Bilionário prevê que pessoas viverão e trabalharão na Lua já nos anos 2030

CEO da Voyager afirma que bases lunares poderão abrigar trabalhadores e empresas na próxima década, em movimento apoiado por Musk, Bezos e Altman
Orianna Rosa Royle
Fortune

Publicidade

Alguns dos bilionários mais influentes da tecnologia acreditam que sua próxima oferta de emprego poderá vir de outro planeta. Elon Musk, Jeff Bezos e Sam Altman já previram um futuro em que seres humanos viverão e trabalharão no espaço. Agora, Dylan Taylor, fundador e CEO da Voyager Technologies, reforça essa visão e afirma que ela pode se tornar realidade muito em breve.

Segundo Taylor, você poderá estar viajando para trabalhar na Lua dentro de uma década.

“Os seres humanos definitivamente vão viver e trabalhar no espaço”, disse o executivo bilionário à Fortune.

“O próximo passo será a Lua. Isso acontecerá na década de 2030, provavelmente no início dos anos 2030”, acrescentou Taylor. “Teremos uma base lunar, pessoas vivendo e trabalhando na Lua. Você poderá olhar para a Lua e ver luzes acesas por lá.”

Tecnicamente, observa Taylor, uma pequena parcela da humanidade já trabalha no espaço por meio da Estação Espacial Internacional (ISS), que mantém presença humana contínua há 26 anos. Mas, segundo ele, o setor trabalha ativamente para ampliar essa realidade, passando de alguns astronautas altamente treinados para um número muito maior de pessoas.

Quanto aos empregos que surgirão no espaço, Taylor cita mineração de recursos, centros de dados orbitais e construção de redes de energia. Para ele, são atividades que robôs humanoides não conseguirão substituir completamente.

Continua depois da publicidade

“Você não vai conseguir programar o Optimus para fazer tudo na Lua”, afirmou, referindo-se ao robô da Tesla. “Será preciso ter humanos para resolver os problemas.”

Diferentemente da Lua, Marte é um plano de contingência para a humanidade

Taylor não fala apenas como observador. Depois de acumular milhões de dólares antes dos 30 anos e dirigir empresas de capital aberto nos setores de eletrônicos, finanças, bancos e mercado imobiliário, ele decidiu recomeçar aos 37 anos para perseguir um sonho de infância: trabalhar com exploração espacial.

Em 2007, tornou-se investidor-anjo da Space Adventures. Também esteve entre os primeiros investidores da Relativity Space, ao lado de Mark Cuban. Em 2017, fundou sua primeira iniciativa espacial, a organização sem fins lucrativos Space for Humanity, cujo objetivo é comprar assentos em voos espaciais comerciais para pessoas que normalmente não teriam acesso a esse tipo de experiência.

Continua depois da publicidade

Dois anos depois, criou a Voyager Technologies. A aposta deu resultado: em 2025, a empresa abriu capital na Bolsa de Nova York (NYSE), alcançando avaliação de US$ 3,8 bilhões e transformando Taylor em bilionário aos 53 anos. A Fortune informou ter analisado um resumo de seus registros financeiros, confirmando seu status bilionário.

Atualmente, a Voyager trabalha na construção da sucessora da Estação Espacial Internacional e possui diversos contratos com a NASA. O próprio Taylor já foi ao espaço, em um voo da Blue Origin realizado em 2021, tornando-se a 606ª pessoa da história a viajar para fora da Terra.

Mas Marte, segundo ele, é uma história diferente.

Continua depois da publicidade

“É simplesmente muito mais distante. A radiação é um problema muito maior”, afirmou.

Para a maioria das pessoas, Taylor não acredita que Marte se torne um novo lar, a menos que uma grande catástrofe atinja a Terra.

“Concordo com Elon Musk que precisamos de alguma diversificação, caso algo realmente ruim aconteça aqui, como um asteroide ou algo parecido”, explicou. “A Lua não é uma diversificação suficiente. A Lua e a Terra pertencem essencialmente ao mesmo sistema planetário.”

Continua depois da publicidade

Segundo ele, quem for para Marte estará lá principalmente por escolha própria.

“Muitas pessoas não querem viver em Marte”, disse, acrescentando que ele próprio gostaria de encarar essa aventura. “Estamos todos em uma viagem só de ida, saibamos disso ou não. A questão é onde você quer chegar.”

Taylor acredita que existe um número suficiente de pessoas com essa mentalidade para que, no futuro, seja possível estabelecer uma cidade ou comunidade no planeta vermelho.

“Elas têm o gene da aventura, algo que acredito ter também”, afirmou. “Há pessoas suficientes dispostas a fazer isso para iniciar uma pequena colônia. Mas a ideia de criar uma civilização inteira e terraformar o planeta levará muito tempo.”

Musk, Bezos e Altman fazem previsões semelhantes

Taylor não é o único a imaginar um futuro em que pessoas possam procurar emprego ou até contratar um financiamento imobiliário em outro planeta.

Musk, CEO da Tesla e pessoa mais rica do mundo, tem sido uma das figuras mais influentes na expansão do acesso ao espaço no século XXI. Ele também é fundador e CEO da SpaceX, empresa avaliada em cerca de US$ 1,8 trilhão que trabalha em parceria com a NASA para impulsionar a exploração espacial.

Musk acredita que humanos poderão chegar a Marte já em 2028. No entanto, suas previsões nem sempre se concretizaram. Em 2016, por exemplo, ele afirmou que enviaria pessoas ao planeta vermelho até 2024, algo que não ocorreu.

Jeff Bezos, fundador da Amazon e da Blue Origin, faz previsões ainda mais ambiciosas. Segundo ele, até 2045 “milhões de pessoas” viverão no espaço e robôs farão deslocamentos à Lua em nome dos seres humanos.

“Não vejo como alguém que esteja vivo hoje poderia se sentir desencorajado”, afirmou Bezos durante o evento Italian Tech Week 2025. “Se houver necessidade de realizar algum trabalho na superfície da Lua ou em qualquer outro lugar, poderemos enviar robôs para executá-lo.”

Já Sam Altman, CEO da OpenAI, acredita que, em menos de dez anos, recém-formados estarão trabalhando em empregos espaciais “completamente novos, empolgantes e extremamente bem remunerados”.

O criador do ChatGPT chegou a dizer que sente inveja dos jovens de hoje, porque os empregos do início de carreira de sua geração parecerão “antiquados” e “entediantes” quando comparados às oportunidades que surgirão com a expansão da economia espacial.

Reportagem publicada originalmente pela Fortune.