz Slabinski. “Qualquer coisa que gere distração ou desvie a atenção da conversa deve ser evitada.”
Ela ressalta que gerentes de contratação avaliam principalmente habilidades de comunicação, postura profissional e a forma como o candidato se apresenta. Ainda assim, recomenda abandonar qualquer item que possa se tornar uma distração.
Outros especialistas defendem uma visão diferente. Trent Cotton, diretor de inteligência de talentos da plataforma de recrutamento ICIMS, argumenta que levar uma bebida não deveria prejudicar as chances de ninguém.
“Qual é a diferença entre um copo de água e uma xícara de café, considerando que normalmente ambos são oferecidos ao candidato?”, questiona Cotton. “Não existe diferença real.”
Para ele, rejeitar um candidato por esse motivo demonstra foco excessivo em detalhes irrelevantes. “Se segurar um café transmite a ideia de que alguém não leva a entrevista a sério, em um mercado em que as pessoas se candidatam a 40 vagas para conseguir três entrevistas, então essa empresa está preocupada com os aspectos errados.”
A geração Z está mudando as regras do trabalho
Profissionais da geração Z vêm questionando normas tradicionais do mercado desde que começaram a ingressar no mercado de trabalho, muitos deles durante a pandemia de Covid-19.
Eles já desafiaram expectativas sobre vestimenta, presença obrigatória no escritório e estilos de comunicação. Agora, a discussão sobre levar café para entrevistas se soma à lista.
“Esse debate tem menos relação com o café gelado e mais relação com a transformação das normas no ambiente de trabalho”, explica Slabinski. Ela destaca que muitos jovens fizeram suas primeiras entrevistas por videochamada, onde esse tipo de preocupação simplesmente não existia.
Ashley Daugherty acrescenta que os candidatos estão tentando decifrar regras não escritas em um mercado de trabalho difícil. Como essas expectativas raramente são explicitadas, pode ser complicado para os jovens saber o que é considerado adequado.
Cotton concorda que o contexto mudou. Segundo ele, muitos integrantes da geração Z entraram no mercado remotamente e não tiveram quem lhes ensinasse essas convenções informais.
“Não se pode culpar alguém por não conhecer uma etiqueta que ninguém teve a chance de ensinar”, diz.
Para ele, a discussão revela um problema maior: a perda de empatia das empresas com os candidatos.
“O que me inspira é a forma como a geração Z está defendendo esse ponto”, afirma. “É uma geração que questiona regras que nunca fizeram muito sentido e pergunta ‘por quê?’ em vez de simplesmente obedecer. Levem o café. E façam as perguntas difíceis também. Aos recrutadores, essa é exatamente a pessoa que vocês deveriam querer na equipe.”
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