Inflação, fluxo estrangeiro na bolsa e balanços do 2T26; veja destaques da semana

Dados do índice oficial de inflação vieram acima do esperado, mas projeções da XP Investimentos não acreditam que números sejam necessariamente preocupantes; confira os demais destaques

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A dinâmica do mercado nesta última semana foi baseada nos dados do IBGE, que mostraram que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho veio acima das estimativas do mercado, interrompendo a recente série de projeções frustradas para baixo. Além disso, a safra de balanços do segundo trimestre de 2026 segue movimentada, o que afeta a Bolsa de Valores.

Em âmbito global, a expansão acelerada dos recursos destinados à infraestrutura de inteligência artificial (IA) suscita questionamentos quanto à rentabilidade desses aportes, embora os fundamentos operacionais continuem sustentando uma leitura favorável para as hyperscalers.

Retomada dos saques estrangeiros

O capital internacional retornou ao campo negativo durante o mês de agosto, interrompendo a sequência favorável vista no mês anterior. As retiradas acumuladas até o momento somam R$ 3,3 bilhões no segmento à vista e R$ 4,4 bilhões nos contratos futuros, movimento que contribuiu para que o mercado acionário local ficasse atrás dos índices internacionais. Essa disparidade reflete em parte a temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 (2T26) nos EUA. Com isso, o saldo positivo de investidores não residentes no mercado à vista em 2026 recuou para R$ 37,8 bilhões, distanciando-se do topo de R$ 69,1 bilhões atingido em meados de abril.

Sustentabilidade dos aportes massivos em inteligência artificial

A alocação massiva de recursos por parte das gigantes de tecnologia alcançou patamares inéditos em função do avanço da inteligência artificial, levantando dúvidas no mercado quanto à geração de caixa imediata e à rentabilidade dos valores. Dados operacionais indicam que o capital já aplicado continua entregando resultados sólidos, amparado por uma carteira de contratos que assegura a utilização futura da infraestrutura. O cenário para essas companhias permanece favorável, impulsionado pela busca contínua por IA, previsibilidade nos faturamentos e níveis elevados de retorno.

Alta na inflação

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acelerou 0,07% no mês de julho, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), superando as estimativas de variação negativa de 0,02% e a expectativa média de mercado de 0,01%. Apesar do desvio no dado geral, a trajetória em 12 meses teve alívio ao passar de 4,64% em junho para 4,44% em julho. A análise dos detalhes mostra um comportamento menos preocupante, já que a pressão partiu de itens voláteis, como alimentação em casa e higiene pessoal, enquanto as medidas de núcleos desaceleraram na comparação sequencial e o percentual de itens com alta seguiu em queda.

Desempenho operacional da Gerdau

Com valorização de cerca de 20% ao longo do ano, a Gerdau (GGBR4) vem se destacando no mercado, impulsionada pelo resultado consistente e em expansão das suas operações na América do Norte. Apesar das discussões entre investidores sobre a durabilidade desse ritmo, os dados operacionais mais recentes sinalizam aquecimento continuado na siderurgia dos Estados Unidos. Em contrapartida, o cenário doméstico enfrenta consumo desaquecido e volatilidade nas cotações, ainda que os aportes estratégicos em andamento devam promover uma recuperação progressiva das margens operacionais no país.

Desempenho na safra do segundo trimestre

O Banco do Brasil (BBAS3) divulgou números acima das estimativas de mercado durante a safra do 2T26, embora a perda de qualidade no crédito para pessoas físicas imponha obstáculos ao cumprimento das metas anuais. No mesmo período, a Cury (CURY3) entregou métricas operacionais sólidas e alinhadas às projeções do mercado, apresentando leve superávit em faturamento e rentabilidade bruta frente às expectativas iniciais.