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A Embraer (EMBJ3) pode estar diante de uma das maiores oportunidades de crescimento de sua divisão de Defesa & Segurança, aponta o JPMorgan. Os analistas ressaltam que a fabricante brasileira surge como uma das candidatas ao processo de aquisição de até 80 aeronaves militares de transporte pela Índia, um contrato estimado em cerca de US$ 10 bilhões.
Caso conquiste o pedido com o cargueiro militar KC-390, a encomenda poderia elevar em aproximadamente 160% a carteira de pedidos da área de Defesa & Segurança e ampliar em cerca de 30% o backlog consolidado da companhia.
O JPMorgan calcula ainda que, mantido o múltiplo atual de valor da firma sobre carteira de encomendas (EV/Backlog), o contrato teria potencial para adicionar cerca de 30% ao valor das ações da fabricante brasileira. Mesmo considerando a média histórica do indicador em 2026, o potencial de valorização seria de aproximadamente 15%.
Atualmente, a Embraer negocia a cerca de 8,7 vezes o EV/Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) projetado para 2027, abaixo de pares globais do setor aeroespacial e de defesa, segundo o banco.
A análise do JPMorgan ocorre após o governo indiano iniciar um processo para aquisição de aeronaves de transporte militar de médio porte destinadas a substituir parte de sua frota atual e reforçar capacidades logísticas estratégicas. Entre os requisitos estão a capacidade de transportar veículos blindados leves e tanques, operar em pistas curtas e não preparadas, além de executar missões noturnas e operações especiais.
O modelo de contratação também exige transferência gradual de produção para o país. Pelas regras da concorrência, 12 aeronaves seriam importadas prontas, enquanto as 48 unidades seguintes seriam produzidas e montadas localmente por meio de uma joint venture entre o vencedor do certame e um parceiro indiano.
Na visão do JPMorgan, o KC-390 atende aos requisitos da licitação e já acumula avanços relevantes em mercados internacionais. O banco destaca que a aeronave conta atualmente com um backlog de 42 unidades ainda não entregues, além de seleções já anunciadas por países como Eslováquia, Lituânia, Grécia e Colômbia, que ainda devem ser convertidas em pedidos firmes.
Além da Índia, o relatório aponta que a Embraer mantém negociações ou é vista como potencial fornecedora em diversos mercados, incluindo Arábia Saudita, Polônia, Angola, Chile, África do Sul e Marrocos. Somadas, essas oportunidades poderiam representar até 149 aeronaves adicionais e cerca de US$ 17,9 bilhões em potenciais contratos futuros.
Para o JPMorgan, porém, a disputa indiana se destaca pelo tamanho. Sozinha, a possível encomenda de 80 aeronaves teria valor superior ao backlog atual da divisão de Defesa & Segurança da Embraer, tornando-se um dos eventos mais relevantes para a história recente do programa KC-390.
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O banco tem recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para os ativos.
