Fase boa da Usiminas passou: XP dá três razões para visão mais moderada para a ação

Demanda por aço e medidas antidumping não devem sustentar novas altas

Erick Souza

Ativos mencionados na matéria

Funcionário trabalha em alto-forno da Usiminas em Ipatinga, Minas Gerais, Brasil 17 de abril de 2018 REUTERS/Alexandre Mota
Funcionário trabalha em alto-forno da Usiminas em Ipatinga, Minas Gerais, Brasil 17 de abril de 2018 REUTERS/Alexandre Mota

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As ações da Usiminas (USIM5) tiveram forte alta desde o início do ano até meados do segundo trimestre. Para os analistas da XP Investimentos, entretanto, o melhor da companhia já passou e, daqui para frente, o cenário deve ser menos construtivo.

Com a queda das importações e o impacto das medidas antidumping implementadas em fevereiro deste ano, as ações da companhia quase dobraram por volta do mês de maio.

Desde então, o mercado desceu um pouco o tom para uma abordagem mais moderada.

De acordo com a XP, os mesmos três fatores que impulsionaram as ações da companhia, podem acabar sendo a razão da virada nos próximos trimestres — e têm mantido os investidores em alerta, também.

São eles: (i) tendências mais fracas de demanda, (ii) benefícios incrementais limitados de novas iniciativas de defesa e (iii) pressões crescentes de custos (como destacado pela perspectiva da companhia para o 3T26), que podem voltar a atuar como ventos contrários para a lucratividade a partir do 3T26.

Segundo os analistas, a demanda por aço, os efeitos prolongados das medidas antidumping e a perspectiva para o próximo trimestre estão deixando os investidores mais céticos em relação a um upside relevante para os preços domésticos do aço no curto prazo.

Conforme as checagens da XP, tanto o segmento de distribuição quanto industrial têm demonstrado uma desaceleração da demanda. Ainda que veículos leves permaneçam relativamente resilientes, os juros mais elevados têm puxado os pedidos para baixo.

Além disso, com o aumento recente das importações de HRC (um produto de aço), os analistas acreditam que as medidas antidumping não tenham impacto material sobre os preços domésticos. Atualmente, a importação já representa cerca de 10% da demanda aparente.

Terceiro trimestre

De olho no futuro, os analistas passaram a considerar o terceiro trimestre como o início de resultados estáveis ou uma piora sequencial na mineração. Para a XP, custos mais elevados de placas devem ser o principal vento contrário para as margens no 3º tri.

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Ao mesmo tempo, a alta dos preços do coque desde abril deste ano pode representar uma pressão adicional para o 4º tri. A estimativa da casa é de um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) de R$ 650-660 milhões no terceiro trimestre.

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A visão é reforçada por outros analistas, como os do Bradesco BBI. De acordo com o banco, a dinâmica de lucros da companhia deve seguir perdendo força daqui para frente, devido à fraqueza do mercado de aços planos e pressões de custos com matérias-primas.

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“Consideramos as estimativas de consenso atuais muito otimistas e vemos riscos de baixa para as projeções do próximo trimestre, o que nos leva a reiterar nossa postura cautelosa e recomendação neutra para os papéis”, apontou o BBI.