Baixos níveis do rio Reno estão prejudicando a indústria alemã

Produtores químicos, concessionárias de ‌serviços públicos, siderúrgicas e comerciantes agrícolas alertaram para o aumento dos custos, gargalos no transporte e redução da produção

O ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Carsten Schneider, caminha sobre pedras no leito seco da via navegável mais movimentada da Europa, o rio Reno, durante sua visita para inspecionar a seca que afeta a maior parte do oeste da Alemanha, em Bonn, Alemanha, 19 de maio de 2025. REUTERS/Wolfgang Rattay
O ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Carsten Schneider, caminha sobre pedras no leito seco da via navegável mais movimentada da Europa, o rio Reno, durante sua visita para inspecionar a seca que afeta a maior parte do oeste da Alemanha, em Bonn, Alemanha, 19 de maio de 2025. REUTERS/Wolfgang Rattay

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FRANKFURT, 12 Ago (Reuters) – ⁠Empresas alemãs estão relatando crescentes transtornos causados pelos níveis ⁠de água do Reno, que atingiram mínimas históricas, com produtores químicos, concessionárias de ‌serviços públicos, siderúrgicas e comerciantes agrícolas alertando para o aumento dos custos, gargalos no transporte e redução da produção.

Embora a Alemanha ainda não tenha sofrido as interrupções generalizadas ‌na produção observadas durante crises anteriores do Reno, comerciantes afirmaram na terça-feira que já não era mais possível agendar alguns embarques de carga após semanas de seca, e as empresas vêm relatando cada vez mais problemas operacionais.

A empresa química Covestro afirmou que a falta de capacidade de transporte não pôde ser totalmente compensada, apesar da transferência de volumes para caminhões ⁠e ‌trens sempre que possível, e declarou força maior para os polióis de poliéter fabricados ⁠em sua unidade de Dormagen, utilizados em colchões e no isolamento de geladeiras.

EMPRESAS ENFRENTAM CUSTOS DE FRETE MAIS ALTOS

O Reno é uma das principais artérias da Europa para o transporte de grãos, combustíveis, minerais e produtos manufaturados, mas suas águas rasas estão cada vez mais fazendo com que as empresas enfrentem custos de frete ​mais altos e a falta de alternativas adequadas.

“Os sinais de alarme estão soando alto: os níveis extremamente baixos de água estão levando cada vez mais a logística ​e as cadeias de abastecimento ao limite”, disse Wolfgang Grosse Entrup, presidente-executivo da associação alemã da indústria química VCI, à Reuters.

A produção no parque químico da rival Evonik em Marl tem sido prejudicada pela redução das cargas, informou a empresa, sem divulgar mais detalhes.

A concessionária estatal Uniper, por sua vez, apontou para uma menor produção em ‌suas usinas hidrelétricas na Alemanha, em sintonia com comentários semelhantes ​da rival local EnBW na semana passada.

A Salzgitter, segunda maior siderúrgica da Alemanha, disse que os baixos níveis do rio Reno a forçaram a transportar carvão por trem de Roterdã para sua divisão HKM.

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“A situação ⁠atual mostra que precisamos dar ​mais atenção às vias ​navegáveis como parte de nossa infraestrutura crítica de transporte”, declarou Tim-Oliver Mueller, presidente da Federação Alemã da Indústria da ⁠Construção, à Reuters.

“Os baixos níveis de água não ​podem ser evitados.”

Ele explicou que certos materiais de construção não podem ser facilmente transportados por rodovia ou ferrovia devido à falta de capacidade e aos grandes volumes, sendo necessários até 150 caminhões ​para substituir uma única barcaça.

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Na empresa alemã de comercialização agrícola RWZ, a executiva Katharina Stelzer descreveu a perspectiva de os níveis do Reno caírem ainda ​mais como “catastrófica”.

Stelzer disse que, ⁠em anos normais, a empresa costumava embarcar 50.000 toneladas ou mais de seus terminais fluviais nas cidades alemãs de ⁠Worms e Andernach nos meses de julho e agosto.

Segundo ela, a RWZ não chegou a embarcar nem 10% desse volume no período correspondente deste ano e estava mudando para o transporte por caminhão, mais caro.

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“Se os níveis do Reno não se recuperarem em outubro, a situação ficará realmente difícil para nós”, disse.