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Apesar da confirmação de um forte fenômeno El Niño, o JPMorgan avaliou que as condições climáticas permanecem dentro da normalidade, sem sinais que justifiquem uma revisão da tese de investimento para as empresas sob cobertura.
Nesse contexto, o o banco manteve recomendação neutra para SLC Agrícola (SLCE3) e São Martinho (SMTO3) e underweight (exposição abaixo da média, equivalente à venda) para Adecoagro (AGRO).
Segundo a equipe de analistas lidera por Lucas Ferreira, o volume de chuvas em julho ficou, de forma geral, em linha com as expectativas.
No caso de SLC, as precipitações acima da média em grande parte das fazendas de Mato Grosso compensaram volumes abaixo da média em algumas propriedades do MATOPIBA.
Já Adecoagro e São Martinho também registraram chuvas dentro do intervalo esperado, embora em níveis mais moderados após dois meses bastante chuvosos, em maio e junho.
Segundo o JPMorgan, apesar da incerteza inerente às projeções climáticas, não há, neste momento, anomalias relevantes.
Previsões para setembro e outubro
Em relação ao relatório anterior, as projeções de chuva para setembro e outubro passaram por revisões distintas entre as principais regiões agrícolas, indicando aumento da dispersão dos riscos, ainda que os dados observados até agora não mostrem grandes desvios.
No Brasil, Mato Grosso continua com expectativa de chuvas acima da média em setembro, mas a projeção foi reduzida em relação ao mês anterior, passando de 27,2% para 16% acima da média histórica de 30 anos. Já o MATOPIBA segue com previsão de precipitações significativamente abaixo da média até outubro, cerca de 31% inferiores ao padrão histórico.
Nos Estados Unidos, setembro passou a ter previsão de chuvas ligeiramente abaixo da média em Iowa e Illinois, enquanto outubro continua indicando precipitações modestamente superiores ao normal.
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Na Índia, importante referência para o mercado de açúcar, Uttar Pradesh e Maharashtra também devem registrar chuvas abaixo da média entre setembro e outubro, em linha com um cenário de enfraquecimento tardio das monções.
Risco aumenta para a safra brasileira de soja
Para um horizonte mais longo, especialmente durante a janela de desenvolvimento da soja no Brasil, o modelo climático do ECMWF aponta um cenário mais seco.
Em Mato Grosso, as chuvas entre novembro de 2026 e fevereiro de 2027 podem ficar cerca de 20% abaixo da média histórica. No MATOPIBA, o cenário é ainda mais desfavorável, com precipitações entre 20% e 60% inferiores ao normal durante o quarto trimestre de 2026 e o primeiro trimestre de 2027.
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Por outro lado, o Rio Grande do Sul tende a registrar um volume de chuvas significativamente acima da média até o fim do ano.
Mesmo assim, o JPMorgan considera prematuro reagir às projeções, uma vez que o plantio nas principais regiões produtoras da América Latina ainda está no início.
Soja e milho
O banco ressalta que não existe uma regra histórica que associe automaticamente o El Niño à valorização dos preços da soja e do milho, já que o impacto sobre a produtividade varia conforme a região.
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Nos anos de El Niño, a produtividade da soja caiu, em média, cerca de 8 sacas por hectare em Mato Grosso e 5 sacas por hectare no MATOPIBA, embora haja grande variação entre diferentes safras.
No caso da cana-de-açúcar, a relação é mais consistente. Segundo o estudo, anos de El Niño costumam estar associados a ganhos de produtividade entre 10% e 20% na região Centro-Sul, ainda que chuvas excessivas possam prejudicar o ritmo da colheita.
Para as empresas acompanhadas pelo banco, a conclusão é que ainda não há sinais concretos de deterioração das condições climáticas, mas o cenário exige monitoramento mais próximo nos próximos meses, principalmente no MATOPIBA, onde os riscos para a produtividade podem aumentar rapidamente caso as previsões de menor volume de chuvas se confirmem.
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