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Quase duas décadas depois de a Apple criar o mercado moderno de smartphones, o iPhone está prestes a passar por sua maior transformação até hoje: ele vai se tornar dobrável.
Se os executivos da Apple sentem alguma apreensão em alterar o design consagrado do iPhone, podem encontrar conforto em sua principal concorrente: a Samsung. A companhia sul-coreana vende smartphones dobráveis há sete anos e lançou, em julho, sua mais recente linha, composta pelos modelos Z Fold 8 e Z Flip 8.
As vendas dos novos dobráveis da Samsung cresceram 30% em volume na comparação anual, informou a empresa com exclusividade à Fortune. Embora o dado cubra apenas um mês, ele se soma a um crescimento de cerca de 30% registrado no segmento de dobráveis no ano passado, mesmo com os preços mais altos dos novos aparelhos devido aos custos de memória.
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“A resposta aos dobráveis tem sido extraordinária”, afirmou Dave Das, executivo sênior da Samsung, em entrevista à Fortune.
Segundo Das, vice-presidente executivo da divisão Mobile Experience da Samsung Electronics America, os aparelhos dobráveis atraem novos consumidores curiosos pela tecnologia e também fazem com que usuários já convertidos ao formato troquem de aparelho com mais frequência. A dinâmica lembra os primeiros anos dos smartphones, quando cada nova geração de dispositivos despertava uma onda de interesse e atualizações.

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A inovação em cada nova geração de dobráveis é muito mais perceptível do que nos smartphones tradicionais, afirma Das.
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“Se você olhar para o formato tradicional de barra, é muito menos visível para o consumidor o que mudou de um ano para outro”, disse. “Já nos dobráveis, é possível perceber claramente como eles ficaram mais finos, mais leves. À primeira vista, dá para notar que aquele aparelho é diferente do que a pessoa tem há um ou dois anos.”
Além disso, o número de novos clientes da Samsung que anteriormente utilizavam smartphones de marcas concorrentes é 25% maior entre os dobráveis do que nos aparelhos convencionais. Segundo Das, uma parcela relevante desses consumidores está migrando até mesmo do ecossistema da Apple para o Android para ter acesso a um celular dobrável.
“Isso ajuda os consumidores a superarem suas preocupações ou até mesmo o receio de trocar de sistema operacional”, afirmou.
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Os smartphones dobráveis abrem e fecham como um livro, revelando uma tela interna que praticamente dobra de tamanho, tornando o dispositivo ideal para assistir a vídeos ou trabalhar. Fechado, o aparelho oferece uma tela externa menor para acesso rápido a aplicativos e funções principais. Empresas como Samsung, Motorola, Huawei e Google fabricam modelos desse tipo, com telas internas que variam de cerca de 5 a mais de 8 polegadas.
Embora a maior parte das vendas da Samsung ainda venha de smartphones convencionais, como o Galaxy S26, a categoria de dobráveis cresce em um ritmo muito mais acelerado e já representa uma parcela significativa do negócio. Ainda assim, trata-se claramente de um segmento premium: os dobráveis da Samsung partem de US$ 1.200, enquanto o modelo mais sofisticado custa US$ 2.100. O futuro iPhone dobrável da Apple também deverá custar pelo menos US$ 2.100.
Segundo a Counterpoint Research, os smartphones dobráveis representaram menos de 2% do mercado global de celulares em unidades vendidas no ano passado, embora a participação deva avançar nos próximos anos, especialmente com a entrada da Apple.
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A disputa pelo modelo “passaporte”
A Samsung foi pioneira no mercado ao lançar o Galaxy Fold em 2019. Como primeira empresa a apostar na categoria, passou por um processo de aprendizado público e por vezes turbulento. O modelo inicial apresentou problemas técnicos na dobradiça e na tela dobrável, recebendo críticas severas.
Nos anos seguintes, porém, a companhia fez avanços importantes. Avaliações dos modelos mais recentes descrevem o vinco da tela como quase imperceptível e elogiam a qualidade de construção e a durabilidade dos aparelhos.
“Chegamos a um ponto em que a única limitação para tornar os dispositivos ainda mais finos é a própria porta USB-C”, disse Das.
Essa experiência acumulada é justamente uma das apostas da Samsung para enfrentar a chegada da Apple. Em 2025, a companhia liderou o mercado global de dobráveis com participação de 40%, seguida pela Huawei, com 30%, segundo a Counterpoint Research.
Em julho, a Samsung apresentou novas versões de seus modelos dobráveis e lançou um aparelho inédito com dimensões semelhantes às de um passaporte. O dispositivo deverá ser o concorrente mais próximo do futuro “iPhone Ultra” dobrável da Apple, que também teria tamanho semelhante ao de um passaporte.
Embora esteja à venda há apenas cerca de um mês, os primeiros sinais indicam que o aparelho vem sendo bem recebido pelos consumidores.
Segundo Das, 40% das vendas de dobráveis da Samsung correspondem ao novo Galaxy Z Fold 8 no formato passaporte, enquanto outros 40% vêm do modelo premium Z Fold Ultra 8. O primeiro tem atraído usuários interessados em consumo de conteúdo, como vídeos, enquanto o segundo é mais procurado por consumidores focados em produtividade. Já o Z Flip 8, voltado principalmente para foto e vídeo, representa os 20% restantes.
“Ao longo dos últimos sete anos aprendemos muito sobre o que os consumidores querem e sobre a forma como utilizam esses dispositivos”, disse Das. “Há um público claramente orientado à produtividade, outro focado no consumo de conteúdo e um terceiro interessado na criação de conteúdo.”
Para a Apple, que obtém aproximadamente metade de sua receita com o iPhone, estimular a troca de aparelhos é essencial. Embora as vendas do iPhone tenham crescido 21% no trimestre mais recente, a empresa enfrentou desaceleração significativa nos últimos anos, chegando a registrar queda de vendas em alguns períodos.
O lançamento da nova geração de iPhones ocorre justamente quando John Ternus assume o cargo de CEO da companhia, substituindo Tim Cook.
A longa experiência de Ternus com hardware o torna uma figura adequada para liderar a estreia de um novo formato de iPhone, que envolve um design naturalmente complexo. A grande questão é se a Apple precisará atravessar a mesma curva de aprendizado enfrentada pela Samsung ou se sua entrada tardia permitirá aproveitar parte das lições aprendidas pela concorrente.
De qualquer forma, Dave Das afirma estar preparado para a disputa.
“Quando os consumidores compararem os dois produtos, verão claramente as vantagens que a Samsung construiu ao longo de anos de experiência e propriedade intelectual”, disse.
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