Eleições: Morgan Stanley adota postura mais defensiva para ações brasileiras

Segundo afirmou o banco em relatório, o ambiente para 2027 se tornou mais desafiador, levando a instituição a revisar parcialmente suas preferências setoriais

Ativos mencionados na matéria

Publicidade

O Morgan Stanley afirmou estar adotando uma postura mais defensiva em relação ao mercado acionário brasileiro diante da aproximação das eleições presidenciais de outubro e do aumento das incertezas relacionadas ao cenário econômico e político.

Segundo afirmou o banco em relatório, o ambiente para 2027 se tornou mais desafiador, levando a instituição a revisar parcialmente suas preferências setoriais.

A casa destacou que continua com recomendação de overweight (sobrepeso, equivalente a compra) para os setores de serviços financeiros, aeroespacial, agricultura e energia.

Em contrapartida, mantém uma visão underweight (menos peso, equivalente a compra) para transporte, bebidas, bancos e varejo, refletindo a avaliação de que alguns segmentos domésticos podem enfrentar pressões maiores em um contexto de desaceleração econômica.

De acordo com o Morgan Stanley, a decisão de adotar uma estratégia mais cautelosa não representa uma aposta em um resultado específico para as eleições do quarto trimestre de 2026. Em vez disso, o banco avalia que o perfil de risco para os setores mais expostos ao mercado interno se tornou mais assimétrico à medida que o crescimento perde força e aumenta a probabilidade de continuidade das políticas atuais.

Nesse contexto, a casa acredita que o cenário macroeconômico brasileiro tende a se tornar mais complexo ao longo dos próximos meses. A combinação de atividade mais fraca, preocupações persistentes com a trajetória fiscal e maior incerteza sobre a direção das políticas econômicas amplia os riscos para os lucros corporativos e para a economia doméstica.

Para lidar com esse ambiente, o Morgan Stanley afirma adotar uma estratégia de “barbell” (barra com pesos nos dois lados, em português), buscando equilibrar a carteira entre empresas com receitas em dólar e companhias mais ligadas ao mercado doméstico. Na avaliação do banco, as exportadoras e geradoras de receita em moeda americana tendem a se beneficiar caso haja continuidade das políticas vigentes.

Por outro lado, as empresas voltadas ao mercado interno poderiam apresentar melhor desempenho caso ocorra uma mudança de orientação política após as eleições. Dessa forma, o banco busca manter exposição a ambos os cenários, reduzindo o risco de concentração em uma única tese de investimento.

Ajuste fiscal

As preocupações com o fiscal não ficaram de fora da avaliação do banco. Segundo o Morgan Stanley, a consolidação fiscal é um elemento central para criar espaço para taxas de juros mais baixas e para sustentar um ciclo de crescimento mais duradouro.

Continua depois da publicidade

Na visão da instituição, esse ajuste seria significativamente mais simples em um ambiente marcado por maior disciplina fiscal e crescimento econômico mais robusto. No entanto, o cenário atual caminha na direção oposta, com desaceleração da atividade e manutenção das dúvidas em relação às contas públicas.

Diante desse contexto, o banco afirma preferir reduzir exposição à chamada fase final da história de crescimento doméstico do Brasil. Ainda assim, mantém participação seletiva em áreas que podem se beneficiar tanto da expansão global quanto de potenciais mudanças no ambiente de políticas econômicas após o processo eleitoral.

Entre as alterações promovidas na carteira recomendada, o Morgan Stanley informou que aumentou a exposição ao segmento de Transportes e Industriais por meio da WEG. Ao mesmo tempo, reduziu parte de sua posição overweight em serviços financeiros, como B3 (B3SA3), como forma de diminuir riscos antes das eleições.

Continua depois da publicidade

Apesar dessa redução, serviços financeiros continuam sendo o principal setor overweight da instituição. O banco também diminuiu sua exposição ao setor de papel e celulose ao retirar Klabin de sua carteira, concentrando sua aposta no segmento exclusivamente em Suzano.

Por fim, o Morgan Stanley destacou suas principais preferências dentro da cobertura brasileira. Entre elas estão as empresas de serviços financeiros XP e B3; a geradora de energia Axia; as companhias ligadas à digitalização Nubank e Mercado Livre; e as empresas do setor agrícola JBS e SLC Agrícola, vistas pelo banco como nomes capazes de atravessar com maior resiliência o período de incerteza econômica e política.

Tópicos relacionados

Autor avatar
Camille Bocanegra
Mercados | Investimentos | Mundo

Camille é jornalista do InfoMoney e atua como repórter de mercados e do Ibovespa Ao Vivo, cobrindo ações brasileiras e internacionais, além de acompanhar o mercado de câmbio. Antes disso, trabalhou na divisão editorial do Research da XP e possui graduação em Direito.