Petrobras: alta de R$ 1 no diesel é suficiente? Analistas veem defasagem persistente

Itaú BBA, Goldman Sachs e XP avaliam impacto do reajuste de R$ 1 por litro e veem diferença para a paridade de importação ainda relevante

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A Petrobras (PETR4) informou em 16 de setembro que elevará em R$ 1,00 por litro o preço do diesel a partir desta quinta-feira (17).

O reajuste, porém, será compensado pela nova subvenção econômica de R$ 1,00 por litro ao óleo diesel A rodoviário, segundo a estatal.

Para o Itaú BBA, o movimento é positivo para a Petrobras porque reduz parcialmente a diferença entre os preços praticados pela companhia e a referência de sua política de preços, que aumentou significativamente nas últimas semanas.

A equipe de analistas liderada por Monique Greco estima que os preços do diesel da Petrobras estejam cerca de 36% abaixo da paridade de importação.

Após o reajuste, esse desconto deve cair para aproximadamente 22%.

O BBA ainda destaca que o novo preço de R$ 5,42 por litro, apesar de ainda representar um desconto relevante em relação à paridade de importação, equivale a um preço implícito do diesel no mercado doméstico de US$ 170 por barril, nível
significativamente acima dos patamares considerados normais.

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No entanto, apesar de aproximar os preços domésticos da paridade de importação no curto prazo, o BBA acredita que ainda seria necessário um novo aumento para eliminar totalmente a diferença remanescente quando considerada a média do ano inteiro, mesmo assumindo que o subsídio atual de R$ 2,12 por litro seja mantido até o final do ano.

O Goldman Sachs também avalia que pode ser necessário um aumento adicional dos subsídios e/ou um novo reajuste no preço do diesel da Petrobras para fechar a diferença entre o preço percebido pela estatal, incluindo os subsídios governamentais, e a paridade de importação, após a recente alta dos preços internacionais do diesel.

A XP Investimentos, por sua vez, avalia que o novo subsídio ao diesel é positivo para a geração de caixa da Petrobras, mas mantém recomendação neutra para as ações, já que a medida era amplamente esperada pelo mercado. Ao mesmo tempo, o benefício reduz parte da vantagem competitiva das grandes distribuidoras, embora os preços domésticos ainda permaneçam abaixo da paridade de importação.

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Segundo o analista Regis Cardoso, um aumento de R$ 1 por litro no preço realizado do diesel representaria um incremento de US$ 5,9 bilhões no fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE) anualizado da Petrobras, equivalente a 4,4 pontos percentuais no yield. Em um mês, o impacto seria de cerca de US$ 500 milhões, ou 0,4 ponto percentual.

Subsídio pode chegar a R$ 2,12 por litro

A XP destaca ainda que o novo modelo permite ao governo revisar, prorrogar ou encerrar o subsídio ao fim de cada mês. A medida também permite alterações no valor durante o primeiro mês com efeito imediato.

Esse ponto ganha relevância porque o subsídio anterior, de R$ 1,12 por litro, expira no fim de setembro. Na avaliação da XP, o governo poderia elevar o novo benefício de R$ 1 para R$ 2,12 por litro, mantendo o subsídio total atualmente disponível ao diesel.

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O novo modelo também permite valores diferentes para produtores e importadores. Inicialmente, porém, o benefício foi fixado em R$ 1 por litro para ambos.

Impacto para distribuidoras

Segundo os cálculos do Goldman Sachs, as maiores distribuidoras têm sido beneficiadas pelo acesso direto a uma alternativa mais barata, com diesel doméstico subsidiado pelo governo. Os preços locais da Petrobras estavam cerca de 45% abaixo da paridade de importação, mesmo considerando um subsídio de R$ 1,12 por litro aos importadores. Com o aumento do subsídio para R$ 2,12 por litro, essa diferença poderia cair para cerca de 34%.

O Goldman Sachs mantém recomendação neutra para as distribuidoras de combustíveis que cobre, diante de uma avaliação considerada pouco atrativa, com múltiplo preço sobre lucro (P/L) estimado para 2027 de cerca de 12 vezes para Vibra e Ultrapar, assumindo margens de EBITDA ajustado próximas de R$ 200 por metro cúbico. O banco considera o cenário de margens próximas do pico e juros elevados no Brasil.

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Na avaliação da XP, o novo subsídio reduz a diferença entre os preços praticados pela Petrobras e a alternativa de importação, diminuindo parte da vantagem competitiva das grandes distribuidoras, que têm maior participação de produtos comprados da estatal em seu mix de suprimento.

Ainda assim, o ambiente competitivo permanece favorável, já que os preços domésticos continuam abaixo da paridade de importação.

Petrobras (PETR3; PETR4)

O Goldman Sachs mantém recomendação de compra para a Petrobras, com preços-alvo de 12 meses de R$ 60,80 para PETR3 e R$ 56,80 para PETR4. Para os ADRs negociados nos EUA, os alvos são de US$ 23,90 para PBR e US$ 22,40 para PBR.A.

O Itaú BBA também reitera recomendação de compra e preço-alvo de R$ 63,00.

Vibra Energia (VBBR3)

Para a Vibra Energia, o Goldman Sachs mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 30,80 para os próximos 12 meses, calculado pelo método de soma das partes (SOTP).

Os principais riscos envolvem ganhos ou perdas de participação de mercado, margens de distribuição de combustíveis acima ou abaixo do esperado, mudanças nas restrições de redução de geração e juros brasileiros diferentes das projeções.

Ultrapar (UGPA3)

O Goldman Sachs também mantém recomendação neutra para a Ultrapar, com preços-alvo de R$ 29,40 para UGPA3. Os valores têm como base um múltiplo-alvo de 9,1 vezes o lucro por ação projetado para os próximos 12 meses.

Entre os fatores que podem alterar a tese estão um ganho de participação de mercado da Ipiranga mais rápido ou mais lento que o esperado, a implementação mais rápida ou mais lenta de novas medidas contra irregularidades na distribuição de combustíveis e um ambiente regulatório mais ou menos favorável para a Ultragaz.

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Felipe Moreira
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