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O apetite por risco dos investidores atendidos por assessores afiliados à XP caiu ao menor nível desde maio de 2023 em agosto, em meio à correção da Bolsa brasileira e ao avanço da incerteza eleitoral. Apenas 10% dos assessores afirmam que os clientes planejam aumentar a alocação em renda variável, queda de 11 pontos percentuais em relação a julho, segundo pesquisa mensal divulgada na terça-feira (25).
Na direção oposta, 17% relatam intenção de reduzir a exposição, alta de 3 pontos percentuais e o maior patamar desde janeiro de 2025. A maior parte, porém, optou por não se mexer: 73% pretendem manter a alocação atual inalterada, avanço de 9 pontos percentuais e a segunda maior leitura de toda a série histórica do levantamento.
O sentimento dos próprios assessores em relação à Bolsa também piorou. Em uma escala de 0 a 10, a nota média recuou de 6,6 em julho para 5,7 em agosto, o nível mais baixo desde janeiro de 2025. A parcela que atribui nota 7 ou superior caiu para 43%, recuo de 16 pontos percentuais, enquanto 44% deram nota 5 ou menos, alta de 20 pontos.
A pesquisa foi realizada entre 7 e 23 de agosto e reuniu 103 respostas de assessores afiliados à XP. O levantamento é assinado por Fernando Ferreira, estrategista-chefe e head do Research da XP, ao lado de Raphael Figueredo, Caio Souza e Antonio Mello.
Projeção para o Ibovespa recua
A estimativa média dos assessores para o Ibovespa no fim de 2026 caiu para 172 mil pontos, ante 184 mil na pesquisa anterior. O número passa a prever queda ante o desempenho atual, após o índice subir na esteira de um dólar mais fraco e, mais recentemente, de um IPCA-15 mais baixo que as projeções. Na manhã desta quarta-feira, o Ibovespa já rondava os 176 mil pontos.
A faixa mais citada passou a ser a de 150 mil a 170 mil pontos, mencionada por 45% dos respondentes, salto de 29 pontos percentuais na comparação mensal. Outros 36% projetam o índice entre 170 mil e 190 mil pontos, recuo de 6 pontos.
O movimento fica mais evidente nos extremos. A parcela que espera o Ibovespa abaixo de 170 mil pontos no fim de 2026 saltou para 50%, alta de 32 pontos percentuais em um mês, enquanto a que projeta o índice acima de 200 mil pontos encolheu para 2%, queda de 11 pontos.
A deterioração acompanha a queda da Bolsa doméstica e a reversão dos fluxos estrangeiros. Segundo a XP, a incerteza eleitoral, o nível dos juros locais e uma temporada de resultados do segundo trimestre mais fraca pesaram sobre os ativos brasileiros, com o Ibovespa acumulando perda de 3,9% em reais em agosto até o dia 25. O indicador proprietário de sentimento da casa está em 3, em uma escala de 0 a 100.
Eleição de 2026 já aparece nas carteiras
A XP repetiu na pesquisa de agosto uma pergunta feita em dezembro de 2025 sobre a influência do cenário eleitoral no posicionamento dos clientes. No total, 63% dos assessores relatam algum grau de impacto nas carteiras, ante 57% oito meses antes.
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A resposta mais frequente, com 33% das menções, aponta que há alguma movimentação, mas ainda sem mudanças significativas de posicionamento. Logo atrás, 30% afirmam que os clientes já se posicionam de forma relevante tendo as eleições em vista, ante 22% em dezembro. A fatia que diz que o pleito ainda não influencia as decisões, mas deve ganhar força nas próximas semanas, caiu de 37% para 28%. Apenas 9% acreditam que as eleições não devem afetar o posicionamento.
O tema também domina a percepção de risco. Riscos fiscais no Brasil seguem como a principal preocupação, citados por 79% dos assessores, alta de 6 pontos percentuais. A instabilidade política e eleitoral vem em segundo, com 71%, avanço de 8 pontos e o maior nível já registrado para esse item na série. Juros mais altos que o esperado no Brasil aparecem em terceiro, com 41%, enquanto riscos geopolíticos e guerra recuaram fortemente, de 31% para 18%.
Coerente com esse diagnóstico, uma mudança de rumo na política econômica assumiu a liderança entre os fatores capazes de elevar o apetite por risco, citada por 67% dos assessores, alta de 8 pontos percentuais. O item superou cortes de juros no Brasil, que recuou para 59%, e queda de juros nos Estados Unidos e no mundo, com 34%.
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Alocação estável e renda fixa ainda dominante
Apesar da piora no sentimento, a alocação efetiva ficou praticamente estável em agosto, com leve migração para as faixas intermediárias. A parcela de assessores cujos clientes mantêm entre 0% e 10% do portfólio em renda variável caiu para 50%, enquanto a faixa de 10% a 25% subiu para 35%. Somadas, as alocações de até 25% respondem por 85% das respostas, em linha com julho.
A renda fixa segue como a classe de ativos mais demandada, ainda que tenha perdido espaço, com o interesse recuando para 77%, queda de 7 pontos percentuais. Fundos de renda fixa ficaram estáveis em 51%, e o interesse em fundos imobiliários avançou para 29%.