As ações e os setores que foram destaques – positivos e negativos – no 2T, segundo XP

Na avaliação da XP, o setor de óleo, gás e petroquímicos foi o grande destaque positivo do trimestre

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A XP Investimentos destacou um cenário heterogêneo entre os setores da Bolsa brasileira em análise sobre a temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26).

Embora Fernando Ferreira e equipe, estrategistas que assinam o relatório, classifiquem o período como mais uma temporada fraca para o mercado local, alguns segmentos conseguiram entregar crescimento e surpreender positivamente, enquanto outros seguiram pressionados pelo ambiente de juros elevados, consumo enfraquecido e maior seletividade dos investidores.

Na avaliação da XP, o setor de óleo, gás e petroquímicos foi o grande destaque positivo do trimestre. O forte avanço do petróleo após a escalada das tensões no Oriente Médio impulsionou os resultados das produtoras e distribuidoras de combustíveis.

Petrobras (PETR4) superou as expectativas beneficiada pelos preços mais altos do petróleo e spreads de refino mais fortes, enquanto PRIO (PRIO3) apresentou números robustos apoiados em maiores volumes de produção e vendas. Vibra (VBBR3) e Ultrapar (UGPA3) voltaram a se destacar entre as distribuidoras, favorecidas por margens mais elevadas e forte geração de caixa. Já a Braskem (BRKM5) foi beneficiada pela recuperação dos spreads petroquímicos.

A XP calcula que o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) do setor cresceu 79,7% na comparação anual, o melhor desempenho entre todos os segmentos acompanhados.

Bens de capital teve Embraer e WEG entre os destaques

O setor de bens de capital apresentou resultados mistos, mas com alguns casos de destaque. WEG (WEGE3) entregou números acima do esperado, beneficiada pela resiliência das operações internacionais e ganhos de produtividade. Embraer (EMBJ3) foi apontada pela XP como um dos melhores resultados da temporada, com crescimento de receitas, expansão de margens, forte geração de caixa e melhora das perspectivas de rentabilidade.

Na ponta negativa, Marcopolo (POMO4) sofreu pressão de custos e margens mais fracas, enquanto Kepler Weber (KEPL3) continuou sendo impactada pelo ciclo mais difícil do agronegócio.

Financeiro: Itaú e Nubank se destacaram

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Entre os bancos, a XP classificou os resultados como mistos. Itaú Unibanco (ITUB4) voltou a aparecer como um dos destaques da temporada, combinando qualidade de ativos sob controle, excesso de capital e resultados resilientes. Nubank (BDR: ROXO34) também teve avaliação positiva, impulsionado principalmente pela redução do custo de crédito.

Bradesco (BBDC4) mostrou melhora operacional gradual, enquanto Santander (SANB11) e Banco do Brasil (BBAS3) evidenciaram aumento das pressões sobre o crédito. Entre as empresas ligadas ao mercado de capitais, BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3) seguiram se beneficiando da diversificação das receitas.

Construção civil foi uma das surpresas positivas

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A XP destacou as construtoras de baixa renda como um dos grupos mais consistentes do trimestre.

Tenda (TEND3) foi apontada como a principal surpresa positiva, combinando crescimento de receita e expansão de margens. Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3) também mantiveram forte desempenho operacional.

Entre as empresas de média e alta renda, Cyrela (CYRE3) apresentou o conjunto mais equilibrado de resultados, enquanto Moura Dubeux (MDNE3) registrou lucro recorde. Por outro lado, EZTEC (EZTC3), Melnick (MELK3) e Even (EVEN3) continuaram enfrentando pressões sobre receita e rentabilidade.

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Shoppings e logística mantiveram bons fundamentos

O segmento de propriedades comerciais também teve leitura positiva. Multiplan (MULT3), Allos (ALOS3) e Iguatemi (IGTI11) seguiram sustentados por vendas dos lojistas, ocupação elevada e baixa inadimplência. A logística também apresentou bons números, com a LOGG3 mantendo vacância próxima de zero e crescimento de aluguéis. Já a JHSF (JHSF3) se destacou pelo forte crescimento de receita.

Mineração e siderurgia dividiram opiniões

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A leitura da XP para mineração e siderurgia foi entre neutra e positiva. Vale (VALE3) apresentou resultados ligeiramente acima do esperado, beneficiada por custos menores que o previsto. Gerdau (GGBR4) também foi destaque positivo graças ao desempenho da operação norte-americana e à melhora das margens no Brasil.

