BHIA3: ação da Casas Bahia desaba mais de 30% e vai a R$ 0,45 com pedido de RJ

No pedido de recuperação judicial levado à Justiça neste domingo, a Casas Bahia argumenta que enfrenta a "pior crise financeira desde a fundação", num cenário ainda mais complexo que o vivido em 2024

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As ações do Grupo Casas Bahia (BHIA3) desabam nesta segunda-feira (17) e vão abaixo de R$ 0,50 em meio ao pedido de recuperação judicial e prejuízo de R$ 10 bilhões no segundo trimestre de 2026 (2T26). Às 10h28 (horário de Brasília), os ativos desabavam 31,82%, a R$ 0,45, em meio a uma queda acumulada de quase 80% das ações no acumulado do ano.

No pedido de recuperação judicial levado à Justiça neste domingo, a Casas Bahia argumenta que enfrenta a “pior crise financeira desde a fundação”, num cenário ainda mais complexo que o vivido em 2024, quando a empresa passou por uma recuperação extrajudicial. Agora, a empresa acumula dívidas de R$ 17,3 bilhões.

O grupo justifica que o aumento da taxa Selic a partir de 2021 produziu “efeitos especialmente severos”, já que sua operação é “estruturalmente dependente” do crediário. Os carnês remontam à criação da empresa, na década de 1950, e hoje respondem por 15,9% das vendas. Entre abril e junho, a carteira de crediário da Casas Bahia fechou em R$ 6,3 bilhões.

Os juros altos também aumentaram o custo da empresa com a manutenção dos estoques e as operações de risco sacado com fornecedores. Nesse modelo, bancos antecipam aos fornecedores o pagamento pelas mercadorias vendidas à varejista, que ganha um prazo maior, com juros, para quitar a dívida com a instituição financeira.

Além dos juros, a companhia alega que o cenário também foi dificultado pela inflação — que comprimiu a renda e o poder de compra das famílias, especialmente as mais pobres —, e o aumento da concorrência “com plataformas internacionais”, como Amazon e Mercado Livre.

A crise não é recente. Ainda em 2023, a empresa implementou um plano de reestruturação, com o fechamento de 55 lojas, a demissão de 8,6 mil funcionários e a redução de R$ 1 bilhão em estoques.

Ainda assim, as medidas não foram suficientes. No ano seguinte, a Casas Bahia passou por um processo de recuperação extrajudicial, com um passivo de R$ 4,1 bilhões.

Mesmo após o processo, a grupo diz que continuou a enfrentar dificuldades econômico-financeiras que agora culminaram no pedido de reestruturação judicial. Entre as frentes de recuperação, a empresa cita o fechamento de 298 lojas e a demissão de cerca de 3 mil funcionários em agosto.

O pedido de recuperação judicial ocorre após a divulgação do balanço do segundo trimestre, que expôs a deterioração das contas da companhia. A Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões entre abril e junho, resultado negativo 18 vezes superior aos R$ 555 milhões registrados no mesmo período de 2025.

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O balanço divulgado no domingo já citava explicitamente a possibilidade de uma recuperação judicial ou de uma nova recuperação extrajudicial. A administração afirmava que avaliava “alternativas operacionais, financeiras, societárias e estratégicas adicionais” diante da situação de liquidez e das projeções de fluxo de caixa.

A auditoria EY também chamou atenção, no parecer que acompanha as demonstrações financeiras, para uma “incerteza relevante relacionada com a continuidade operacional” da companhia.

Em meio ao processo de recuperação judicial das Casas Bahia, a XP colocou a ação em revisão e o Morgan Stanley manteve recomendação equivalente à venda para os ativos.

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Lara Rizério
Mercados | Economia | Investimentos

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.