A autorização da China para IPO da Shein em Hong Kong dá fim a um ano de espera pela decisão e pode torná-la uma das maiores aberturas de capital de 2026 nesta bolsa. O anúncio, de julho de 2026, é também um “sim” após as tentativas frustradas de listar nas bolsas de Nova York e de Londres.

A estreia da varejista gera expectativa, principalmente pelo valuation da companhia. Segundo informações da Reuters, a Shein tem como meta valor em torno de US$ 25 bilhões, muito abaixo das rodadas anteriores de prospecção: US$ 98,2 bilhões em 2022 e US$64 bilhões em 2023 e 2024.

A companhia pretende vender até 8% de suas ações na oferta, podendo levantar até US$ 2 bilhões. Continue a leitura para conhecer o modelo de negócios da Shein e o que trouxe a empresa até este momento.

O que é a Shein?

A Shein é uma varejista global online que possui sua marca própria e também funciona como um marketplace. A empresa oferece produtos de moda infantil e adulta, itens de beleza, decoração e acessórios variados.

A marca chinesa foi popularizada durante a pandemia de Covid-19, quando começou a expandir seu alcance para mais países. Por volta do mesmo período, a companhia chegou ao Brasil.

Com um modelo de ultra fast fashion, a Shein oferece um serviço ainda mais rápido que as varejistas fast fashion. O modelo é conhecido por uma fabricação de peças com menor custo para o consumidor e com tempo de produção e uso reduzido.

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Como a própria empresa diz, a Shein substitui o modelo tradicional de fast fashion e das varejistas de vestuário por não se basear em previsões de tendências, mas em tomar decisões embasadas nas preferências e compras dos clientes. Com esse modelo ultra-fast, a varejista consegue replicar tendências quase em tempo real.

Em 2025, a companhia recebeu 9,5 milhões de usuários ativos e mais de 3,48 milhões de novos usuários registrados.

Fundação2012
FundadoresChris Xu
SedeCingapura
Área de atuaçãoVarejo de vestuário
Principais concorrentesTemu, Shopee e AliExpress

Qual o modelo de negócios da Shein?

Como a própria empresa chama, o modelo de negócios digital-first prioriza os meios digitais através de dispositivos moveis, online e mídias sociais. Baseado em um sistema de back-end digitalizado, a Shein conecta todo o ciclo de produção de ponta a ponta.

A cadeia de suprimentos digital é o núcleo do modelo de negócios da companhia. Com um software proprietário, a Shein consegue acompanhar as vendas e manter uma comunicação com as fábricas em tempo real para pedidos em pequenos lotes.

Ancorado no modelo Teste e Reposição Automatizados em Grande Escala (LATR, na sigla em inglês), a companhia busca proporcionar um equilíbrio ideal entre variedade de produtos, renovação dos designs e eficiência da gestão de estoques.

A gestão de estoques, em si, é otimizada pela alocação dos pedidos de acordo com a especialização, o preço e a capacidade dos fornecedores.

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Quem são os investidores da Shein hoje?

Entre os investidores da empresa estão IDG Capital, Mubadala Investment Co., Coatue Management e HSG.

Qual o valuation estimado da Shein?

Em agosto, a Shein reduziu mais uma vez sua meta de avaliação para a oferta pública inicial de ações em Hong Kong. Agora, a companhia espera alcançar um valor próximo de US$ 25 bilhões.

Para a Reuters, fontes próximas afirmara que a avaliação mais provável para a companhia gira em torno de US$ 25 bilhões. Outra fonte informou que a faixa considerada pela empresa varia entre US$ 25 bilhões e US$ 28 bilhões, com base nos preços apresentados a potenciais investidores durante o roadshow da oferta.

O novo patamar representa uma forte redução em relação às avaliações anteriores conquistadas pela Shein. Em 2022, por exemplo, a empresa chegou a ser avaliada em US$ 98,2 bilhões durante uma rodada privada de captação de recursos.

De acordo com a agência de notícias, a revisão reflete um ambiente de negócios mais desafiador para a empresa. Além da desaceleração do crescimento, a companhia tem lidado com aumento de custos comercias e competição mais intensa entre plataformas globais de comercio eletrônico.

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A companhia pretende vender até 8% de suas ações na oferta. Caso a avaliação fique em torno de US$ 25 bilhões, a operação poderá levantar até US$ 2 bilhões, tornando-se uma das maiores aberturas de capital do ano em Hong Kong.

Vale a pena investir no IPO da Shein?

Para a XP Investimentos, a Shein se destaca como uma concorrente importante no varejo digital, especialmente diante do atual cenário de baixo poder de compra. Apesar do aumento da tributação representar um obstáculo, a casa ainda considera que as empresas locais estão bem posicionadas em termos de produto/preço e contam com margens de lucro brutas sólidas, o que pode impulsionar a competitividade de preços, se necessário.

De acordo com o Itaú BBA, ainda que o IPO da Shein provavelmente reforce a concorrência ao injetar capital adicional em uma empresa já altamente líquida, com posição de caixa de US$ 14,7 bilhões no 1º tri, os números divulgados também reforçam a ideia de que o perfil da concorrência transfronteiriça evoluiu nos últimos anos.

A crescente relevância do marketplace, combinada a uma base de fornecimento local mais ampla e à diversificação geográfica cada vez maior, indicam que a Shein está se tornando progressivamente menos dependente de brechas fiscais e mais dependente da execução operacional, da escala e do fornecimento local.

Para os analistas do banco, as implicações disso são que manter uma trajetória de crescimento acelerado dos lucros agora envolve um conjunto diferente de desafios e uma nova camada de riscos de execução.

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Os recursos do IPO devem ser utilizados para apoiar investimentos em tecnologia, reconhecimento da marca e responsabilidade corporativa, ampliando o aprimoramento do treinamento de fornecedores, monitoramento da conformidade dos fornecedores e mais.