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Quem está por trás da alta da Bolsa? Estrangeiro volta às compras em setembro

Capital externo soma R$ 3,9 bilhões nos três primeiros pregões do mês, enquanto Ibovespa avança 6% em setembro; juros, eleição e commodities entram na conta

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O investidor estrangeiro voltou à ponta compradora da Bolsa brasileira. Nos três primeiros pregões de setembro, o saldo de capital externo na B3 ficou positivo em R$ 3,9 bilhões. Apenas no dia 3, a entrada líquida foi de R$ 1,7 bilhão.

O movimento ocorre em meio a uma nova alta do Ibovespa. Nesta terça-feira (8), o índice subiu 1,20%, aos 187.366 pontos. Em setembro, acumula avanço de cerca de 5,6%; no ano, sobe 16,29% e, em 12 meses, 31,36%.

No acumulado de 2026, os estrangeiros mantêm saldo positivo de R$ 22,2 bilhões na B3.

A fotografia contrasta com agosto, quando houve saída líquida de R$ 18,1 bilhões de capital estrangeiro. O saldo chegou a ficar ainda mais negativo: em 20 de agosto, as retiradas acumuladas somavam R$ 23,20 bilhões. Até o fim do mês, houve uma melhora de cerca de R$ 5,1 bilhões.

O Bank of America (BofA) calcula cerca de R$ 6 bilhões em entradas em ações brasileiras ao longo de dez dias, revertendo parcialmente aproximadamente R$ 20 bilhões de saídas registradas nos três meses anteriores.

Estrangeiro compra enquanto investidores locais vendem

O início de setembro também mostra movimentos opostos entre os diferentes grupos de investidores.

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Enquanto os estrangeiros acumulam entrada de R$ 3,9 bilhões, os investidores institucionais registram saída de R$ 1,6 bilhão. Entre as pessoas físicas, a retirada chega a R$ 2 bilhões.

No acumulado do ano, os institucionais apresentam saldo negativo de R$ 30,2 bilhões, enquanto as pessoas físicas mantêm entrada de R$ 4,1 bilhões.

Em agosto, o movimento havia sido diferente: institucionais colocaram R$ 11,39 bilhões na Bolsa e as pessoas físicas, R$ 2,09 bilhões. A volta dos investidores institucionais às compras ocorreu enquanto o estrangeiro ainda encerrava o mês com retirada de recursos.

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Por que o estrangeiro voltou a comprar Bolsa?

A perspectiva para os juros está entre os fatores considerados pelos investidores.

O BofA elevou nesta terça-feira a recomendação para as ações brasileiras de marketweight, posição neutra em relação ao peso de referência, para overweight, exposição acima desse peso.

O banco agora projeta a Selic em 11,25% no fim de 2027, ante estimativa anterior de 12,75%. A avaliação é de que atividade mais fraca e menores riscos inflacionários possam permitir um ciclo mais profundo de cortes.

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Nesse cenário, juros menores podem favorecer a reprecificação das ações. O BofA estima que o Ibovespa, excluídas as companhias de commodities, negocia com desconto de aproximadamente 10% ante sua média histórica. A mudança de recomendação para as ações brasileiras tem justamente a flexibilização monetária como um dos principais argumentos.

Eleição e commodities também entram na conta

Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, avalia que as apostas em uma mudança no cenário político também contribuem para o movimento recente do Ibovespa e para o retorno do investidor externo.

“Não é só o trade eleitoral, mas o petróleo também ajuda”, afirma.

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Nesta terça-feira, a alta das commodities dava suporte a Petrobras e Vale, duas ações de peso relevante no índice.

O BofA acrescenta outros fatores ao movimento, entre eles uma menor força relativa do trade de inteligência artificial no exterior e sinais de short covering, quando investidores recompram ações para encerrar posições vendidas.

Onde o dinheiro estrangeiro entra primeiro?

A volta dos recursos externos não significa necessariamente que as ações mais descontadas sejam as primeiras a receber esse dinheiro.

A liquidez pesa na decisão dos grandes gestores. “Quando o estrangeiro entra, ele entra nas ações mais líquidas”, afirma Rafael Perretti, economista e analista da Clear.

Fundos internacionais precisam conseguir montar e desmontar posições relevantes. Por isso, Perretti cita mineração, petróleo, bancos e energia entre os setores que podem receber recursos em um primeiro momento.

Nos primeiros pregões de setembro, Vale (VALE3) acumulava alta superior a 2,6%, Petrobras ON (PETR3) avançava 5,7% e Petrobras PN (PETR4) subia cerca de 7%. Entre os bancos, Banco do Brasil (BBAS3) ganhava 10,7%, Itaú (ITUB4), 7,9%, e Bradesco PN (BBDC4), 6,7%.

As altas não podem ser atribuídas exclusivamente ao fluxo estrangeiro. Juros, eleição, commodities e fatores específicos de cada companhia também influenciam as cotações.

A preferência dos gestores vai ainda além da liquidez. Nas conversas acompanhadas pelo Itaú BBA, aparecem utilities e infraestrutura, empresas sensíveis à queda dos juros, exportadoras, companhias ligadas ao câmbio e construtoras de baixa renda. Há maior cautela com consumo cíclico e negócios dependentes do crédito.

Fluxo acompanha alta de 6% do Ibovespa em setembro

A retomada das compras ocorre em meio a uma recuperação rápida do índice.

O Ibovespa fechou 19 de agosto aos 167.830 pontos e terminou o mês aos 177.418 pontos, alta de aproximadamente 5,7% no período.

Em setembro, o movimento continuou. No dia 2, o índice fechou aos 185.205 pontos, completando 11 pregões consecutivos de alta e voltando a colocar os 200 mil pontos no radar.

(Com Estadão Conteúdo)

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Rodrigo Petry
Mercados | Economia | Onde Investir

Coordenador de Projetos Editoriais. Atuou como editor de mercados e investimentos no InfoMoney, liderando o Ao Vivo da Bolsa e o IM Trader. Antes, foi editor-chefe do portal euqueroinvestir, repórter do Broadcast (Grupo Estado) e revista Capital Aberto. Também foi Gestor de Relações com a Mídia do ex-Grupo Máquina e assessor parlamentar.

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Camille Bocanegra
Mercados | Mundo | Onde Investir

Camille é jornalista do InfoMoney e atua como repórter de mercados e do Ibovespa Ao Vivo, cobrindo ações brasileiras e internacionais, além de acompanhar o mercado de câmbio. Antes disso, trabalhou na divisão editorial do Research da XP e possui graduação em Direito.