Publicidade
O Itaú BBA elevou a recomendação para as ações da XP Inc. (XPBR31) de market perform (desempenho em linha com o mercado) para outperform (desempenho acima do mercado) e estabeleceu um novo preço-alvo de US$ 22 para o fim de 2027. O alvo anterior era de US$ 19 para o fim de 2026.
Segundo o relatório, o banco elevou em 8% sua estimativa de lucro para 2026 e em 1% a projeção para 2027. A revisão vem principalmente de um desempenho melhor do que o esperado nos custos e de uma carga tributária menor, enquanto as previsões para a receita bruta ficaram praticamente inalteradas.
Com isso, o BBA espera crescimento de 11% do lucro por ação (EPS) em 2026, já considerando o impacto das recompras de ações. O lucro líquido deve avançar 7,7% neste ano e outros 7,4% em 2027.
Além dos resultados, dividendos e recompras de ações entram na conta da revisão, de acordo com o documento. O Itaú BBA estima que a XP possa devolver aos acionistas, por meio desses dois mecanismos, um valor equivalente a 11,4% de seu valor de mercado em 2026 e 8,4% em 2027.
Na visão dos analistas, essa combinação entre valuation, crescimento dos lucros e distribuição de capital ajuda a sustentar o potencial de retorno enquanto uma recuperação mais consistente do mercado não chega.
XP pode se beneficiar de uma mudança no cenário de juros
A melhora das estimativas, porém, explica apenas parte do upgrade. O segundo pilar da recomendação está no posicionamento da XP diante dos possíveis cenários para a economia brasileira e, principalmente, para os juros.
Segundo o Itaú BBA, investidores vêm procurando empresas que apresentem menor risco para os lucros em caso de enfraquecimento do PIB — seja por uma desaceleração natural da economia ou por um eventual ajuste fiscal —, mas que, ao mesmo tempo, possam se beneficiar de uma mudança mais favorável na trajetória dos juros.
Nesse cenário, o banco considera as empresas ligadas ao mercado de capitais uma maneira mais direta de se expor a essa tese do que os bancos tradicionais.
Se a curva de juros perder inclinação, por exemplo, os múltiplos das empresas de mercado de capitais poderiam ser reavaliados para cima. Os bancos também tenderiam a se beneficiar, mas carregariam um risco maior de pressão sobre os resultados caso o movimento viesse acompanhado de desaceleração da economia.
Continua depois da publicidade
Para o BBA, a XP está relativamente bem posicionada para esse ambiente, especialmente depois de ganhar maior previsibilidade sobre seus resultados de curto prazo.
Entre as três empresas ligadas ao mercado de capitais acompanhadas pelo banco, a XP é negociada aos menores múltiplos: 8,3 vezes o lucro estimado para 2026 e 7,7 vezes para 2027. Desde 2023, a média desse múltiplo para a companhia é de 10,6 vezes.
Custos e impostos fazem a diferença
O Itaú BBA manteve praticamente inalterada sua estimativa de receita bruta da XP para 2026, em R$ 20,8 bilhões. Para 2027, a projeção foi reduzida em 2%, para R$ 23,5 bilhões.
Continua depois da publicidade
A expectativa de melhora em Corporate & Issuer Services — área ligada aos serviços prestados a empresas e emissores — e no segmento institucional compensa parcialmente a redução de 5% nas projeções para renda fixa.
A principal revisão ocorreu nas despesas. As comissões pagas aos IFAs (Independent Financial Advisors, ou assessores financeiros independentes), como o banco se refere a esses profissionais, vêm ficando abaixo das premissas anteriores.
O BBA também passou a projetar que a relação entre despesas de remuneração e receitas permaneça relativamente estável, em vez de aumentar à medida que a base de assessoria se expande. A estimativa está em linha com a indicação da própria XP de que seu índice de eficiência deve permanecer praticamente estável em 2026 e 2027.
Continua depois da publicidade
Conforme o relatório, o banco reduziu em 2,5% suas estimativas de custos e em 1,4% as projeções de despesas gerais e administrativas. Com isso, elevou em 5% a previsão para o lucro antes dos impostos.
