Câncer em gatos revela pistas para tratamentos em humanos; entenda

Publicado na Science o estudo identificou alterações genéticas em tumores de gatos também comuns em cânceres humanos

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Gatos domésticos podem se tornar aliados na busca por novos tratamentos contra o câncer em humanos. Um estudo internacional identificou semelhanças genéticas entre tumores que surgem naturalmente nos felinos e diferentes tipos da doença encontrados em pessoas. 

Publicado na revista Science, o trabalho analisou o DNA de 493 amostras e criou o primeiro grande mapa genético do câncer em gatos. Entre os achados, estão alterações em genes associados ao desenvolvimento de tumores que também aparecem com frequência em pacientes humanos.

Um dos exemplos é o TP53, que apresentou mutações em 33% das amostras analisadas. Em um levantamento anterior com cânceres humanos, a alteração estava presente em 34% dos casos.

As semelhanças não param na genética. Como convivem no mesmo ambiente que seus tutores, os gatos também ficam expostos a condições semelhantes às dos seres humanos, diferentemente de animais criados especificamente para pesquisas em laboratório.

“Eles também sofrem de muitas das mesmas doenças que os humanos, apoiando a ideia de que essas duas espécies compartilham pelo menos alguns mecanismos básicos de doença”, afirmou Bruce Kornreich, diretor do Cornell Feline Health Center.

Câncer de mama revelou uma das principais semelhanças

Um dos achados mais relevantes apareceu nos carcinomas mamários felinos, tumores conhecidos pela alta agressividade.

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A equipe identificou sete genes capazes de contribuir para o desenvolvimento da doença quando sofrem determinadas mutações. Entre eles está o FBXW7, alterado em mais da metade dos tumores mamários felinos estudados.

O mesmo gene também tem importância no câncer de mama humano. Em pacientes, mutações no FBXW7 costumam estar associadas a prognósticos piores.

A análise foi além da comparação genética. Em culturas de tecidos em laboratório, alguns tratamentos de quimioterapia tiveram maior eficácia contra tumores felinos com essas mutações.

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O resultado ainda precisa ser confirmado em estudos mais amplos e não significa que já exista um novo tratamento contra o câncer em humanos. Mas abre caminho para investigar terapias que possam funcionar em tumores com características genéticas semelhantes nas duas espécies.

O estudo também encontrou paralelos em cânceres do sangue, ossos, pulmões, pele, trato gastrointestinal e sistema nervoso central.

Por que estudar o câncer em gatos pode ajudar humanos?

Uma das vantagens é que esses animais desenvolvem câncer naturalmente e vivem em ambientes semelhantes aos nossos.

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No carcinoma de células escamosas da pele, por exemplo, foram identificados tumores felinos associados à radiação ultravioleta. O mesmo tipo de exposição está ligado a diferentes cânceres de pele em humanos.

Essa abordagem se aproxima do conceito de One Health, que integra a saúde humana e animal. Dados da medicina veterinária podem abrir novas linhas de investigação em pessoas, enquanto avanços da oncologia humana também podem beneficiar os gatos.

Os dados das 493 amostras foram reunidos em um recurso aberto à comunidade científica. A partir dele, outros grupos poderão investigar com mais profundidade como os tumores se desenvolvem e como diferentes espécies respondem aos mesmos medicamentos.

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“Agora podemos começar a dar os próximos passos rumo à oncologia felina de precisão”, afirmou Louise Van Der Weyden, do Wellcome Sanger Institute e autora sênior do estudo.

O trabalho reuniu pesquisadores do Wellcome Sanger Institute, no Reino Unido, da Cornell University, da Universidade de Guelph, no Canadá, e da Universidade de Berna, na Suíça.