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A aplicação da inteligência artificial no mundo físico é a próxima fronteira da tecnologia e, no Vale do Silício, não se fala em outra coisa. Por isso, não chega a surpreender que o novo fundo da Andreessen Horowitz (a16z) tenha chegado justamente para acelerar as soluções nesse segmento. O veículo, chamado de Machine Age Fund, levantou US$ 1,1 bilhão para investir de data centers e robótica a dispositivos domésticos com IA.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (28) por Ben Horowitz, Martin Casado, Raghu Raghuram, David Ulevitch e David George, sócios da a16z. A tese é que a inteligência artificial está entrando em uma nova fase: depois de conquistar o chat, o raciocínio, a programação e outras tarefas de conhecimento, ela agora precisa ganhar infraestrutura. E, literalmente, ocupar espaço no mundo real.
O Machine Age Fund vai investir em toda a infraestrutura computacional necessária para fazer a IA funcionar, incluindo chips, memória, redes e armazenamento.
A crise da infraestrutura
Segundo a a16z, a infraestrutura atual está esbarrando tanto nos limites da cadeia de suprimentos quanto nos limites da própria física e da ciência da computação. É aí que entra a aposta do fundo: reimaginar a infraestrutura necessária para a próxima geração da computação, chegando até a camada de eletricidade.
Um dos exemplos apresentados pela gestora é o salto na densidade computacional. Entre racks equipados com Nvidia H100 e a próxima geração baseada em Rubin, a densidade de computação por rack aumentou 28 vezes. Ao mesmo tempo, a comunicação dentro dos racks está chegando aos limites dos cabos de cobre.
A demanda por energia também está mudando de escala. Segundo a a16z, racks que antes consumiam algo entre 5 kW e 10 kW passaram para uma faixa de aproximadamente 100 kW a 250 kW nos sistemas atuais, com expectativa de chegar a 1 MW por rack nos próximos três anos. Os data centers, por sua vez, estão saindo de estruturas de dezenas de megawatts para instalações de centenas de megawatts e, em alguns casos, campi na escala de gigawatts.
Ou seja, para a tradicional gestora do Vale do Silício, o futuro da IA aparentemente também será decidido por quem conseguir encontrar energia, resfriamento, materiais, terrenos e equipamentos elétricos suficientes para fazê-la funcionar.
Do software para as máquinas
A mudança é relevante para uma gestora que construiu boa parte de sua reputação investindo em software. A própria a16z reconhece isso no anúncio, mas argumenta que sempre acompanhou hardware e que, nos últimos anos, passou a ver um crescimento significativo no fluxo de negócios nessa área.
A gestora diz que startups de hardware já representam mais de 20% do deal flow observado pela firma. Entre as empresas apoiadas recentemente estão Unconventional AI, Nexthop, Volta, Atoms, Heron Power e Mind Robotics. A a16z também cita investimentos anteriores em empresas como Skydio, SpaceX, Anduril e Waymo.
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“Estamos animados para tornar hardware uma frente oficial da a16z e anunciar o Machine Age Fund para apoiar essa iniciativa. A máquina de go-to-market (GTM), talentos e marketing que construímos na a16z agora está pronta para atender fundadores de hardware. E a rede da a16z tem acesso excepcional a clientes, fornecedores e todos os demais atores relevantes para uma nova era de reinvenção do hardware”, diz o comunicado.
Depois de anos em que o mantra do Vale do Silício era “software is eating the world”, o nome do novo fundo da a16z decreta o início de uma nova era, no qual as máquinas, ou a chamada IA física, será a protagonista.
Conteúdo produzido por Startups.com.br