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As ações da operadora de saúde Hapvida (HAPV3) caíram 33% na última quinta-feira (13) após a divulgação de resultados fracos no segundo trimestre.
Conforme destaca a Ágora, há exatos 9 meses, os papéis da companhia chegaram a recuar 42% no pregão do dia 13 de novembro, também pressionados por um balanço ruim.
No acumulado de 12 meses, a Hapvida perdeu R$ 14,2 bilhões em valor de mercado. Os resultados fracos são atribuídos às margens apertadas, piora na sinistralidade, forte consumo de caixa e alta na judicialização, algo que deve manter elevada a pressão vendedora no curto prazo, na visão da Ágora. A HAPV3 aparece com uma das maiores taxas de aluguel das ações que fazem parte do Ibovespa, com uma taxa de 18,22% do free float (ações em circulação).
Nesse tipo de operação de aluguel de ações, investidores que possuem papéis na sua carteira emprestam esses ativos a outros investidores, mediante a cobrança de uma taxa de “aluguel”. Assim, quanto mais alta a demanda pelo aluguel, mais alta é a taxa para essa operação.
A Hapvida divulgou mostrando maior pressão nas margens e queima de caixa.
Os resultados do 2T26 da Hapvida foram fracos, marcados por forte pressão nas margens e queima de caixa. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ficou 18% abaixo das estimativas, com a margem caindo 3,9 pontos percentuais na comparação trimestral, atingindo 6,2%.
“Essa compressão ocorreu devido ao aumento da sinistralidade caixa, maiores despesas com vendas e elevação nas provisões para contingências e multas. Além disso, o fluxo de caixa livre surpreendeu negativamente em R$ 235 milhões, impactado por um salto de 56% nos novos depósitos judiciais cíveis”, aponta o Bradesco BBI.
Os analistas do banco destacaram que, embora a reestruturação da carteira deficitária seja um passo importante para a recuperação da rentabilidade futura, o momento operacional ainda inspira cautela, o que sustenta recomendação neutra para os papéis.
Conforme destacou o Itaú BBA após encontro com executivos da Hapvida, a forte reação negativa do mercado ao resultado do segundo trimestre deixou claro qual é hoje a principal preocupação dos investidores com a empresa: a dificuldade de prever quando a pressão dos processos cíveis deixará de afetar os resultados da companhia.
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Em reunião com analistas e investidores, o CEO Luccas Adib e o CFO Lucas Garrido procuraram detalhar as medidas adotadas para enfrentar esses desafios. A mensagem central foi que a companhia está executando uma ampla revisão de carteira, ajustando sua estratégia comercial e reforçando o combate ao aumento das ações judiciais, embora reconheça que parte da pressão ainda deve permanecer no curto prazo.
Se existe um tema que dominou as discussões com investidores, foi o aumento das ações cíveis. A administração reconheceu que a pressão foi significativamente maior do que o inicialmente projetado. Depois de um período de estabilização observado após a aceleração registrada entre 2024 e 2025, o volume de processos voltou a crescer acima das expectativas da companhia.
Como resposta, a Hapvida promoveu mudanças relevantes em sua estrutura jurídica, incluindo reformulação da equipe responsável, revisão de processos internos, alteração de níveis de autorização e implementação de novos mecanismos de monitoramento e acompanhamento dos casos.
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Apesar disso, a empresa admite que o estoque de ações ainda deverá pressionar os resultados do terceiro trimestre. A expectativa da administração é que os efeitos das medidas implementadas fiquem mais visíveis a partir do quarto trimestre deste ano, permitindo uma normalização gradual desse indicador.
Para investidores, justamente essa dificuldade de modelar o comportamento futuro das contingências judiciais continua sendo o principal fator de incerteza sobre o ritmo de recuperação da companhia.
Reestruturação comercial
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Outro tema discutido foi a reformulação da estratégia comercial. A administração argumenta que a expansão nacional exigiu uma mudança importante em relação ao modelo tradicional da companhia, historicamente concentrado nas regiões Norte e Nordeste e baseado em uma forte verticalização da rede.
Segundo os executivos, a empresa perdeu competitividade em algumas regiões do Sudeste e precisou revisar preços, comissões pagas a corretores e campanhas comerciais.
Os primeiros sinais, contudo, são considerados positivos. A Hapvida reporta adições líquidas positivas de clientes em São Paulo por cinco meses consecutivos e nos últimos dois meses no Rio de Janeiro. O plano agora é expandir a estratégia para o interior paulista, Minas Gerais e a região Sul.
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Em meio a esse cenário, analistas de mercado possuem recomendação neutra para as ações da Hapvida, caso do Bradesco BBI, Itaú BBA e BB Investimentos.
“O desempenho do trimestre evidencia que a recuperação da rentabilidade ainda enfrenta desafios relevantes, diante da deterioração da sinistralidade, da continuidade das pressões relacionadas à judicialização e do aumento das despesas. Adicionalmente, embora a revisão dos contratos deficitários e inadimplentes possa favorecer margens e geração de caixa, o processo pode ampliar a retração da base de beneficiários no curto prazo”, avalia o BB Investimentos. Assim, prefere acompanhar a execução das iniciativas e seus efeitos sobre os resultados ao longo dos próximos trimestres.
