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David Cote já teve uma carreira que a maioria dos executivos invejaria. Como CEO da gigante industrial Honeywell, integrante da lista Fortune 500, passou 15 anos liderando uma recuperação que gerou retornos aos acionistas 150% superiores aos do índice S&P 500.
Agora, depois de sair da aposentadoria, ele ocupa o cargo de presidente executivo da Vertiv, uma empresa de refrigeração com 80 anos de história cujo valor de mercado saltou de menos de US$ 11 bilhões para US$ 109 bilhões desde sua abertura de capital, escreve meu colega Shawn Tully.
O caminho até o topo pode parecer inevitável olhando para sua trajetória atual, mas inclui um revés capaz de fazer qualquer executivo questionar se algum dia estará apto a ocupar a principal cadeira de comando de uma empresa.
Cote começou sua carreira de 25 anos na General Electric (GE) trabalhando no turno da noite em uma fábrica de motores aeronáuticos em New Hampshire. Com o tempo, ascendeu até comandar a divisão de eletrodomésticos da companhia. Em 1999, o então CEO da GE, Jack Welch, o abordou no refeitório da empresa e disse que queria que ele deixasse a companhia até o fim daquele ano. Cote perguntou repetidamente o que havia feito de errado. Segundo ele, Welch nunca respondeu.
Três anos depois, Cote se tornou CEO da Honeywell. Um dos executivos mais celebrados da história corporativa americana havia, na prática, lhe dito que não havia futuro para ele na GE. Pouco depois, outra grande empresa industrial lhe entregou seu cargo mais importante.

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Após 15 anos na Honeywell, Cote se aposentou em 2018. Mas a aposentadoria não durou muito. Convencido de que ainda tinha mais um capítulo para escrever, uniu-se ao Goldman Sachs na busca por uma empresa para adquirir. Eles analisaram mais de mil companhias antes de escolher a Vertiv, um negócio de refrigeração em dificuldades e totalmente novo para Cote.
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A escolha se mostrou acertada, mas os resultados demoraram a aparecer. Cote enxergou que o volume de dados digitais crescia muito mais rápido do que os data centers necessários para sustentá-los e posicionou a Vertiv no centro dessa expansão.
A aposta, porém, enfrentou obstáculos. A pandemia de Covid-19 atingiu o mundo apenas três semanas após a estreia da Vertiv na Bolsa de Nova York. Mais tarde, uma explosão de pedidos revelou que a empresa estava vendendo seus equipamentos com preços entre 20% e 30% abaixo do ideal. Os lucros despencaram e, no início de 2023, as ações acumulavam queda de cerca de 55% em relação ao pico anterior.
Cote passou a se envolver intensamente na gestão cotidiana da companhia, enquanto o conselho nomeou um novo CEO. Conforme a Vertiv reorganizava suas operações, continuou investindo em tecnologias de refrigeração líquida direta para chips e adquiriu a startup CoolTera no fim de 2023. Ao mesmo tempo, ampliou a produção para atender à explosão da demanda dos data centers voltados à inteligência artificial.
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Há uma ironia na trajetória de Cote. A decisão de Welch de afastá-lo da GE parecia um veredito sobre seu potencial. Os problemas iniciais da Vertiv ameaçaram comprometer seu segundo ato profissional. Em ambos os casos, porém, o que parecia uma derrota definitiva revelou-se apenas temporário.
O mesmo pode ocorrer quando uma carreira, uma empresa ou uma ideia encontra uma barreira inesperada. Um resultado ruim pode indicar que algo precisa mudar, mas não necessariamente determina o quão longe a pessoa envolvida poderá chegar.
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