Qual quantidade de proteína ideal para consumir com o uso de canetas emagrecedoras?

O tratamento deve construir uma rotina que continue existindo independentemente da medicação

Camila Lutfi

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As canetas emagrecedoras, como Ozempic, Mounjaro e Ozivy, se popularizaram como uma forma rápida de perder peso e combater a obesidade. Em contrapartida, quem utiliza esses produtos também perde massa muscular no processo.

Entre as prioridades para um tratamento adequado, estão mitigar os efeitos colaterais gastrointestinais, reduzir o risco de deficiência de micronutrientes e preservar a massa magra por meio de ingestão adequada de proteínas, fibras, líquidos e alimentos ricos em nutrientes.

É o que indica um consenso internacional dedicado ao uso desses medicamentos elaborado por três entidades europeias ligadas ao tratamento da obesidade (EASO-EFAD-ECPO) e publicado no início do mês na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology.

O processo de emagrecimento, em geral, resulta também em perda de massa magra. O Dr. Renato Zilli, endocrinologista, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e do Corpo Clínico do Hospital Sirio Libanês, revela ao InfoMoney que o ideal, portanto, não é esperar perder músculo para depois recuperá-lo, mas atuar desde o início para preservá-lo.

“Isso envolve exercícios de força com progressão de carga, ingestão adequada de proteínas e calorias, sono de qualidade e acompanhamento da composição corporal e da força física”, afirma.

Caso já tenha ocorrido uma perda muscular relevante, a recuperação deve ser gradual, combinando musculação orientada e um plano alimentar individualizado. Idosos e pessoas que já apresentavam pouca massa muscular exigem atenção especial.

Quanto de proteína ingerir ao usar canetas emagrecedoras?

No consenso internacional, a recomendação é ingerir entre 1 a 1,5 grama de proteína por quilo de peso ajustado — com um mínimo de 60 gramas por dia, distribuídas ao longo das refeições.

Já o médico Renato Zilli indica que costuma-se trabalhar com aproximadamente 1,2 a 1,6 grama de proteína por quilo ao dia.

Contudo, ele alerta que esse cálculo não deve ser aplicado de maneira automática ao peso total, especialmente em pessoas com obesidade. É necessário considerar peso de referência, massa magra, idade, atividade física e função renal.

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Também é importante distribuir a proteína ao longo do dia, em vez de concentrá-la em apenas uma refeição.

os carboidratos não precisam ser eliminados: frutas, legumes, feijões e cereais integrais fornecem fibras, vitaminas dão energia para a atividade física. Gorduras de boa qualidade, hidratação e variedade alimentar também são fundamentais, na avaliação do especialista.

“Não existe uma proporção única de macronutrientes adequada para todos”, reforça Zilli.

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Existe momento de parar?

O tempo do tratamento não é único. Um processo de emagrecimento pode ser mantido por longo prazo ou não, a depender da doença a ser tratada: obesidade, hipertensão e diabetes.

“A decisão de reduzir a dose ou suspender o medicamento deve ser individualizada, considerando estabilidade do peso, efeitos colaterais, condições clínicas, planejamento de gravidez, custo e capacidade de manter o acompanhamento”, explica o médico, que acrescenta que a suspensão não deve ser feita por conta própria nem porque a pessoa atingiu determinado número na balança.

Isso porque o medicamento controla mecanismos biológicos de fome e saciedade, mas não elimina definitivamente a predisposição ao ganho de peso.

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Para reduzir esse risco, o tratamento deve construir uma rotina que continue existindo independentemente da medicação: alimentação estruturada, proteína adequada, musculação, atividade aeróbica, sono, controle do estresse e acompanhamento médico e nutricional.

“Em alguns pacientes, a melhor estratégia será manter uma dose de tratamento ou manutenção [das canetas]. O objetivo não é apenas emagrecer, mas preservar músculos, saúde metabólica e qualidade de vida ao longo dos anos”, afirma.