De fundadores a conselheiros: o que a transição da Finnet nos ensina

A saída dos fundadores da operação mostra como a sucessão pode ser um dos sinais mais importantes de maturidade e perenidade de uma empresa

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Qual é o marco que determina o sucesso absoluto na trajetória de uma empresa?

Para boa parte dos entusiastas de mercado, essa linha de chegada costuma ser associada diretamente a um evento de liquidez: uma rodada de fusões e aquisições (M&A) ou a abertura de capital na bolsa de valores.

Essas conquistas financeiras mudam o patamar de qualquer negócio e, muito provavelmente, o patrimônio de quem o construiu. No entanto, costumo atribuir o ápice do sucesso corporativo também a outro fator menos explorado nas manchetes: a sucessão.

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Para mim, nada atesta melhor o amadurecimento de uma companhia do que o momento de passar o bastão para executivos de mercado mais capacitados e experientes. É a prova prática de que a criatura se tornou maior do que seus próprios criadores.

O peso da transição

Convenhamos, quase todo negócio começa com seus fundadores executando múltiplas funções simultâneas, na maioria das vezes, sem qualquer conhecimento técnico ou até mesmo bagagem para tal função. Eles erram, testam e aprendem “no valendo” o que é necessário para crescer.

É uma fase exaustivamente cruel, voltada à sobrevivência e validação do produto.

Porém, quando a empresa ganha musculatura, a dinâmica muda. Mesmo que os sócios permaneçam por um tempo na linha de frente, institucionalizar a liderança demonstra que a busca por escalabilidade cedeu lugar para a perenidade.

Esse movimento estratégico ilustra o momento atual da Finnet. Fundada em 2003 por Yoshimiti Matsusaki e Marcos Bonfá, a companhia nasceu para resolver e padronizar a comunicação entre grandes corporações e instituições financeiras.

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Ela é, na essência, a infraestrutura tecnológica que permite que o fluxo de caixa, os recebimentos e os pagamentos entre empresas e bancos aconteçam de forma rápida, segura e padronizada.

Em vez de abrir 20 contas em 20 bancos diferentes, por exemplo, a empresa que utiliza a solução da Finnet consegue centralizar e conciliar tudo em um só lugar. Na prática, ela consolida, organiza e facilita as atividades de quem lidera a tesouraria de grandes companhias.

Durante mais de duas décadas, os fundadores conduziram a operação e construíram números expressivos. Hoje, a companhia atende 70 das 100 maiores corporações do país, conecta 120 instituições financeiras, integra 3,2 milhões de CNPJs e já movimentou cerca de R$ 2,1 trilhões.

De fundadores a conselheiros

Com a operação estabilizada nesse patamar, a Finnet executa agora uma reformulação em seu board. No primeiro semestre deste ano, Matsusaki e Bonfá deixaram o dia a dia da operação e assumiram posições no conselho de administração, mudando o olhar do dia a dia para uma estratégia de longo prazo.

Para a cadeira de principal executivo, a empresa trouxe Leo Monte.

Com um histórico focado em inovação, desenvolvimento de negócios e fusões e aquisições — com passagem recente pela Sinqia —, o novo CEO materializa essa passagem de bastão.

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Ao assumir a posição, Monte define o modelo de negócios da companhia com objetividade: “não somos um banco, somos uma infraestrutura”. Na visão dele, a Finnet atua (e deve atuar cada vez mais) como o cérebro financeiro e o motor de crescimento das empresas que atende.

A Reflexão do CEO

O caso da Finnet evidencia que a sucessão não marca o fim da utilidade dos fundadores. Pelo contrário, representa o privilégio de trocar o desgaste da execução diária pelo olhar estratégico de longo prazo.

Portanto, fecho o artigo de hoje com uma provocação hipotética (ou não): se você pudesse contratar qualquer pessoa do mundo, sem restrições de orçamento, quem traria para ser o CEO da sua empresa hoje?


Jornalista, empreendedor, fundador da agência Made In Moon e professor da Link School Of Business