Juros futuros despencam com deflação nos EUA e atuação defensiva do Tesouro

As taxas dos DIs acompanharam o recuo dos rendimentos dos Treasuries após o CPI americano de junho cair mais que o esperado, em dia de oferta contida de títulos públicos no Brasil

Reuters

Dinheiro (Foto: Unsplash)
Dinheiro (Foto: Unsplash)

Publicidade

SÃO PAULO, 14 Jul (Reuters) – As ⁠taxas dos DIs fecharam a terça-feira em queda, acompanhando o ⁠recuo firme dos rendimentos dos Treasuries no exterior após os EUA registrarem deflação maior ‌que o esperado pelo mercado em junho.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,87%, com baixa de 14 pontos-base ante o ajuste de ‌14,011% da sessão anterior. O DI para janeiro de 2035 marcou 14,3%, com recuo de 8 pontos-base ante 14,381.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos recuou 0,4% em junho, conforme o Departamento do Trabalho, mais que a projeção de queda de 0,1% dos economistas consultados em pesquisa da Reuters. Nos 12 meses até junho, o CPI subiu 3,5%, ⁠menos ‌que os 3,8% projetados.

O núcleo de inflação, que exclui componentes voláteis como alimentos e energia, ⁠ficou estável em junho e subiu 2,6% na base anual — menos que os 2,9% anteriores.

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a surpresa tanto no índice cheio quanto no núcleo “reforça a leitura de arrefecimento da inflação americana no curto prazo’.

‘Esse arrefecimento, porém, deve-se principalmente à queda pontual dos preços de energia em junho, favorecida pela trégua no conflito ​do Oriente Médio, que já reverteu nas últimas semanas com a volta da escalada e do petróleo em alta’, acrescentou.

O CPI foi bem recebido pelos investidores, que reduziram as ​apostas de que o Federal Reserve subirá sua taxa de referência, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, no fim deste mês.

Com isso, os rendimentos dos Treasuries despencaram, colocando a curva brasileira também para baixo, em paralelo ao recuo firme do dólar ante o real, para menos de R$5,10.

Após marcar o nível máximo de 14,065% (+5 pontos-base) às 9h09, antes do ‌CPI, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a ​mínima de 13,860% (-15 pontos-base) às 12h25, já após a divulgação dos números. A taxa do DI para janeiro de 2035 marcou a mínima de 14,250% (-13 pontos-base) às 12h23.

Continua depois da publicidade

No fim da manhã, a atuação do Tesouro no leilão regular ⁠de títulos no Brasil corroborou a ​baixa das taxas dos ​DIs. O órgão vendeu 1,250 milhão de Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos indexados à taxa básica Selic, e apenas 150 ⁠mil Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-Bs), papéis ​vinculados à inflação.

Como vem ocorrendo nas últimas semanas, o Tesouro optou por uma oferta pequena de NTN-Bs para não gerar uma pressão de alta de taxas na curva a termo brasileira.

No exterior, além do CPI, ​os investidores seguiram monitorando o conflito entre EUA e Irã e a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz.

Continua depois da publicidade

O presidente dos EUA, Donald Trump, recuou em ​relação à proposta de cobrar ⁠uma taxa de trânsito dos navios de 20% para proteger a hidrovia, afirmando que, em vez disso, buscaria acordos de investimento ⁠com os países do Golfo Pérsico. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a possível cobrança dos EUA como “pirataria”.

Às 16h34, o rendimento do Treasury de dois anos — que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo — tinha queda de 7 pontos-base, a 4,189%. O rendimento do Treasury de dez anos –referência global para decisões de investimento– caía 3 pontos-base, a ​4,579%.

Tópicos relacionados