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Fernando Beto perde R$ 35 mil no day trade, mas fecha mês no positivo

Ao combinar swing trade, opções e menor alavancagem, trader evitou que o prejuízo no índice comprometesse o resultado mensal

Bruno Nadai

Conteúdo XP

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Um prejuízo de R$ 35 mil no day trade com índice poderia ter comprometido todo o resultado mensal. Entretanto, o período terminou no campo positivo após os ganhos obtidos com operações de swing trade e opções compensarem a perda.

O episódio mostra como a diversificação e o controle da alavancagem podem mudar a forma de administrar os riscos do mercado.

Fernando Beto foi o convidado do episódio 80 do programa GainDelas, no canal GainCast.

Ele explicou como conseguiu absorver o resultado negativo, relembrou os erros que marcaram seus primeiros anos e contou por que a experiência como empresário foi decisiva para abandonar a expectativa de ganhos rápidos e passar a tratar o day trade como uma atividade profissional.

Prejuízo sem ruptura

A perda de R$ 35 mil ocorreu exclusivamente no day trade com índice. Portanto, o número isolado não representava o desempenho de todo o capital destinado ao mercado.

Como Beto também mantinha posições em outros horizontes e instrumentos, os ganhos obtidos no swing trade e nas opções superaram o prejuízo intradiário. “Só que eu operei no swing e opções e eu fiquei positivo”, revela.

Além de diversificar as estratégias, Beto afirma trabalhar com exposição inferior ao limite permitido pela margem.

Em períodos políticos e de maior volatilidade, essa escolha amplia o espaço para conduzir posições e evita que oscilações normais forcem saídas precipitadas. Consequentemente, também reduz a pressão por ganhos imediatos.

“É um ano volátil, é um ano bom para quem sabe trabalhar desalavancado. É um ano muito bom”, avalia.

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Quando a volatilidade aumenta, ele também amplia a distância entre as entradas, mesmo que isso reduza o ganho caso o mercado retome rapidamente o comportamento anterior. A prioridade, assim, é preservar o capital enquanto avalia o novo cenário.

“Então, se era para pegar lá tipo R$ 1.000, R$ 1.500, peguei lá R$ 500 só. Está tudo certo”, salienta.

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Mentalidade de empresário

A capacidade de conviver com resultados variáveis começou a ser construída antes do day trade. Ao comprar um auto center, Beto investiu R$ 70 mil e continuou aportando recursos durante seis meses para pagar aluguel, funcionários e outras despesas.

No mercado, em contraste, depositava valores menores e esperava retornos desproporcionais, sem considerar o tempo necessário para desenvolver uma atividade consistente.

Ao reconhecer a incoerência, o trader passou a relacionar capital, risco e expectativa de retorno. Em vez de buscar multiplicações rápidas, decidiu tratar a conta como o patrimônio de uma empresa.

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A mudança também reduziu a pressão sobre cada operação. “Comecei a olhar pro todo como de fato um empreendimento e aí sim as coisas começaram a funcionar”, afirma.

Nesse novo modelo, uma conta de R$ 20 mil deveria produzir, em média, entre 3% e 5% ao mês. Embora outros operadores apontassem a possibilidade de retornos superiores, Beto preferiu seguir uma trajetória que considerava sustentável.

Além disso, deixou de esperar que contas pequenas pagassem despesas incompatíveis com seu tamanho. “Você pode começar com R$ 300 na corretora, ela permite, mas você vai fazer salário com isso? Não”, destaca.

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O ganho virou perda

Antes de alcançar essa visão, Beto também atravessou a fase de euforia comum a muitos iniciantes.

Enquanto administrava o auto center e buscava outra fonte de receita, começou a pesquisar investimentos, comprou ações pensando no médio e longo prazo e encontrou o day trade.

A primeira sequência positiva, contudo, alimentou uma percepção distorcida sobre sua capacidade. “No primeiro ano apanhei muito porque eu achei que eu era o cara”, conta.

Naquele período, os R$ 300 iniciais viraram R$ 2,7 mil em oito pregões. O avanço de nove vezes sobre o valor de partida fez o trader projetar quanto poderia ganhar em um mês ou acumular em alguns anos.

Entretanto, o mercado interrompeu a euforia no pregão seguinte. “E aí no nono dia aconteceu o quê? Em um único dia foi oito dias para ganhar e um dia para perder”, recorda.

Depois do prejuízo, Beto percebeu a distância entre ganhar ocasionalmente e repetir resultados. Por isso, passou a estudar diferentes técnicas, enfrentou novas ilusões e procurou um operacional que pudesse executar com regularidade.

O processo levou aproximadamente dois anos e, somente após sustentar o desempenho por mais um ano, ele vendeu o auto center para se dedicar ao mercado. “Dois anos depois, de fato, comecei a ter uma consistência”, relata.

Leia também: Volatilidade muda a dinâmica do mercado e exige nova postura do trader

Mercado como profissão

Mesmo depois de desenvolver um operacional, o amadurecimento ainda dependia de uma mudança comportamental. Beto conta que, após alcançar o resultado estipulado pela manhã, continuava operando para sentir que estava trabalhando.

Em casa, chegava a vestir calça, camisa e bota antes de abrir a plataforma, reproduzindo a rotina física dos negócios anteriores. “Eu não conseguia parar de operar”, admite.

Além disso, a necessidade de acompanhar o mercado avançava sobre os fins de semana. A mudança começou quando sua esposa percebeu que ele ficava frustrado sem pregão e chamou atenção para o impacto na convivência familiar.

A partir dali, Beto passou a evitar gráficos e grupos depois de encerrar as operações. “Eu percebi que de fato eu comecei a amadurecer e comecei a olhar pro mercado como uma profissão”, reconhece.

Essa separação permitiu ao trader aproveitar a liberdade que buscava quando entrou no day trade. Em vez de permanecer disponível para o mercado o tempo inteiro, ele estabeleceu limites entre trabalho e vida pessoal.

Dessa forma, a consistência não surgiu da eliminação das perdas, mas da capacidade de reconhecer padrões, controlar riscos e aceitar mudanças. “É o autoconhecimento. Não adianta. Se você não se conhecer, não adianta”, conclui.

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