Morgan Stanley vê mais cortes da Selic e eleva aposta em renda fixa brasileira

Braço de gestão do banco afirma que alta recente da inflação puxada pelo petróleo deve ser passageira, com desaceleração da economia reforçando a queda de preços e abrindo espaço para o BC intensificar o ciclo de cortes

Paulo Barros

(Foto: Divulgação)
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Títulos públicos brasileiros de três anos ganharam uma posição overweight (equivalente a compra) na carteira global do Morgan Stanley Investment Management. A gestora projeta aceleração dos cortes de juros pelo Banco Central ainda no segundo semestre deste ano.

A posição em papéis brasileiros faz parte de uma exposição mais ampla a títulos em moeda local de mercados emergentes, segundo relatório trimestral de alocação da casa. A gestora cita juros acima de 14% e a meta de inflação de 3% como justificativa para a tese. Na avaliação dos estrategistas, o afrouxamento monetário deve impulsionar o crescimento, melhorar o déficit fiscal e atrair fluxo de investidores, o que sustentaria o real.

O banco reconhece que os preços de energia elevaram o IPCA de maio, levando o Banco Central a adotar um tom mais duro. Ainda assim, a Morgan Stanley classifica essa pressão como transitória e aposta que a reversão do petróleo e o avanço da desinflação doméstica devolverão fôlego ao ciclo de flexibilização.

Em linha com a tese, o IPCA de junho ficou bem abaixo da expectativa de 0,31% e em desaceleração ante a alta de 0,58% de maio. O acumulado em 12 meses recuou para 4,64%, ainda acima do teto da meta, mas em trajetória de queda. Nesta segunda-feira (13), o Boletim Focus reduziu a projeção de inflação para 2026 de 5,30% para 5,16%, enquanto a estimativa para a Selic no fim do ano seguiu em 14%.

A gestora observa que o ritmo da atividade já vinha mais lento nos últimos meses, mas avalia que o movimento não se esgotou. Como sustentação, acompanha a utilização da capacidade instalada da economia brasileira, indicador que antecede a inflação núcleo com defasagem de nove meses e hoje aponta para uma desaceleração capaz de puxar os preços para baixo à frente.

Paulo Barros

Jornalista há mais de 15 anos, editor de Investimentos no InfoMoney. Escreve sobre renda fixa e variável, alocação e o universo dos criptoativos