Consórcio liderado por Jeff Bezos fecha acordo para comprar cerca de 30% do Liverpool

Grupo que reúne o fundador da Amazon, Eduardo Saverin e a família Mittal comprará uma participação minoritária no clube inglês, avaliado em cerca de US$ 6 bilhões

O ônibus do Liverpool chega ao estádio durante o amistoso de pré-temporada entre Liverpool FC e AS Monaco, em Anfield, na cidade de Liverpool, Reino Unido, em 9 de agosto. Foto: Naomi Baker/Getty Images
O ônibus do Liverpool chega ao estádio durante o amistoso de pré-temporada entre Liverpool FC e AS Monaco, em Anfield, na cidade de Liverpool, Reino Unido, em 9 de agosto. Foto: Naomi Baker/Getty Images

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A Fenway Sports Group (FSG) vendeu uma participação minoritária no Liverpool FC, e o fundador da Amazon, Jeff Bezos, passará a integrar o grupo de proprietários de um dos clubes mais famosos do mundo.

A fatia negociada é de cerca de 30%, segundo pessoas familiarizadas com a operação. Bezos faz parte de um consórcio de investidores, a 1892 Holdings, liderado pelo empresário Amit Bhatia e pelos fundos da família Mittal, informou a FSG em comunicado nesta sexta-feira. O cofundador do Facebook, Eduardo Saverin, e sua esposa, Elaine Saverin, também integram o grupo. Juntos, Bezos e Saverin possuem patrimônio superior a US$ 300 bilhões.

O consórcio está comprando a participação com base em uma avaliação de aproximadamente US$ 6 bilhões para o Liverpool, segundo uma pessoa próxima ao negócio. O grupo planeja, no futuro, assumir o controle do clube, informou a Bloomberg News no mês passado. Caso isso ocorra, a avaliação poderia superar US$ 7 bilhões. A FSG afirmou, porém, que não tem planos imediatos de vender o controle da equipe da Premier League.

Com valor estimado em US$ 6 bilhões, o Liverpool se torna um dos clubes de futebol mais valiosos do mundo. O Real Madrid é avaliado em US$ 7,7 bilhões, enquanto Barcelona e Manchester United valem cerca de US$ 6,5 bilhões, segundo dados da Sportico.

Pelos termos do acordo, ainda sujeito à aprovação de órgãos reguladores, Amit Bhatia se tornará vice-presidente do Liverpool e integrará o conselho ampliado do clube ao lado de Elaine Saverin, da EE Capital, e Bryan Baum, da K5 Sports, fundo esportivo que tem Bezos como principal investidor.

A compra marca o primeiro investimento direto de Bezos em uma equipe esportiva. O terceiro homem mais rico do mundo já havia sido associado a possíveis aquisições na NFL, especialmente durante as negociações envolvendo o Washington Commanders em 2023.

Bhatia, genro do magnata do aço Lakshmi Mittal, vinha discutindo uma participação minoritária no Liverpool com a FSG nos últimos meses. Em julho, ele transferiu sua participação no Queens Park Rangers ao controlador do clube e deixou o conselho da equipe.

A FSG já havia trazido a empresa americana Dynasty Equity como investidora minoritária em 2023. O Liverpool ocupou a quinta posição na Football Money League da Deloitte, com receita de € 836,1 milhões (US$ 968 milhões), impulsionada pela reforma de Anfield e pela ampliação de áreas premium do estádio.

A Fenway Sports Group, que também controla o Boston Red Sox, da MLB, comprou o Liverpool por £ 300 milhões em 2010. Após anos de dificuldades para competir com os principais rivais, contratou Jürgen Klopp em 2015. Desde então, conquistou a Liga dos Campeões em 2019 e os títulos da Premier League em 2020 e 2025.

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O Liverpool passa a ser um ativo importante no crescente império esportivo da família Mittal. Aditya Mittal, filho de Lakshmi Mittal e CEO da ArcelorMittal, investiu US$ 1 bilhão para se tornar coproprietário do Boston Celtics, da NBA, e recentemente participou de uma tentativa sem sucesso de compra do Seattle Seahawks, da NFL, por mais de US$ 9,5 bilhões. Em maio, a família Mittal também integrou um grupo que comprou 75% da franquia Rajasthan Royals, da liga indiana de críquete, por US$ 1,65 bilhão.

Grupos de torcedores demonstraram preocupação com a transação.

“Os torcedores tradicionais se perguntam onde isso vai acabar. É provável que haja um distanciamento ainda maior entre a torcida e a propriedade”, afirmou Peter Hootton, sócio-torcedor há cerca de 35 anos na tradicional arquibancada Kop, em Anfield. “Isso pode ser um passo para que a FSG venda o clube por completo.”

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Um dos grupos mais influentes de torcedores, o Spirit of Shankly, enviou uma carta ao clube no mês passado afirmando que operações semelhantes em outros times resultaram em mudanças profundas na gestão e no futebol, levando a decisões que muitos não gostariam de ver no Liverpool.

Após o anúncio desta sexta-feira, o grupo declarou que ainda precisa avaliar as implicações de longo prazo do negócio.

“É fundamental para o futebol que os clubes sejam administrados de maneira sustentável, como ocorreu com o Liverpool, e não participem de uma corrida armamentista financiada por bilionários ou Estados”, afirmou.

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Torcedores citam como exemplo o Manchester United, onde diversas mudanças desde a entrada de Jim Ratcliffe, em 2023, geraram críticas, incluindo aumentos nos preços dos ingressos e a substituição de áreas destinadas a torcedores por assentos premium.

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