Morgan eleva Dasa para compra e ações disparam; Hapvida segue sob pressão

Banco eleva recomendação da Dasa para compra, reforça preferência por Raia Drogasil e Hypera e reduz preço-alvo da Hapvida diante do impacto de despesas judiciais sobre a recuperação da companhia

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O Morgan Stanley revisou sua cobertura do setor de saúde na América Latina após a temporada de resultados do segundo trimestre, elevando a recomendação de Dasa (DASA3) de equivalente à neutra para equivalente à compra (overweight, ou exposição acima do mercado) e aumentando os preços-alvo de outras quatro empresas do segmento. Com isso, às 10h14 (horário de Brasília) desta quinta-feira (24), as ações DASA3 subiam 6,81%, a R$ 3,45.

Em contrapartida, o banco reduziu significativamente sua projeção para Hapvida (HAPV3), citando custos judiciais que devem atrasar o processo de recuperação operacional e financeira da operadora.

Segundo os analistas, a Dasa se tornou a principal mudança de visão após os resultados do trimestre. O preço-alvo para a ação foi elevado de R$ 3,00 para R$ 4,80, enquanto a recomendação passou de neutra para compra.

O Morgan Stanley também aumentou os preços-alvo de RD Saúde (RADL3), de R$ 26 para R$ 27,50, de Hypera (HYPE3), de R$ 31 para R$ 32,50, de Fleury (FLRY3), de R$ 19,10 para R$ 23,20, e de Blau Farmacêutica (BLAU3), de R$ 10,50 para R$ 11,50. Já a projeção para Hapvida foi reduzida de R$ 11 para R$ 8 por ação.

Dasa: favorita entre laboratórios

A principal tese do banco para a mudança de recomendação da Dasa é a melhora na geração de caixa e a maior visibilidade sobre o processo de desalavancagem. Segundo o relatório, a companhia vem apresentando crescimento consistente na divisão de diagnóstico, redução de despesas administrativas e um modelo de expansão mais eficiente em capital, fatores que podem permitir a redução da dívida sem depender de venda de ativos.

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O Morgan Stanley projeta que a alavancagem da empresa cairá de 3 vezes dívida líquida/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) em 2026 para 2 vezes em 2028, movimento que pode reduzir o desconto das ações em relação ao Fleury. Atualmente, o banco ressalta que a empresa negocia com desconto relevante frente ao principal concorrente, abrindo espaço para reprecificação dos papéis caso a melhora operacional seja confirmada.

RD Saúde segue como principal aposta

No varejo farmacêutico, a favorita do banco continua sendo a Raia Drogasil. O Morgan Stanley manteve recomendação equivalente à compra e elevou o preço-alvo para R$ 27,50. Os analistas destacam a forte execução operacional, a expansão da rede de lojas e a crescente exposição aos medicamentos da classe GLP-1, utilizados no tratamento de obesidade e diabetes.

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A instituição considera a empresa o principal veículo de investimento para capturar o crescimento desse mercado no Brasil. Mesmo após revisar premissas regulatórias relacionadas aos reajustes de preços de medicamentos, o banco continua projetando expansão de margens e crescimento consistente dos resultados nos próximos anos.

Hypera continua entre as preferidas

Outra ação que segue entre as preferidas do Morgan Stanley é a Hypera. O banco elevou o preço-alvo para R$ 32,50 e reiterou recomendação de compra, argumentando que a empresa vem melhorando sua conversão de caixa e gestão de estoques.

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Os analistas afirmam que a tese de investimento vai além da expectativa envolvendo o lançamento de versões de semaglutida após o vencimento de patentes. A melhoria operacional e a maior geração de caixa reforçam a perspectiva de valorização dos papéis, na visão da instituição.

Fleury melhora

Para o Fleury, o Morgan Stanley manteve recomendação neutra, embora tenha elevado o preço-alvo em mais de 20%, para R$ 23,20. A revisão refletiu crescimento orgânico mais forte, menores despesas com depreciação e amortização e uma trajetória de investimento mais equilibrada.

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Apesar da melhora dos resultados, o banco afirma que o potencial de valorização das ações está mais limitado. Os analistas destacam que o fluxo de notícias positivas e revisões de lucro deve continuar beneficiando os papéis no curto prazo, mas avaliam que os níveis atuais de preço já incorporam boa parte desse cenário.

Custos judiciais pesam sobre Hapvida

O tom mais cauteloso do relatório ficou para a Hapvida. O Morgan Stanley manteve recomendação neutra, mas cortou o preço-alvo de R$ 11 para R$ 8. O banco reconhece que a revisão da carteira de beneficiários tende a melhorar os índices de sinistralidade ao longo do tempo, mas avalia que os gastos judiciais e provisões continuarão consumindo grande parte dos ganhos operacionais.

Os analistas reduziram suas projeções de lucro e passaram a esperar uma trajetória mais lenta de desalavancagem. Na avaliação da casa, as despesas legais seguem sendo o principal obstáculo para uma recuperação mais rápida da empresa, mesmo em um cenário de melhora gradual dos indicadores de utilização dos planos de saúde.

Blau segue dependente de execução

Já a Blau Farmacêutica permaneceu com recomendação neutra. O Morgan Stanley reconhece o potencial de crescimento associado a novos lançamentos, expansão de capacidade e produtos biotecnológicos, mas avalia que a maior parte desse valor ainda está concentrada no longo prazo.

Para os analistas, a tese continua dependente da execução de projetos estratégicos, como a expansão industrial em Pernambuco e a evolução do portfólio de anticorpos monoclonais, fatores que ainda carregam riscos relevantes de implementação.

De forma geral, a revisão do Morgan Stanley reforça uma preferência por empresas com maior visibilidade de geração de caixa e desalavancagem, como Dasa, Hypera e Raia Drogasil, enquanto mantém cautela com companhias que ainda enfrentam desafios operacionais ou regulatórios mais significativos, caso de Hapvida e Blau.