Preparativos de Taiwan em caso de ataque chinês não são provocação, diz autoridade

O secretário adjunto do Conselho de Segurança da ilha afirmou que a ameaça de Pequim é real e que a população precisa levar os treinamentos de defesa civil a sério

Reuters

Ilustração mostra as bandeiras da China e de Taiwan 11 de abril de 2023 REUTERS/Dado Ruvic
Ilustração mostra as bandeiras da China e de Taiwan 11 de abril de 2023 REUTERS/Dado Ruvic

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TAIPÉ, 7 Jul (Reuters) – Os preparativos de Taiwan ⁠para lidar com um possível ataque da China ⁠não constituem uma provocação, e a população da ilha precisa levar ‌a ameaça a sério e se preparar desde já, afirmou nesta terça-feira uma autoridade de alto escalão da segurança de Taiwan.

A China considera Taiwan, ‌governada democraticamente, como parte de seu próprio território e nunca renunciou ao uso da força para colocá-la sob o controle de Pequim, enviando diariamente suas forças militares aos céus e às águas ao redor da ilha.

O governo de Taiwan, que rejeita as reivindicações de soberania de Pequim, vem aumentando os gastos ⁠militares ‌e realizando regularmente exercícios de defesa civil no âmbito do que o presidente ⁠taiwanês, Lai Ching-te, denomina de esforços de resiliência de toda a sociedade.

Em discurso durante um fórum em Taipé, Lin Fei-fan, secretário-geral adjunto do Conselho de Segurança Nacional de Taiwan, responsável pelo programa de resiliência, afirmou que os enormes gastos da China com defesa e sua pressão ​militar contínua na região representam ameaças reais.

“As pessoas costumam retratar os preparativos de Taiwan como uma provocação ao outro lado”, disse ele.

“Quero aproveitar ​esta oportunidade para dizer a todos: todos os preparativos da China têm um objetivo claro — agressão militar e expansão externa.”

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O Escritório de Assuntos de Taiwan da China não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A China costuma culpar Lai pelas tensões e o chama de “separatista”. Afirma que suas ‌ações militares visam proteger a soberania e a ​segurança chinesas.

Lin disse que as ações de Pequim são o oposto das de Taipé.

“Um país que defende que ‘os dois lados do estreito são uma família’ não precisa realizar testes de lançamento ⁠de mísseis e foguetes ​no Estreito de Taiwan”, ​acrescentou ele.

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“Hoje, Taiwan não envia nem uma única aeronave ou navio de guerra para invadir o ⁠espaço aéreo ou as águas do outro ​lado. Quem está provocando a ordem regional não é ninguém mais — é a China.”

Lin afirmou que, diante do perigo representado, os esforços do governo para preparar a ​população para um conflito são vitais, e disse que é errado observar o que está acontecendo com a guerra na Ucrânia ​e pensar que isso não ⁠poderia acontecer em Taiwan.

“Se não agirmos hoje, a força não surgirá repentinamente amanhã”, acrescentou ele. “Se não ⁠realizarmos exercícios hoje, quando uma crise chegar, talvez nem sequer conheçamos o procedimento operacional padrão mais básico.”

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Haveria paz imediata se a China desistisse de suas ambições militares em relação a Taiwan, disse Lin.

“Mas se Taiwan abrir mão agora de sua capacidade de se defender, não haverá mais um Taiwan no mundo.”

(Reportagem de Ben ​Blanchard)

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