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Taxa de acerto ou payoff? Traders revelam o que dá lucro no mercado

Estratégias diferentes levam ao mesmo objetivo, mas exigem perfis e controles emocionais distintos

Bruno Nadai

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No day trade, existe uma discussão que nunca morre — e que pode definir quem ganha ou perde dinheiro no mercado: acertar mais operações ou ganhar mais quando acerta?

A resposta, longe de ser simples, divide traders experientes e expõe duas formas completamente diferentes de encarar risco, execução e resultado.

O tema foi um dos destaques do episódio 255 do programa GainCast. No primeiro bloco do programa, Márcio Kieling, Vitor Noronha e Rener Vox defenderam a taxa de acerto como pilar da consistência.

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Do outro lado, Nicholas Kawasaki, Júnior Vianna e Léo Molini sustentaram que é o payoff que, de fato, coloca dinheiro no bolso no longo prazo.

Muito além do acerto

Embora o objetivo seja o mesmo, ganhar dinheiro, os caminhos propostos mostram lógicas opostas.

De um lado, a busca por acertar mais vezes, de outro, a aceitação de perdas frequentes em troca de ganhos maiores quando o mercado anda a favor.

Para quem defende o payoff, o principal benefício está na liberdade operacional.

Ao reduzir a pressão por acerto, o trader consegue executar melhor o plano e lidar com o risco de forma mais racional.

“Quando você vai pra frente da tela, sabendo que você pode tomar loss, pode tomar um, dois loss, mas basta acertar uma operação que você vai cobrir todo aquele prejuízo e vai sair no positivo. Você opera muito mais leve, muito mais tranquilo na hora de operar”, explica Vianna.

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Além disso, a tese é reforçada por referências clássicas do mercado. A lógica é simples: aceitar perdas pequenas faz parte do jogo, desde que os ganhos sejam maiores.

“Se você ganhar dinheiro do mercado, busque o payoff”, argumenta Kawasaki.

Ainda assim, há quem vá além e questione a própria motivação por trás da taxa de acerto. Para Molini, o foco excessivo em acertar pode desviar o trader do objetivo principal.

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“Qual é o objetivo de você estar no mercado financeiro? Você provar que está certo ou você ganhar dinheiro?”, questiona.

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O peso do emocional

Do outro lado do debate, a taxa de acerto aparece como ferramenta prática para sustentar a execução diária. A lógica não ignora o lucro, mas considera que a consistência também passa pelo controle emocional.

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Para Vox, a teoria pode ser sedutora, mas a prática impõe desafios diferentes.

“Quando a gente vai para a frente do gráfico e tem um operacional bem definido, você quer acertar. Ninguém quer errar. Procure acertar, porque se você não acertar, meu amigo, nada feito, não vai a lugar nenhum”, afirma.

Além disso, a confiança construída ao longo de operações vencedoras consecutivas pode ser decisiva para manter a disciplina. Nesse contexto, a taxa de acerto não é apenas um número, mas um fator que sustenta a consistência psicológica.

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Na prática, esse raciocínio também aparece na estrutura dos setups. Para Noronha, a taxa de acerto está diretamente ligada à forma como o risco é conduzido dentro da operação.

“A taxa de acerto vai te proteger de duas formas, tanto na questão psicológica, quanto você fazer uma operação, fazer uma parcial e consequência você trazer para seu stop, você tira um peso psicológico que você está protegido”, destaca.

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Perfil define o jogo

À medida que os argumentos avançam, fica evidente que a escolha entre taxa de acerto e payoff passa menos por certo ou errado e mais por perfil operacional.

Enquanto alguns traders conseguem lidar com sequências de perdas em busca de movimentos maiores, outros precisam de uma frequência maior de acertos para manter a confiança e seguir executando o plano.

Para Kieling, essa diferença é determinante. “Você tem que estar confortável com o seu método operacional. Se você se sente confortável com a taxa de acerto, beleza. Se você se sente confortável e com estômago para tomar stop atrás de stop, payoff”, afirma.

Além disso, a forma como cada operador reage ao erro influencia diretamente o desempenho.

Estratégias baseadas em payoff exigem resiliência para suportar períodos negativos, enquanto abordagens focadas em acerto demandam disciplina para não limitar ganhos.

Leia também: Como a estatística ajuda o trader a ganhar confiança no mercado

O que realmente importa

Apesar das posições opostas, o debate deixa uma conclusão clara: o mercado não recompensa quem escolhe um lado, recompensa quem executa bem o próprio método.

Na prática, taxa de acerto e payoff fazem parte da mesma equação. Uma estratégia só se sustenta no longo prazo quando existe equilíbrio entre risco, retorno e comportamento do trader diante das perdas e dos ganhos.

No fim, a diferença não está no indicador escolhido, mas na capacidade de aplicar um plano com consistência. Porque, no mercado, não vence quem está certo mais vezes, vence quem consegue transformar sua estratégia em resultado recorrente.

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