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Uma eventual recessão no Brasil produziria perdas diretas em ativos detidos por pessoas físicas e investidores institucionais, um fenômeno que o país nunca experimentou em larga escala, afirma Pedro Jobim, economista-chefe e sócio-fundador da Legacy Capital, em artigo publicado em seu blog no Substack neste sábado (22). Ele argumenta que, diferentemente da recessão de 2015 e 2016, quando o endividamento do setor privado foi financiado essencialmente por crédito bancário, o ciclo atual se lastreou principalmente em instrumentos de mercado de capitais que chegaram ao investidor final.
Na cadeia que ele desenha, a manutenção de juros reais elevados por anos elevou a despesa financeira das empresas, levou os pedidos de recuperação judicial a patamares inéditos e provocou aumento da inadimplência e das provisões dos bancos. Os sinais de desaceleração se acumulam, e o desfecho provável, na avaliação dele, é uma retração da atividade no ano que vem. “É provável que a economia caminhe para uma recessão, em 2027, induzida pelo patamar de juros reais e pelo esgotamento do ciclo de crédito”, escreve.
As projeções de mercado ainda não incorporam retração da atividade em 2027, mas o mercado passou a ver risco crescente desse cenário diante do nível de endividamento das empresas, das famílias e do governo, num contexto de taxa de juros elevada por muitos meses. O sinal mais recente foi o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, que ajudou a empurrar o sentimento de empresários e investidores com relação à economia a níveis de pessimismo extremo, segundo indicador da XP.
Jobim sustenta que uma recessão derrubaria a receita do governo enquanto a despesa, quase toda obrigatória e indexada, seguiria subindo, sem medidas de contenção que ele considera incompatíveis com uma gestão do PT, como nova reforma da previdência, retorno do teto de gastos e privatizações.
Crítico de longa data do presidente Lula, o economista trata a eleição de outubro como a “última chance” para o País se reorganizar. “No plano econômico, portanto, a reeleição de Lula será a certeza de um desastre”.
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O que diz o governo
A dívida bruta do governo geral chegou a 81,9% do PIB em junho, o maior percentual desde a pandemia, o equivalente a R$ 10,8 trilhões, segundo o Banco Central, com alta de 10,2 pontos percentuais nos três anos e meio do atual governo. Em maio, o indicador estava em 81,0%.
O Ministério da Fazenda tem sustentado publicamente que a alta decorre do patamar de juros e já era esperada, além de argumentar que o resultado tem ficado abaixo do que o mercado projetava. Sobre a política monetária, o governo também tem argumentado que as projeções de inflação foram contaminadas pelos efeitos da guerra do Irã, que dificultam o trabalho do BC, e que o problema fiscal não é só brasileiro.
Na última semana, a dívida federal bruta dos Estados Unidos superou a marca de US$ 40 trilhões, número que repercutiu nos mercados e resultou na venda de papéis do Tesouro americano, levando o rendimento dos Treasuries de 30 anos ao maior patamar desde 2007. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, respondeu dobrando o tamanho máximo das operações de recompra, mas o efeito durou pouco.
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