Como o pai analfabeto inspirou legado de educação e filantropia de Dolly Parton

Cantora, morta aos 80 anos, criou programas que distribuíram mais de 270 milhões de livros a crianças em vários países
Sydney Lake
Fortune

Dolly Parton destinou sua fortuna a causas filantrópicas ao longo da vida. | Getty Images/Jason Kempin
Dolly Parton destinou sua fortuna a causas filantrópicas ao longo da vida. | Getty Images/Jason Kempin

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Embora não esteja adornado com brilhos e diamantes, o nome de Dolly Parton agora está gravado na entrada do antigo East Tennessee Children’s Hospital, em Knoxville, que neste ano anunciou que seria batizado em homenagem à lendária cantora country.

Parton, nascida em Locust Ridge, Tennessee, EUA, dedicou décadas ao apoio de crianças e famílias em seu estado natal e em diversas partes do mundo. Sua família anunciou nesta terça-feira (25) que a artista morreu aos 80 anos.

O hospital pediátrico sem fins lucrativos, que atende a região há cerca de 90 anos, firmou parceria com a cantora para reforçar sua missão de tratar cada criança “como se fosse da própria família”.

Para Parton, cuja filantropia sempre esteve voltada para saúde, educação e oportunidades para crianças, a homenagem simbolizava um compromisso que começou ainda na infância, observando seu pai, Robert Lee Parton, que nunca aprendeu a ler nem a escrever.

Grande parte das ações filantrópicas de Dolly Parton teve como foco a infância. Ela doou milhões de livros para crianças nos Estados Unidos e em outras partes do mundo.

Em 2022, recebeu a Medalha Carnegie de Filantropia pelo conjunto de sua atuação beneficente.

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“Tudo isso começou porque meu pai não sabia ler nem escrever, e eu vi o quanto isso podia limitar uma pessoa”, disse Parton durante o discurso de agradecimento pela premiação.

“Meu pai era um homem muito inteligente. Muitas vezes me perguntei o que ele poderia ter feito se tivesse aprendido a ler e escrever. Foi daí que veio minha inspiração.”

O que começou como um projeto local de incentivo à leitura tornou-se uma operação global. A Imagination Library, criada por Parton, hoje funciona em milhares de comunidades nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Irlanda e Austrália.

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O programa distribui mais de 3 milhões de livros por mês e já entregou mais de 270 milhões de exemplares desde sua criação.

Ao celebrar a marca de 200 milhões de livros distribuídos, Parton, cuja fortuna era estimada em US$ 450 milhões pela Forbes em 2025, afirmou que ajudar a plantar as “sementes dos sonhos” das crianças por meio dos livros era um dos maiores presentes de sua vida.

Todos os livros são distribuídos gratuitamente, independentemente da renda das famílias.

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“Meu pai era muito inteligente, mas tinha vergonha de não saber ler nem escrever”, contou a Oprah Winfrey em 2020. “Isso o incomodava muito. Ele acreditava que era tarde demais para aprender. Lembro de pensar: ‘preciso fazer alguma coisa’.”

A trajetória filantrópica de décadas de Dolly Parton

Essa preocupação deu origem a uma trajetória filantrópica que se estendeu por quase quatro décadas.

Em 1988, Parton criou a Dollywood Foundation, com o objetivo inicial de reduzir a evasão escolar em seu condado natal. O programa premiava com US$ 500 estudantes que concluíssem o ensino médio.

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Com o tempo, a fundação expandiu suas iniciativas e lançou a Imagination Library, que enviava um livro por mês para cada criança inscrita desde o nascimento até a entrada na escola.

Nos anos 2000, a organização também criou uma bolsa universitária de US$ 15 mil para estudantes do ensino médio que demonstrassem um sonho a perseguir e um plano para realizá-lo.

Em 2007, Dolly Parton ampliou sua atuação para a área da saúde.

Ela realizou um show beneficente que arrecadou US$ 500 mil. Somados aos aportes feitos pela Dollywood e pelo Dixie Stampede, o evento gerou US$ 1 milhão para projetos médicos na região.

O resultado foi a inauguração, em 2010, do LeConte Medical Center, que inclui o Dolly Parton Center for Women’s Services, um centro de atendimento voltado à saúde da mulher.

Nos anos seguintes, a cantora também se destacou em ações de auxílio a vítimas de desastres naturais.

Após incêndios florestais devastarem comunidades do Tennessee, ela criou o People Fund, que oferecia US$ 1 mil por mês durante seis meses para famílias que perderam suas casas.

Em 2016, promoveu uma campanha televisiva que arrecadou mais de US$ 13 milhões para vítimas dos incêndios. Posteriormente, destinou outros US$ 8,9 milhões para famílias afetadas.

Durante a pandemia, Parton doou US$ 1 milhão para a Universidade Vanderbilt, ajudando a financiar pesquisas sobre o coronavírus.

Em 2022, fez uma nova doação de US$ 1 milhão para pesquisas em doenças infecciosas pediátricas.

Ela também beneficiou diretamente os funcionários de seus negócios. Em 2022, a Dollywood anunciou que passaria a cobrir integralmente mensalidades, taxas e livros para qualquer um de seus 11 mil empregados que desejasse continuar os estudos.

Para Dolly Parton, os livros eram muito mais do que educação: eram uma janela para outras possibilidades.

“A única coisa que eu via quando criança eram pessoas pobres usando macacão, sapatos simples e roupas gastas”, contou à publicação literária Chapter 16.

“Mas nos livros eu lia sobre reis e rainhas com roupas de veludo e grandes anéis de diamantes. Foi assim que percebi que existia um mundo além das Montanhas Smoky.”

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