As escolhas do JPMorgan em ações de “utilities” após desempenho abaixo do setor

Com a disparada das taxas reais e a queda nos preços de energia no curto prazo, análise indica postura mais seletiva para o setor e divide apostas entre nomes táticos, estruturais e defensivos

Victória Anhesini

Ativos mencionados na matéria

Linhas de energia conectando postes de eletricidade de alta tensão. REUTERS/Jon Nazca
Linhas de energia conectando postes de eletricidade de alta tensão. REUTERS/Jon Nazca

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A forte correção observada nas ações do setor de utilidade pública (utilities) levou o JPMorgan a adotar uma postura mais criteriosa na escolha de papéis do segmento. Em relatório, os analistas do banco de investimentos lembram que o setor acumulou queda de 14% em um trimestre, ficando 5 pontos percentuais abaixo do Ibovespa. 

A equipe de análise do JPMorgan aponta que o aumento no prêmio de risco do setor veio acompanhado de maior incerteza macroeconômica e operacional.

Dentre os motivos da baixa trimestral, o custo macroeconômico representa o principal obstáculo no momento. Segundo o relatório, as taxas de juros reais no Brasil registraram avanço de 60 pontos-base nos últimos três meses, e os economistas do banco projetam que as taxas nominais devem encerrar o ano de 2027 no patamar de 12,25%. 

Caso esse ambiente de juros maiores persista por um período prolongado, as empresas do setor tendem a enfrentar pressões decorrentes do alto nível de alavancagem dos balanços, que atinge uma média de 3 vezes na relação entre Dívida Líquida e Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), o que impulsiona revisões para baixo no Lucro Por Ação (LPA) e comprime o prêmio de risco do segmento.

Além dos fatores macroeconômicos, o ambiente micro também sente ventos contrários, com desaceleração operacional das companhias. Os analistas afirmam que as estimativas foram impactadas pelo declínio de 30% nos preços de energia projetados para o segundo e terceiro trimestres de 2026, somado a um leve aumento nas despesas operacionais e à perspectiva de menor distribuição de dividendos aos acionistas. 

Diante dessa combinação, a casa de análise promoveu cortes em suas estimativas de resultados para o ano de 2026 de empresas como a Sabesp (SBSP3), a Axia (AXIA3) e a Copel (CPLE3).

“Nossa cobertura para o setor de Utilidade Pública torna-se mais seletiva, apesar da venda generalizada (sell-off) de 14% nos últimos 3 meses (-5 pontos percentuais versus IBOV)”, explicam os analistas do JPMorgan, justificando a busca por ativos com gatilhos regulatórios favoráveis ou forte previsibilidade de caixa.

Divisão de perfis conforme estratégia

Por conta do cenário desfavorável de curto prazo, o JPMorgan dividiu suas preferências entre três pilares estratégicos de investimento para o setor: tático, estrutural e defensivo.

Como escolhas táticas, o banco destaca a Energisa (ENGI11), respaldada por gatilhos regulatórios no segmento de distribuição que consideram subestimados pelo mercado no segundo semestre de 2026, e a Axia (AXIA3), cujo valuation atrativo, negociando a uma taxa interna de retorno real em torno de 13,5%, favorece o programa de recompra e resgate de papéis. 

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Para as teses estruturais, a preferência vai para a Eneva (ENEV3), devido à previsibilidade dos contratos de longo prazo no segmento de gás e opcionalidade de crescimento, e sobre a Sabesp (SBSP3), posicionada para expansão orgânica com um plano de investimentos de US$ 20 bilhões em quatro anos. 

Por fim, entre os nomes defensivos, a Copel (CPLE3) surge como opção pelo balanço forte e projeção de retorno de dividendos em torno de 6%, enquanto a Alupar (ALUP11) se destaca por ter 20% das suas receitas atreladas ao dólar (USD) e fluxo de caixa contratado.

Já quando se trata de discussões sobre riscos e potenciais surpresas positivas no setor de distribuição, os analistas reforçam que revisões em parâmetros normativos podem beneficiar os ativos. 

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Ao mencionar o fator de produtividade, por exemplo, representam um potencial de valor presente líquido superior a 10% que não está totalmente precificado pelos investidores. Adicionalmente, caso os juros sigam elevados por mais tempo, o WACC (Custo Médio Ponderado de Capital) regulatório permitido para as distribuidoras pode ser fixado em patamares superiores. Porém, o banco adota a premissa conservadora de que esses retornos cairão nos próximos anos antes de se recuperarem para a faixa de 8% em termos reais. 

No segmento de geração, o modelo do banco assume o preço de energia de longo prazo em R$ 220 por megawatt-hora (MWh), mas pondera que o custo de capital mais alto pode elevar o custo marginal de expansão do sistema.

“Levando em consideração essa configuração adversa, apresentamos escolhas de ações com diferentes perfis, ao passo que equilibramos valuations e assimetria de risco”, aponta o levantamento do JPMorgan, justificando a combinação de teses.

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Panorama consolidado

Abaixo, o relatório do JPMorgan compila o resumo das teses operacionais, riscos e avaliações para as empresas sob cobertura, projetando o valor justo das ações para o encerramento de 2027:

EmpresaRecomendaçãoPreço-Alvo (Dez/2027)
AluparOverweight (Compra)R$ 41,00
Auren EnergiaNeutroR$ 15,50
AxiaOverweight (Compra)R$ 67,50
CemigUnderweight (Venda)R$ 13,00
CopasaOverweight (Compra)R$ 78,00
CopelOverweight (Compra)R$ 17,00
CPFL EnergiaNeutroR$ 50,00
EnergisaOverweight (Compra)R$ 59,00
Engie BrasilUnderweight (Venda)R$ 31,00
EnevaOverweight (Compra)R$ 32,00 (Dez/2026)