TNT Sports aposta em transmissões no YouTube para trazer assinantes à HBO Max

Com UEFA Champions League e CONMEBOL Sul-Americana, canal da Warner Bros. Discovery reforça disputa com CazéTV e Ge TV

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CazéTV e Ge TV ganharam uma concorrente na transmissão regular de jogos de futebol pelo YouTube neste ano. Com a UEFA Champions League, a TNT Sports diz ter encontrado um caminho comercialmente viável de oferta aberta de jogos a um público amplo e atração de clientes para seus serviços pagos. Agora, a aposta do braço de programação esportiva da Warner Bros. Discovery é em um torneio da América do Sul.

Em um evento na última quinta-feira (24), a empresa anunciou a representantes de agências de publicidade e empresas o pacote comercial das suas transmissões da CONMEBOL Sul-Americana pelo período de 2027 a 2030. Serão 16 confrontos por edição do torneio, um jogo a cada rodada.

É o segundo torneio continental transmitido pela TNT Sports nesta nova era de transmissões pelo YouTube, depois do início da UEFA Champions League no mês de setembro. O movimento é um retorno às raízes. Quando ainda operava sob a marca Esporte Interativo, a empresa foi uma das pioneiras em testes de alternativas digitais para eventos esportivos quando exibiu a final da Supercopa da Espanha pelo Facebook em 2011.

Acontece que, desta vez, o mercado parece ter encontrado uma solução econômica para viabilizar um modelo recorrente de transmissões na plataforma da Alphabet (GOGL34), dona do Google. Para a Sul-Americana, a TNT Sports tem direito de selecionar e exibir a melhor partida de cada rodada.

O modelo que vingou

“Os modelos testados no passado sempre tiveram alguma pendência, seja de monetização ou da parte técnica”, afirma o vice-presidente de esportes da Warner Bros. Discovery na América Latina, Diego Vieira, em entrevista ao InfoMoney. “Hoje, quando se olha para a região, o Brasil está muito à frente do ponto de vista de produção de grandes direitos de transmissão no YouTube.”

No caso da TNT Sports, a estratégia passa pela contribuição de cada um de seus canais ao ecossistema. No YouTube, o grupo ganha um elemento de escala que não possuía na televisão fechada ou no streaming HBO Max, por onde já transmite a Champions League há cinco anos.

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De um lado, o volume de espectadores do YouTube se torna um chamariz para anunciantes cada vez mais empolgados com o retorno das transmissões digitais; de outro, a TNT Sports usa as partidas exibidas gratuitamente para impulsionar o número de assinantes da sua plataforma de streaming.

“Fazemos uma comunicação grande dos jogos que estão na HBO Max. Passamos apenas um jogo da Champions por dia no YouTube, enquanto no streaming o consumidor pode assistir a todos”, conta Vieira. “Nós usamos a janela aberta para potencializar a janela paga”, explica.

Embora a Warner Bros. Discovery não divulgue resultados financeiros, os números das primeiras transmissões via YouTube são comparáveis aos de concorrentes que já operam na plataforma de vídeos “há muito tempo”, aponta o executivo.

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YouTube evolui de olho em transmissões

Dentro do YouTube, a visão desde 2019 é de que o mercado caminhava para uma descentralização das transmissões esportivas. O movimento ocorreu aos poucos, conforme contratos de direitos venciam e uma nova rodada de negociações para os torneios começava.

Um dos efeitos desse fenômeno seria a criação da CazéTV, responsável por transmitir todos os jogos da Copa do Mundo de 2026 a 100 milhões de dispositivos. “Nós evoluímos a plataforma ao longo do caminho. Em 2020, quando transmitimos a Copa do Nordeste, a audiência era de 500 mil visualizações”, conta o head de parcerias de TV, filmes e esportes do YouTube Brasil, Victor Machado.

Todos os principais campeonatos de futebol brasileiros hoje são transmitidos no YouTube. Além das contribuições de CazéTV e TNT Sports, o Grupo Globo lançou a Ge TV em 2025, em busca de reforçar sua presença nas transmissões digitais gratuitas.

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De acordo com Machado, a plataforma precisou evoluir ao longo do caminho para lidar com algumas das maiores audiências globais em tempo real do YouTube. Além do aumento de capacidade de audiência nas transmissões, a companhia melhorou a qualidade dos vídeos — a Copa do Mundo foi transmitida em 4K — e trabalhou no chat ao vivo das transmissões.

Da TV por assinatura à transmissão aberta

Do lado comercial, canais de esporte no YouTube também estão aproveitando uma migração dos investimentos publicitários da televisão para plataformas digitais. Dados do fórum de autorregularão do mercado publicitário Cenp mostram que, de janeiro a junho de 2026, 306 agências de publicidade investiram mais em meios digitais do que na televisão.

Com uma diferença marginal, o painel aponta para R$ 5,62 bilhões em compra de mídia na internet nos primeiros seis meses do ano, contra R$ 5,61 bilhões da televisão.

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Para o vice-presidente de vendas de anúncios da Warner Bros. Discovery Brasil, André Gramorelli, a procura pelas transmissões esportivas da companhia pelos patrocinadores é impulsionadas por três razões.

Primeiro, o volume e a granularidade dos dados produzidos pela plataforma e capazes de direcionar decisões dos anunciantes. Segundo, e novamente, as transmissões no YouTube adicionam um elemento de escala ao pacote de mídias da TNT Sports, até então explorados apenas pelos programas do canal, e não nas transmissões de torneios. O último elemento é a interatividade: “as marcas conseguem levar ativações que fazem uso dessa interação. A tradição era muito reativa, a audiência apenas assistia”, conta Gramorelli.

E esse é um importante ativo para a TNT Sports. A companhia calcula atingir 162 milhões de pessoas por mês em redes sociais e cresceu, ainda como Esporte Interativo, fortemente atrelada às mídias digitais. Seu canal digital no YouTube foi o primeiro do segmento de esportes a atingir 10 milhões de inscritos, em 2023.

Mais que isso, as transmissões online — via streaming ou abertas — são um caminho de renovação de um canal estruturado ainda na televisão por assinatura, que hoje atravessa sua maior crise. De janeiro a dezembro de 2025, o número de assinaturas de TV caiu 15,17%, segundo dados da (Agência Nacional de Telecomunicações).

“Na última década, quando houve a perda de base da TV por assinatura, nosso negócio foi impactado. Isso foi compensado rapidamente com a chegada do streaming”, afirma Gramorelli. “Hoje temos uma composição de receita muito saudável vinda de streaming, TV paga e, agora também a receita publicitária do YouTube com transmissões.”

Mesmo antes do início da exibição da Champions League, o canal da TNT Sports no YouTube arrecadava com publicidade nos programas de debate e jornalismo esportivo publicados no canal. “Trazer o jogo certamente vai fazer com que o YouTube passe a ter uma fatia maior do bolo publicitário que levamos”, conta Gramorelli.

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Iuri Santos
Business | Consumo | Minhas Finanças

Repórter com experiência na cobertura de mercados, negócios e inovação. Antes do InfoMoney, passou pelo E-Investidor, do Estadão.