Natura (NATU3) sobe mais de 5% mesmo após prévia de lucro 10% menor no 2T

Mesmo com as projeções mais pessimistas de lucro, a companhia afirmou esperar uma melhora na margem EBITDA

Camille Bocanegra

Loja da Natura no Shopping Anália Franco (Foto: Divulgação)
Loja da Natura no Shopping Anália Franco (Foto: Divulgação)

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A Natura divulgou na manhã desta terça-feira (8) um fato relevante com números preliminares e não auditados do segundo trimestre de 2026, antecipando um desempenho mais fraco do que o esperado pelo mercado.

A companhia estima receita líquida consolidada entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões no período, o que representa uma queda de 9% a 10% na comparação anual. Ainda assim, os papéis da companhia operam com forte alta, chegando a ser o destaque do Ibovespa durante a manhã, avançando mais de 5%. Às 11h57, as ações sobem 3,35%, a R$ 8,33.

Mesmo com as projeções mais pessimistas de lucro, a companhia afirmou esperar uma melhora na margem EBITDA reportada em relação ao primeiro trimestre, quando o indicador ficou em 7,3%. Esse ponto, de acordo com analistas, seria o responsável pelo bom humor do mercado com os papéis.

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“Acredito que seja principalmente porque a empresa projeta expansão da margem EBITDA no trimestre, graças a menores despesas com rescisões e ganhos de eficiência do novo modelo operacional”, afirma Marcos Bassani, professor, especialista em investimentos e sócio-fundador da Boa Brasil Capital.

Dificuldades operacionais

Segundo a empresa, o resultado foi impactado principalmente por dificuldades operacionais no Brasil, incluindo falta de produtos durante o processo de estabilização do novo sistema integrado de planejamento, efeitos da migração para o SAP e a realocação da produção após o fechamento da fábrica de Interlagos.

Além disso, a Natura apontou uma redução relevante no volume do canal de venda por relacionamento, mudanças nas políticas comerciais e de preços entre canais, a transição do modelo de franquias e efeitos tributários temporários relacionados ao ICMS-ST em São Paulo.

Do lado da rentabilidade, o avanço de Ebitda antecipado seria sustentado pela redução de despesas com desligamentos e pelos ganhos de eficiência associados ao novo modelo operacional, compensando parcialmente os efeitos negativos da menor diluição dos custos.

Viés negativo para analistas

Na avaliação da XP, o anúncio tem viés negativo, embora parte das dificuldades já fosse esperada. Os analistas lembram que haviam alertado recentemente para a deterioração do canal de venda direta, mas destacam que os números divulgados ficaram abaixo de suas projeções mais recentes.

O banco previa queda de 6% na receita consolidada do segundo trimestre, ante a retração de 9% a 10% indicada pela companhia. Diante desse desempenho mais fraco, a XP avalia que o curto prazo para a Natura está mais pressionado do que o antecipado anteriormente e considera provável uma nova revisão para baixo das estimativas de resultados da empresa.

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A receita preliminar do segundo trimestre de 2026, estimada entre R$ 5,1 bilhões e R$ 5,2 bilhões, foi considerada decepcionante pelo Morgan Stanley, ficando abaixo tanto da projeção do banco, de R$ 5,6 bilhões, quanto do consenso de mercado, de R$ 5,5 bilhões. No ponto médio do intervalo divulgado pela companhia, o valor representa um resultado cerca de 9% inferior à estimativa do banco e 7% abaixo da expectativa média dos analistas.

Em relação à rentabilidade, embora a Natura tenha indicado uma expansão da margem EBITDA na comparação trimestral, não detalhou a magnitude desse avanço.

Segundo o Morgan Stanley, o mercado já esperava uma melhora expressiva, com sua projeção apontando expansão de 4,9 pontos percentuais ante o trimestre anterior, enquanto o consenso projetava alta de 6,4 pontos percentuais. Ainda assim, diante da receita mais fraca do que o esperado, os analistas veem risco de queda em suas estimativas de margem para o segundo trimestre.

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O banco ressalta que a administração da Natura não sinalizou mudanças em seu compromisso de expandir a margem EBITDA reportada ao longo de 2026, tomando como base os 14,1% registrados em 2025. No entanto, considerando a fraqueza das vendas observada no Brasil até agora, o Morgan Stanley avalia que há riscos para o cumprimento dessa meta de expansão.

Apesar de reconhecer os avanços nos esforços de simplificação da estrutura operacional da companhia, o banco afirma que os números preliminares reforçam preocupações sobre a limitada visibilidade da execução do negócio, mantendo, por isso, recomendação equivalente a desempenho em linha com o mercado (Equal Weight).

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