Eleições podem impulsionar B3, mas saída de estrangeiros preocupa, diz UBS-BB

O banco manteve recomendação de compra para as ações da operadora da bolsa brasileira e preço-alvo de R$ 18,50

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A aproximação das eleições presidenciais no Brasil pode impulsionar os volumes negociados na B3 (B3SA3) nos próximos meses, compensando parcialmente a desaceleração observada no segundo trimestre e em julho. Essa é a avaliação do UBS-BB, que manteve recomendação de compra para as ações da operadora da bolsa brasileira e preço-alvo de R$ 18,50.

Em relatório de atualização após a divulgação dos resultados do segundo trimestre e dos números operacionais de julho, o banco destacou que o ambiente para o mercado de capitais brasileiro continua marcado por incertezas, especialmente em razão da perda de tração dos fluxos estrangeiros para o país.

Segundo o UBS-BB, os dados de julho mostraram enfraquecimento da atividade de negociação na bolsa. O volume médio diário negociado (ADTV) ficou em R$ 22,6 bilhões, uma queda de 24% em relação ao mês anterior. Para os analistas, parte desse comportamento foi influenciada pelo período de férias em importantes mercados internacionais.

Apesar disso, o banco observa sinais de recuperação ao longo de agosto. O relatório aponta que o ADTV acumulado no mês alcançava R$ 31,2 bilhões até o momento da publicação do estudo, indicando melhora em relação ao desempenho de julho.

“Acreditamos que a atividade de negociação pode continuar se recuperando no curto prazo à medida que o ciclo eleitoral se aproxima, com os números de agosto se mostrando mais encorajadores”, dizem os analistas.

O banco destaca que os períodos eleitorais no Brasil historicamente costumam ser acompanhados por maior volatilidade nos mercados financeiros. Esse aumento das oscilações tende a elevar o interesse dos investidores e, consequentemente, os volumes de negociação na bolsa.

Ao analisar os três ciclos eleitorais anteriores, o UBS-BB identificou um avanço relevante da atividade de mercado durante o segundo semestre, especialmente entre o terceiro e o quarto trimestres. Com base nesse histórico, o banco incorporou em suas projeções uma recuperação dos volumes negociados pela B3 ao longo do restante do ano.

As estimativas do UBS apontam para um ADTV de R$ 28,4 bilhões no terceiro trimestre de 2026 e de R$ 31,1 bilhões no quarto trimestre, níveis superiores aos observados em julho.

Ainda assim, a instituição chama atenção para a continuidade das saídas de recursos estrangeiros da bolsa brasileira. De acordo com o relatório, os investidores internacionais registraram retirada líquida de R$ 21 bilhões em agosto até o momento da elaboração da análise.

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Diante desse cenário, o UBS-BB reduziu em 6% suas projeções de ADTV para 2027 e 2028. Segundo o banco, a revisão reflete a persistência dos fluxos negativos de estrangeiros, embora o cenário-base ainda considere crescimento dos volumes negociados nos próximos anos.

“Reconhecemos que 2027 e 2028 permanecem uma incógnita para o mercado de capitais brasileiro, com as perspectivas dependendo amplamente da evolução do ambiente macroeconômico”, afirmaram os analistas. O banco também reduziu em cerca de 1% suas estimativas de lucro para 2026 e 2027.

Mesmo com a revisão das projeções, o UBS considera que a avaliação da companhia continua atrativa. O relatório destaca que a ação B3SA3 negocia a aproximadamente 12,5 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, abaixo da média histórica de 14 vezes.

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“Embora a visibilidade sobre os volumes de médio prazo permaneça limitada, acreditamos que a avaliação atual já incorpora parte da incerteza sobre as perspectivas operacionais”, escreveu o banco, reforçando a recomendação de compra e o preço-alvo de R$ 18,50 por ação.

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Camille Bocanegra
Mercados | Investimentos | Mundo

Camille é jornalista do InfoMoney e atua como repórter de mercados e do Ibovespa Ao Vivo, cobrindo ações brasileiras e internacionais, além de acompanhar o mercado de câmbio. Antes disso, trabalhou na divisão editorial do Research da XP e possui graduação em Direito.