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O petróleo encontrado pela Petrobras (PETR4) na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, pode ter uma característica que aumenta seu potencial comercial: ser um óleo leve. As primeiras análises das amostras retiradas do poço Morpho indicam um grau API entre 35 e 40, segundo uma fonte do setor com conhecimento dos testes realizados pela estatal. Quanto maior o API, mais leve é o petróleo e, em geral, maior tende a ser seu valor para as refinarias.
A Petrobras ainda não concluiu a caracterização do óleo. As amostras estão sendo analisadas no Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da companhia (Cenpes), no Rio de Janeiro, e os resultados finais devem ser conhecidos nas próximas semanas. O material percorreu mais de 2 mil quilômetros por via marítima entre a costa do Amapá e o Rio de Janeiro.
Ao visitar a operação da Petrobras no Amapá, no mês passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou atenção para a aparência do óleo e afirmou que o teste seria promissor.
— Parece que está refinado já de tão leve. Temos a chance de ter um petróleo muito chique — disse Lula em coletiva de imprensa.
Mas o que significa, afinal, ter um petróleo “chique”? Na indústria, o grau API é uma escala usada para medir a densidade do petróleo bruto. A lógica é inversa à da densidade. Quanto maior o número, mais leve é o óleo. E um petróleo mais leve tende a exigir menos processamento para ser transformado em derivados como gasolina, diesel e querosene de aviação.
Se o resultado preliminar da Petrobras for confirmado, o óleo encontrado no poço Morpho estará entre os mais leves já descobertos no Brasil e terá um grau API semelhante ao de petróleos produzidos na Guiana.
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Os principais tipos de petróleo produzidos pela ExxonMobil na Guiana apresentam API entre cerca de 32° e 34°. O campo de Liza, por exemplo, tem API de 31,9°, enquanto o poço exploratório Unity Gold apresenta API de 34°, segundo dados da ExxonMobil.
No Brasil, a diferença também ajuda a dimensionar o resultado. O petróleo de Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos e maior campo produtor do país, tem API em torno de 28°. Búzios fica perto de 28,5°, enquanto Mero apresenta entre 29° e 30°, dependendo da corrente analisada.
Já óleos como o de Marlim, no pós-sal da Bacia de Campos, com API entre aproximadamente 20° e 23°, e o de Jubarte, de cerca de 17°, são considerados mais pesados.
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Não é só o API
Mas o grau API não determina sozinho a qualidade de um petróleo ou quanto vale seu barril. O teor de enxofre, a acidez, a composição química e o perfil de destilação também interferem na avaliação feita pelas refinarias e pelo mercado.
Tupi, por exemplo, apresenta cerca de 0,26% a 0,37% de teor de enxofre, Búzios fica na faixa de 0,31% a 0,33% e Mero em aproximadamente 0,30% a 0,31%, dependendo da corrente analisada. Isso significa que importantes campos do pré-sal brasileiro também produzem o chamado petróleo doce.
Além disso, não existe um petróleo ideal para todas as refinarias. Cada unidade é projetada para processar determinadas características de óleo.
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No Brasil, as refinarias foram tradicionalmente preparadas para petróleo mais pesado da Bacia de Campos. Com a descoberta do pré-sal, passaram por ajustes para se adaptar a um petróleo mais leve. Além disso, a Petrobras importa petróleo justamente para equilibrar as misturas do óleo.
Por isso, geólogos lembram que, se o petróleo da Bacia da Foz do Amazonas seguir as características da Guiana, e apresentar um API na casa dos 30° ou acima, estará em uma faixa semelhante à de importantes petróleos do pré-sal brasileiro e próxima das principais correntes produzidas atualmente na Guiana.
Por que as amostras foram levadas de navio?
As amostras retiradas do poço Morpho foram transportadas em condições controladas para preservar as características originais do óleo e permitir uma avaliação detalhada de sua densidade, composição e potencial comercial. Por esse motivo, o material não pôde ser transportado por via aérea.
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A análise realizada no Cenpes ainda precisa confirmar não apenas o grau API, mas também outras características físico-químicas importantes para determinar como esse petróleo poderá ser processado e qual será seu valor comercial.
Petrobras amplia exploração na região
A Petrobras recebeu o aval do Ibama na sexta-feira para perfurar mais três poços no bloco FZA-M-59 na Bacia da Foz do Amazonas. Além disso, está em andamento o processo de licenciamento em outros blocos, como 57, 86, 88, 125 e 127. Todos esses seis blocos foram arrematados na 11ª Rodada de Licitações da ANP, em 2013.
Em junho do ano passado, a estatal adquiriu ainda 10 blocos na Bacia da Foz do Amazonas no 5º Ciclo de Oferta Permanente, todos em parceria com a Exxon, mas vai operar apenas cinco.