Em contrapartida, a CSN (CSNA3) continuou gerando preocupações por causa do elevado endividamento e da pressão sobre a geração de caixa, enquanto a Usiminas (USIM5) enfrenta custos crescentes que podem limitar a rentabilidade nos próximos trimestres.

Saúde teve hospitais entre os destaques

No setor de saúde, a XP observou um conjunto de resultados construtivo, embora desigual. Os hospitais apareceram como os principais vencedores, com Rede D’Or (RDOR3) se beneficiando de maiores volumes cirúrgicos e redução de custos, enquanto Mater Dei (MATD3) mostrou avanços em ocupação e mix de especialidades. Fleury (FLRY3) manteve forte crescimento orgânico nos diagnósticos e a Dasa (DASA3) avançou em seu processo de reestruturação.

Do lado negativo, Qualicorp (QUAL3) continuou enfrentando dificuldades operacionais, enquanto Blau (BLAU3) foi prejudicada por vendas mais fracas ao setor público.

Telecom foi um dos setores mais decepcionantes

Entre os segmentos apontados pela XP como mais problemáticos da temporada está telecomunicações.

TIM (TIMS3) e Vivo (VIVT3) sofreram forte deterioração de sentimento após reportarem lucros líquidos abaixo das expectativas. A XP destaca que as preocupações com o aumento da concorrência, a desaceleração do crescimento e a saída de capital estrangeiro provocaram um forte sell-off das ações do setor.

A TIM foi particularmente afetada pela desaceleração na receita de serviços e pela perda de assinantes, enquanto a Vivo teve resultados operacionais sólidos, mas insuficientes para atender expectativas elevadas do mercado.

Dentro do universo de tecnologia, LWSA (LWSA3) e Intelbras (INTB3) ficaram entre os destaques positivos graças à forte geração de caixa e crescimento de lucro. TOTVS (TOTS3) e Bemobi (BMOB3) também entregaram números sólidos. A XP cita a LWSA como um dos melhores exemplos de expansão de margens e alavancagem operacional da temporada.

Transportes teve viés positivo

O setor de transportes apresentou desempenho melhor que a média. Localiza (RENT3), Movida (MOVI3), Vamos (VAMO3), Hidrovias do Brasil (HBSA3) e JSL (JSLG3) aparecem entre os destaques positivos, beneficiados por crescimento de volumes, melhora operacional e boa geração de caixa.

O principal ponto de atenção continua sendo o segmento de serviços industriais, onde empresas como GPS (GGPS3) e Priner (PRNR3) seguem enfrentando crescimento mais lento e pressão de margens.

Varejo seguiu pressionado

Se petróleo liderou os destaques positivos, o varejo voltou a aparecer entre os setores mais desafiadores da temporada.

Segundo a XP, a demanda continua fraca em diversas categorias devido ao ambiente macroeconômico difícil, à concorrência intensa e ao menor poder de compra das famílias.

Entre os destaques positivos, Alpargatas (ALPA4), Riachuelo (RIAA3), Grupo SBF (SBFG3), Track & Field (TFCO4) e C&A (CEAB3) apresentaram execução mais consistente. Já Lojas Renner (LREN3) ficou entre as principais decepções, após reduzir projeções de receita, enquanto a Azzas 2154 (AZZA3) continuou pressionada por vendas fracas e estoques elevados. O varejo alimentar também permaneceu sob pressão, especialmente no Grupo Mateus (GMAT3).

Utilities e saneamento tiveram resultados mistos

No segmento de utilidade pública, Light (LIGT3), Cemig (CMIG4) e Sanepar (SAPR4) apareceram entre os destaques positivos, beneficiadas por receitas superiores ao esperado e menor inadimplência.

Na outra ponta, Sabesp (SBSP3), Energisa (ENGI11) e Compass (PASS3) decepcionaram. No caso da Sabesp, o aumento de custos e despesas com inadimplência pesou sobre os resultados, enquanto a Energisa enfrentou forte alta da inadimplência e maiores despesas operacionais.

Segundo a XP, a temporada reforçou uma divisão clara na Bolsa brasileira: empresas expostas a commodities, exportação e alguns nichos específicos continuaram entregando crescimento robusto, enquanto setores ligados ao consumo doméstico e à atividade econômica seguiram enfrentando as consequências de juros elevados e de uma demanda ainda enfraquecida.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Investimentos

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.