Da tecnologia à moda: quem é Sky Xu, o bilionário discreto por trás da Shein

Fundador da varejista construiu trajetória longe da moda e agora ganha visibilidade com o avanço do IPO em Hong Kong

arrow_forwardMais sobre

Durante anos, Xu Yangtian manteve um perfil tão reservado que seu rosto era pouco conhecido até dentro da própria Shein. Nos últimos meses, o fundador da varejista passou a aparecer mais em público e a se aproximar de autoridades chinesas, em meio aos esforços da companhia para avançar com sua abertura de capital em Hong Kong. A exposição chama ainda mais atenção porque Xu não construiu sua carreira na moda ou no varejo: sua origem profissional está na tecnologia.

Em julho de 2026, a Shein recebeu autorização da China para seguir com seu IPO em Hong Kong, encerrando cerca de um ano de espera pela decisão. O sinal verde veio depois de tentativas frustradas de listar a companhia nas bolsas de Nova York e Londres e abriu caminho para uma das maiores ofertas de ações previstas para este ano na bolsa de Hong Kong.

A expectativa em torno da estreia passa também pelo valuation da varejista. Segundo fontes, a Shein teria sido avaliada em US$ 26,5 bilhões, bem abaixo dos US$ 98,2 bilhões alcançados em 2022 e dos US$ 64 bilhões registrados em 2023 e 2024.

Quem é Sky Xu

Xu Yangtian nasceu em 1984, em Zibo, na província de Shandong, no leste da China. Em 2007, formou-se em comércio internacional pela Qingdao University of Technology.

Ao longo da trajetória, o empresário ficou conhecido também pelos nomes Chris Xu e Sky Xu. Chris foi o primeiro nome em inglês escolhido por ele, mas depois Xu passou a usar Sky por considerá-lo mais distintivo. O nome deriva de um dos caracteres de Xu Yangtian.

Depois da universidade, Xu iniciou a carreira em uma empresa que prestava serviços de marketing em mecanismos de busca para exportadores. Foi nesse período que trabalhou com Maggie Gu, Molly Miao e Tony Ren, que mais tarde se tornariam seus sócios na criação da Shein.

Como a experiência digital de Xu moldou a Shein

A experiência com marketing em mecanismos de busca colocou Xu em contato com empresas chinesas interessadas em vender para consumidores de outros países. Antes de entrar na moda, ele já trabalhava com um dos pontos centrais do comércio digital: entender como os produtos eram encontrados na internet e como atrair compradores fora da China.

Em 2008, Xu e seus futuros sócios criaram uma empresa voltada ao comércio eletrônico internacional. O negócio passou por diferentes fases até concentrar sua atuação em moda feminina e adotar o nome Shein anos depois.

A origem de Xu na tecnologia ajudou a diferenciar a empresa de varejistas tradicionais. Em vez de partir principalmente de grandes coleções definidas com antecedência, a Shein desenvolveu um modelo apoiado em dados sobre buscas, navegação e comportamento de consumo para identificar tendências e testar produtos em pequenos lotes.

Essa lógica permitiu reduzir o intervalo entre a identificação de uma tendência e a chegada de novas peças ao site. A companhia também conectou fornecedores a sistemas digitais que ajudam a acompanhar pedidos e ajustar a produção conforme a procura.

Quando Sky Xu começou a aparecer

À medida que a Shein ganhava projeção internacional, Xu seguia na direção oposta. O fundador evitou entrevistas, aparições públicas e exposição da vida pessoal, mesmo depois de entrar para o grupo dos empresários mais ricos da China.

Durante anos, havia poucas fotos públicas de Xu, e sua imagem era pouco conhecida até entre os funcionários da companhia. Fora dos negócios, um dos poucos interesses pessoais conhecidos é o colecionismo de moedas antigas. Uma fonte do setor que o conhece há anos o descreveu à Reuters como paciente, modesto e pragmático, e afirmou que ele está entre os colecionadores mais ativos desse tipo de peça na China.

Essa discrição começou a dar lugar a uma exposição maior em meio às tentativas de abertura de capital. Depois de buscar uma listagem em Nova York e Londres, a companhia voltou-se para Hong Kong e precisou estreitar a relação com autoridades chinesas para avançar com a operação.

Em fevereiro de 2026, Xu fez uma rara aparição pública durante uma conferência organizada pelo governo da província de Guangdong. Em seu discurso, destacou os vínculos da Shein com a região, onde está concentrada uma parte importante de sua rede de fornecedores, e anunciou investimentos de mais de 10 bilhões de yuans nos cinco anos seguintes.

Os recursos serão destinados principalmente à cadeia de suprimentos da companhia, incluindo investimentos em tecnologia e infraestrutura para fornecedores. A aproximação ocorre depois de anos em que a Shein buscou reforçar seu perfil internacional. Em 2022, a empresa transferiu sua sede para Singapura, embora grande parte de sua cadeia produtiva permaneça na China.

Segundo a Reuters, Xu também passou a se envolver pessoalmente nas relações da empresa com autoridades e reguladores chineses durante o processo para viabilizar o IPO em Hong Kong.

Fortuna de Sky Xu e os próximos passos com a Shein

A ascensão da Shein colocou Xu entre os empresários mais ricos da China. A Forbes estima sua fortuna em cerca de US$ 6 bilhões em 2026. O patrimônio está diretamente ligado a sua participação na varejista.

A Shein chegou a ser avaliada em US$ 100 bilhões em 2022, quando o crescimento acelerado do comércio eletrônico colocou a companhia entre as startups mais valiosas do mundo. Nas rodadas seguintes, a avaliação caiu para US$ 64 bilhões e, agora, a empresa busca chegar à bolsa de Hong Kong com um valor próximo de US$ 26 bilhões.

A abertura de capital também deve expor mais informações sobre Xu e sua participação na companhia. A Shein pretende vender até 8% de suas ações e pode levantar até US$ 2 bilhões com a operação.

Xu segue à frente da empresa como CEO e permanece envolvido em decisões estratégicas e operacionais. Aos 42 anos, chegará à estreia da Shein na bolsa depois de quase duas décadas à frente do negócio que começou no comércio eletrônico chinês e ganhou escala global.