Brasil: o país do futebol e, agora, também do skate

Com uma nova geração de atletas e uma torcida apaixonada, o Brasil se consolida como potência do skate sem abrir mão da essência de comunidade que define a modalidade

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Crescer no Brasil é carregar no DNA a paixão pelo movimento, pelo desafio e pela superação.

Fomos moldados por uma cultura rica, na qual o esporte sempre foi uma das principais formas de expressão, celebração e união. O futebol é a nossa raiz mais profunda no âmbito esportivo, mas grandes nações não se limitam a uma única paixão.

Nos últimos anos, as pistas das nossas cidades têm se tornado verdadeiros “berços de ouro” dos esportes radicais, impulsionadas pelo crescimento significativo da prática da modalidade no país.

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Dados de uma pesquisa de 2024 do IBOPE Repucom apontam um aumento de 60% na presença do skate na rotina dos jovens nos últimos cinco anos, o que contribui ainda mais para o surgimento de novos talentos. E, de fato, o mundo está se preparando para o nosso protagonismo.

O Brasil assumiu um papel de destaque gigantesco no skate, seja no Park ou no Street, no masculino e no feminino. Isso projeta um holofote para que as organizações internacionais vejam nosso mercado de forma estratégica, tentando decifrar a fórmula por trás de um crescimento tão acelerado.

Nossa torcida também é um diferencial

Quem acompanha os campeonatos de perto entende que a resposta está clara para aqueles que se permitem olhar de forma genuína para o nosso real diferencial: nossa arquibancada e o senso de comunidade inigualável do skate. A energia que a torcida brasileira traz para os eventos é inexplicável.

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Somos calorosos, barulhentos e apaixonados, e isso diz muito sobre o que a modalidade representa para nós. Eu reconheço que ainda não chegamos ao cenário ideal de estrutura e incentivo, mas entendo isso como um processo contínuo de construção.

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Hoje carrego como missão, além de andar de skate, contribuir ativamente para a evolução do esporte como um todo, em parceria com ligas e confederações mundo afora.

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Nem sempre o que planejamos se transforma em realidade de forma imediata.

Crescer sem perder a essência

Ao mesmo tempo que celebramos essa expansão e o enorme apelo pelo skate, é essencial mantermos o olhar atento para preservar o que ele tem de mais precioso: a sua essência.

O skate sempre foi, antes de tudo, um espaço de acolhimento, onde a torcida apoia o esporte como um todo e vibra com o espetáculo, independentemente da nacionalidade de quem está na pista.

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A verdadeira força do skate está na união, no incentivo mútuo e em uma rivalidade saudável, aquela que inspira cada atleta a evoluir.

Afinal, a cultura do skate não enxerga o outro como um adversário a ser batido. O mais legal do skate é que ele não é visto como uma simples disputa entre países, como um “Brasil contra o mundo”.

Dentro da pista, o que prevalece é o respeito e o desejo de ver a melhor apresentação vencer, sempre em prol da evolução do esporte. Isso fica evidente tanto no circuito profissional quanto nas pistas de rua, onde é comum ver skatistas ajudando uns aos outros após uma queda.

Cair faz parte da trajetória de qualquer atleta, e nesses momentos delicados, o apoio de quem está ao seu lado faz toda a diferença.

A força de andar juntos

Esse cuidado, essa empatia e a capacidade de celebrar as conquistas e amparar as dificuldades do outro representam a essência do verdadeiro espírito do skate.

Essa nova geração brasileira está entendendo perfeitamente o recado e assumiu a responsabilidade de carregar esse espírito para o mundo, sem deixar a nossa essência de lado.

Nossos atletas não estão apenas colecionando medalhas e troféus; estão mostrando que a nossa maior força está em andar juntos.

O futebol sempre será a nossa raiz, mas, hoje, o skate se consolida como uma bonita realidade no Brasil.


Letícia Bufoni, 32 anos, é uma das maiores referências do skate feminino mundial. Única mulher a conquistar três medalhas de ouro em um mesmo ano e recordista histórica do Guinness Book pelos 12 pódios nos X Games, ela também fez história ao integrar o time da Nike Skateboarding e ao receber o título de atleta fundadora do X-Games League (XGL. Nos últimos anos, ampliou sua atuação para o automobilismo, destacando-se na Porsche Cup e na participação em uma tripulação 100% feminina no Endurance Challenge em 2024, fortalecendo a representatividade feminina nas pistas. Como empreendedora, é sócia da Mamba Water, primeira marca brasileira de água em lata com propósito social, e do Joshua Tree Hotel, uma boutique hotel na Califórnia voltada para famílias, eventos corporativos e amigos.