Nem a crise segura a Copa: consumo dispara na Argentina em dias de jogo

Levantamento aponta salto de até 90% nas compras de alimentos e bebidas

Sara Baptista

7 de julho de 2026 - Torcedores argentinos assistem à partida contra o Egito da Copa do Mundo em um bar em Buenos Aires. Foto: REUTERS/Irina Dambrauskas
7 de julho de 2026 - Torcedores argentinos assistem à partida contra o Egito da Copa do Mundo em um bar em Buenos Aires. Foto: REUTERS/Irina Dambrauskas

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Em meio a uma crise econômica que já se arrasta há anos, a Argentina passou a registrar um fenômeno incomum durante a Copa do Mundo de 2026: um forte aumento no consumo nos dias de jogos da seleção.

Um estudo da consultoria Scentia, divulgado pelo jornal argentino Página/12, mediu as mudanças nos padrões de compra dos argentinos durante o Mundial. Segundo a pesquisa, o consumo de alimentos e bebidas sobe até 90% nos dias em que a Argentina entra em campo, na comparação com datas em que a seleção não joga.

Os produtos mais procurados são aperitivos e cerveja. No dia da estreia da Argentina na Copa, as vendas de petiscos dispararam 92% em relação a um dia normal, enquanto as de cerveja avançaram 80%. Na mesma data, as vendas de frios cresceram 65% e as de pizza, 58%.

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Entre os aperitivos, as vendas de azeitonas sobem 12% em dias de jogo, as de drinques alcoólicos avançam 15%, e as de gim aumentam 16%.

Segundo o Página/12, o fenômeno foi observado em todas as primeiras partidas da seleção e se mostrou ainda mais forte quando os jogos caíram no fim de semana, como ocorreu no confronto contra a Jordânia, disputado em um sábado à noite.

Contexto de crise

Em países em que a população tem forte relação com o futebol, como Brasil e Argentina, o aumento do consumo em época de Copa do Mundo é esperado. No Brasil, por exemplo, esse movimento costuma aparecer com mais força em setores como bares e restaurantes.

No caso argentino, porém, o fenômeno chama mais atenção porque ocorre em meio a uma crise econômica que já dura anos, com diferentes níveis de intensidade, mas sempre marcada por inflação alta e perda de poder de compra. Segundo o jornal Página/12, os indicadores de consumo vinham registrando quedas constantes havia cerca de dois anos e meio.

As pesquisas mais recentes da consultoria Scentia, citadas pelo jornal, apontavam justamente para esse enfraquecimento. Em maio deste ano, por exemplo, as vendas no comércio local caíram 2,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior. De acordo com o veículo, a consultoria vem registrando retração anual do consumo ao menos desde 2024.

Classificada às quartas de final nesta terça-feira (7), após vencer o Egito de virada, a Argentina volta a campo no sábado (11), em mais uma oportunidade para o comércio local ganhar fôlego.

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