Amazon e Nubank pré-locam espaços antes de entrega; entenda a corrida por escritórios

Segundo levantamento exclusivo da Binswanger Brazil, a combinação entre oferta mais restrita e demanda aquecida tem levado a pré-locações

Ativos mencionados na matéria

Publicidade

O mercado de escritórios de alto padrão em São Paulo atravessa um cenário diferente após a pandemia. O período pós-isolamento vem sendo marcado pelo retorno gradual das empresas aos escritórios e pelo aumento da procura por imóveis de qualidade e bem localizados.

Segundo levantamento exclusivo da Binswanger Brazil, a combinação entre oferta mais restrita e demanda aquecida tem levado algumas companhias a antecipar a contratação de espaços ainda em construção. A estratégia permite garantir localização e padrão construtivo antes mesmo da entrega dos empreendimentos.

Um dos exemplos mais recentes é a Amazon, que contratou 39.229 metros quadrados no Biosquare, em Pinheiros, na capital paulista. Embora a locação tenha sido contabilizada no segundo trimestre deste ano, a pré-locação foi realizada em março de 2025, antes da conclusão do empreendimento.

“A movimentação foi registrada no segundo trimestre deste ano em função da entrega e do habite-se do empreendimento, mas a pré-locação ocorreu em março de 2025”, afirma Simone Santos, sócia-diretora da Binswanger Brazil.

O movimento também aparece em outros empreendimentos de alto padrão. O Cyrela Oscar Freire Corporate, que chegou ao mercado paulistano em agosto, terá sua locação contabilizada no terceiro trimestre.

Antes mesmo da entrega, o Nubank já havia contratado espaços no edifício, enquanto a própria Cyrela definiu que ocupará parte das áreas.

Leia Mais: Mercado imobiliário vai bem, mas os FIIs nem sempre acompanham; entenda por quê

Empresas antecipam contratos diante da oferta limitada

Entre abril e junho, a locação do Biosquare pela Amazon foi a maior contratação de escritórios registrada em São Paulo. Na sequência, aparecem a Claro Brasil, que alugou 9.590 metros quadrados no Quota Corporate, e a Braskem, com 8.951 metros quadrados contratados no Alto das Nações, segundo a Binswanger.

A movimentação elevou a presença da Amazon no mercado corporativo paulistano. Ao final do segundo trimestre, a companhia havia se tornado a quarta maior ocupante de escritórios da cidade, com aproximadamente 56 mil metros quadrados.

Continua depois da publicidade

A pré-locação ganha relevância justamente porque empreendimentos entregues com parte relevante das áreas já contratadas têm impacto menor sobre a taxa de vacância. Na prática, parte da demanda é absorvida antes mesmo de o novo estoque chegar oficialmente ao mercado.

Esse comportamento ajuda a explicar a combinação entre novas entregas e uma taxa de espaços vagos ainda reduzida. De acordo com a pesquisa da Binswanger, a vacância dos escritórios em São Paulo ficou em 12,1% no segundo trimestre, o menor nível da série histórica.

Ao mesmo tempo, o preço pedido pelos proprietários continuou avançando e atingiu R$ 138,20 por metro quadrado, também um recorde para o mercado paulistano. O cenário reforça a disputa por imóveis de maior qualidade e localizados em regiões consideradas estratégicas pelas empresas.

Continua depois da publicidade

Mercado corporativo muda após pandemia

O desempenho do mercado contrasta com as expectativas que surgiram durante a pandemia de Covid-19, quando havia projeções de uma devolução significativa de escritórios diante da expansão do trabalho remoto, diz a Binswanger.

Com a retomada das atividades presenciais e a adoção de modelos híbridos, porém, a demanda passou a se concentrar em imóveis capazes de oferecer localização, infraestrutura e padrão construtivo adequados às novas necessidades das companhias

Leis Mais: O que Cyrela e empresas de shopping revelam sobre a “nova carteira” do FII TRXF11?