Publicidade
“A sorte é que na época não tinha Instagram”, diz Kaumer Chieppe, CEO do Grupo Águia Branca, sobre as aventuras que sua família enfrentou em 80 anos à frente da empresa. O pai de Kaumer era motorista de ônibus e, para dormir, certa vez teve que atravessar um rio de canoa.
Quando acordou, no dia seguinte, o barco estava na outra margem. “Meu pai ficou pelado, botou a roupa na cabeça, atravessou o rio, se vestiu e foi fazer o horário”, conta Kaumer. “Isso mostra um pouco a nossa disposição para superar a dificuldade. Se está ali, é para ser superado”.
Em 80 anos, o Grupo Águia Branca atravessou águas revoltas, como a urbanização do Brasil e crises como hiperinflação e pandemia. O segredo para não se afogar, conta Kaumer, foi combinar ousadia e prudência na gestão familiar.
“Não dá pra você pisar no acelerador e achar que vai dar tudo certo. Tem que ter muito cuidado com isso. Se for uma pessoa empreendedora, que tenha alguém importante do financeiro pra segurar”, afirma Kaumer. Ele dá o exemplo em casa: no grupo, perfis mais agressivos convivem com perfis mais conservadores, e os dois lados têm poder de decisão. “Alguém sozinho não faz nada”, diz.
Pânico e sinergia na pandemia
A pandemia de Covid-19 foi um dos momentos mais críticos para o Grupo Águia Branca. “No primeiro momento foi um pânico contido”, diz Kaumer. O transporte de passageiros sofreu imediatamente: alguns estados proibiram a circulação de ônibus; onde foi permitido, quase não havia passageiros.
Mas a crise da Covid abriu uma brecha. Fábricas, usinas siderúrgicas e produtoras de celulose precisavam continuar operando – e, para isso, transportar trabalhadores. De acordo com a regra de distanciamento estabelecida, cada ônibus só podia levar metade da capacidade. A demanda dobrou.
Continua depois da publicidade
Sinergias internas ajudaram o grupo a atravessar a crise. “A demanda por ônibus nas fábricas dobrou, enquanto o transporte público estava parado”, afirma Kaumer. “Então pegamos os ônibus da Viação Águia Branca para atender os contratos da nossa área de logística. Conseguimos”.
- Veja mais: Simpar: a história da maior empresa de logística do Brasil, que faturou mais de R$ 24 bilhões em 2022
- E também: Rodobens: como uma pequena concessionária virou um império automotivo, financeiro e imobiliário
Na área de concessionárias, a empresa nadou contra a corrente – e se deu bem. Quando o mercado entrou em pânico e as outras empresas pararam de comprar veículos, o Grupo Águia Branca aumentou os pedidos. “Chegamos na fábrica e falamos: pode passar, que eu quero, quero, quero”, conta Kaumer. Quando a demanda voltou, o grupo estava abastecido. “Foi uma estratégia. Soubemos aproveitar a oportunidade”.
- Veja mais: Reiter Log: a gigante de logística que começou com um caminhão
- E também: Como Vasco Oliveira virou crises em estratégia e criou a Nstech, gigante logística
A pandemia não foi exceção. Em 80 anos, o grupo acumulou um manual informal de gestão de crises: conservadorismo financeiro, diversificação de negócios e disposição para correr riscos calibrados. Ao colocar o pé em três canoas – transporte de passageiros, operador de logística e concessionárias de automóveis e máquinas agrícolas –, a família Chieppe conseguiu navegar.
Continua depois da publicidade
Sobre o Do Zero ao Topo
O podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.