Presidente do BoJ preocupa-se com crescimento do país e consequencias dos aportes

Massaki Shirakawa ressalta baixa nas exportações e contração nas finanças corporativas; taxa interbancária também incomoda

Publicidade

SÃO PAULO – Bastante dependente da demanda externa, a economia japonesa enfrenta um quadro difícil. Neste cenário, “as exportações caíram drasticamente no quarto trimestre e as finanças corporativas estão restritas”, analisou Massaki Shirakawa, presidente do BoJ (Bank of Japan), em pronunciamento ao comitê orçamentário do Congresso.

Para Shirakawa, a crise de crédito afeta tanto o crescimento econômico do país quanto seu sistema bancário que, embora se mantenha relativamente bem em comparação com os pares norte-americano e europeu, vê seus rendimentos se dizimarem a cada dia. Tal declínio se fundamenta na inadimplência crescente e na desvalorização acionária das instituições financeiras, em parte explicada pela aversão ao risco pelos investidores.

De olho nas decorrências

“O BoJ decidiu comprar commercial papers e ações. Mas nós guiaremos a política de olho na forma como sair destes passos”, observa o presidente da instituição, ao enxergar as possíveis consequências do aporte. Além destas medidas, especula-se que o BoJ poderá adquirir títulos corporativos também, visando prover liquidez imediata aos caixas dos bancos.

Dada a deterioração rápida da economia, investidores e bancos se mantêm resistentes para fornecerem empréstimos. Tamanha inércia se explicita através da Tibor, taxa interbancária japonesa referente a empréstimos em dólar e com vencimento em três meses,
cujo patamar insiste em permanecer acima de 0,7%, bem acima da meta para a taxa overnight do BoJ, de 0,1%.

Por fim, as possíveis falências corporativas decorrentes deste congelamento de crédito merecem atenção. Com a maior dificuldade na obtenção de empréstimos pelos grandes conglomerados, companhias menores que suprem às gigantes veem sua existência em xeque, o que poderá resultar num colapso no mercado de trabalho, ao passo que este grupo emprega cerca de 70% da PEA (População Economicamente Ativa) do país.