A expectativa de uma carga tributária menor também contribuiu para a revisão. A projeção de lucro líquido para 2026 foi elevada em 8%, para R$ 5,6 bilhões.
O valor representa crescimento de 7,7% na comparação anual. Considerando também o efeito das recompras de ações, o BBA estima avanço de 11% no lucro por ação.
Continua depois da publicidade
Segundo o banco, essas projeções têm como base estimativas de receita consideradas conservadoras.
Mercado de capitais mostra sinais de recuperação
O Itaú BBA também aponta uma recuperação recente em algumas atividades do mercado de capitais que podem contribuir para as receitas da XP.
No mercado primário, o volume de emissões voltou a acelerar após a fraqueza observada em abril e maio, alcançando R$ 78,9 bilhões em junho e R$ 67,9 bilhões em julho.
As emissões de debêntures chegaram a R$ 33,1 bilhões em julho. O banco também identificou recuperação em produtos que geram receitas para a XP, entre eles os fundos imobiliários.
Durante a apresentação pública dos resultados do segundo trimestre, a administração da XP informou que a atividade do mercado primário no terceiro trimestre vinha acima dos níveis registrados no segundo trimestre, embora ainda abaixo do pico de 2025.
Com esse cenário, o Itaú BBA elevou para R$ 3,2 bilhões sua projeção para as receitas de Corporate & Issuer Services em 2026, alta de 16% na comparação anual.
O relatório também destaca a retomada dos fluxos para fundos de renda fixa investment grade. Após quatro meses de resgates líquidos, esses produtos registraram entrada de R$ 5 bilhões em julho e de quase R$ 14 bilhões em agosto até a data considerada no levantamento.
Segundo o BBA, os spreads permanecem controlados desde junho.
Volume na Bolsa melhora em agosto
No mercado secundário, os indicadores ainda apresentam sinais mistos. O volume financeiro médio diário negociado na B3 recuou para R$ 22,6 bilhões em julho, enquanto o giro relativo dos investidores de varejo correspondeu a 78% da média dos 12 meses anteriores.
O Itaú BBA destaca, porém, que nos anos eleitorais de 2014, 2018 e 2022 houve uma aceleração significativa da atividade dos investidores de varejo entre setembro e outubro.
Os dados mais recentes utilizados pelo banco também mostram recuperação dos volumes. Em agosto, a média negociada na Bolsa estava próxima de R$ 30 bilhões.
Segundo estimativas do BBA, a XP captura aproximadamente 40% a 50% dos volumes negociados pelo varejo.
Nesse cenário, o banco projeta cerca de R$ 200 milhões adicionais em receitas de ações e do segmento institucional no segundo semestre de 2026 em relação ao primeiro semestre.
Dividendos e recompras entram na projeção de retorno
A avaliação do Itaú BBA também considera os múltiplos de negociação e a expectativa de distribuição de capital pela XP.
A companhia negocia a 8,3 vezes o lucro estimado para 2026 e a 7,7 vezes para 2027, abaixo da média de 10,6 vezes registrada desde 2023. O banco projeta ainda retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 23,1% em 2026.
Para este ano, a estimativa é de que dividendos e recompras correspondam, juntos, a 11,4% do valor de mercado da companhia.
Ao combinar essa distribuição com o crescimento projetado de 11% do lucro por ação, o BBA calcula um retorno total potencial na casa dos 20% em 2026, mesmo sem considerar uma expansão dos múltiplos das ações.
Para 2027, com uma distribuição projetada equivalente a 8,4% do valor de mercado, o retorno total estimado fica na faixa intermediária de dois dígitos.
Na avaliação dos analistas, parte relevante dos riscos identificados já pode estar refletida no preço atual das ações.
Entre os potenciais catalisadores citados pelo relatório estão uma maior atividade dos investidores de varejo durante o período eleitoral e um eventual achatamento da curva de juros.
O Itaú BBA ressalta, contudo, que o momento e a intensidade desses movimentos permanecem incertos.
