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Ibovespa sobe 0,87% após série de dados dos EUA e Brasil: qual saldo para o mercado?

IPCA-15, relatório trimestral de inflação, PIB dos EUA e PCE estão no radar dos investidores

Lara Rizério Agências de notícias

Painel eletrônico mostra cotações de ações na B3, em São Paulo 05/08/2024 REUTERS/Carla Carniel
Painel eletrônico mostra cotações de ações na B3, em São Paulo 05/08/2024 REUTERS/Carla Carniel

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Inflação aqui e nos EUA, PIB americano e mais sinais sobre política monetária no Brasil. Qual foi o saldo para o mercado brasileiro nesta quinta-feira (25) após tantas divulgações importantes?

O saldo na sessão foi visto como positivo, com o Ibovespa fechando com alta de 0,87%, a 171.990,20 pontos, após chegar a subir cerca de 1,5% no intraday, enquanto o dólar registrou leve queda abaixo dos R$ 5,20, com os investidores digerindo principalmente o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA -15), a prévia de inflação brasileira. Além disso, após recuar mais cedo, o petróleo passou a subir por volta das 11 horas, estimulando as ações do setor e, consequentemente, o Ibovespa.

“O cenário combina alívio nos mercados de tecnologia e energia com desafios estruturais ainda em evolução”, escreveu em nota o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez.

Para Gabriel Felix, especialista de alocação da Blue3 Investimentos, o mercado entrou em uma nova fase. Segundo ele, o conflito no Oriente Médio vem perdendo protagonismo e o foco retorna ao que normalmente define o preço dos ativos – inflação, juros e crescimento.

Aqui no Brasil, o mercado busca sinais que deem uma direção claro sobre a condução da Selic no Relatório de Política Monetária, após as leituras contraditórias de analistas do comunicado e da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) informados recentemente.

A cúpula do Banco Central explicitou que passou a considerar as ações fiscais e de crédito anunciadas recentemente pelo governo federal como um risco altista para a inflação, pelo seu potencial de estimular a demanda agregada.

Na ata, o BC havia reconhecido explicitamente que o seu balanço de riscos para a inflação passou a ter uma “assimetria altista” – isto é, que os riscos de o IPCA ficar acima do esperado pelo colegiado são maiores que os riscos de a taxa ficar abaixo.

Em relação às projeções, o BC espera que o IPCA acumulado em 12 meses continue acima do centro da meta, de 3%, até pelo menos o quarto trimestre de 2028 – o último período disponível. No cenário de referência, a inflação em 12 meses fecha o segundo trimestre em 4,8%, permanecendo nesse nível de 4,8% no terceiro e encerra 2026 em 5,2%.

Já o IPCA-15 desacelerou alta a 0,41% em junho, após 0,62% em maio, acumulando 4,80% em 12 meses. Os dados vieram aquém das medianas de 0,44% e de 4,83%. Ainda houve alívio nas medidas de núcleos e no difusão do IPCA-15.

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Para o Itaú Unibanco, o IPCA-15 de junho, divulgado nesta quinta tem um qualitativo mais benigno do que o esperado. “Para o ano, mantemos a projeção de inflação em 5,4%, mas a resolução do conflito e a estabilização dos preços do petróleo em patamares mais baixos deslocam o balanço de riscos para viés levemente baixista”, diz a economista do Itaú Luciana Rabelo.

“Apesar de algumas surpresas em itens voláteis, consideramos que o índice veio melhor que o esperado qualitativamente, especialmente na leitura de serviços”, afirmaram economistas do Bradesco em relatório a clientes. “Em nossa projeção, levamos em consideração diversos choques que devem manter a inflação pressionada nos próximos meses.”

Cenário ainda exige cautela

Por outro lado, conforme ressalta Gustavo Assis, CEO da Asset, o cenário ainda exige cautela. Para o especialista, o Relatório de Política Monetária mostra um Banco Central diante de uma combinação difícil: a atividade econômica segue mais resistente, com projeção de crescimento do PIB revisada para 2,0% em 2026, mas a inflação continua distante da meta, com estimativa de 5,33% para o ano. O IPCA-15 de junho veio abaixo das expectativas de curto prazo, mas o acumulado em 12 meses avançou para 4,80%, o que mostra que o problema não está apenas no número mensal, e sim na persistência da inflação.

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“Esse cenário reduz o espaço para um ciclo mais rápido de queda da Selic e mantém o custo do dinheiro elevado por mais tempo”, aponta.

Para Fábio Murad, sócio e Fundador da Ipê Avaliações, o Relatório de Política Monetária reforça que o mercado brasileiro opera em uma zona de transição, mas ainda longe de um ambiente confortável para assumir risco sem seletividade. O IPCA 15 trouxe alívio na margem, mas o acumulado em 12 meses mostra que a inflação continua acima do centro da meta e limita o espaço para uma queda mais rápida da Selic.

“Com os juros ainda em 14,25% ao ano, a Bolsa passa a depender menos de otimismo pontual e mais da capacidade das empresas de entregar crescimento de lucro, geração de caixa e previsibilidade em um custo de capital ainda elevado”, avalia. No câmbio, o dólar perto de R$ 5,20 mostra que o Brasil também segue sensível ao cenário externo.

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Assis avalia ainda que, nos Estados Unidos, a leitura também reforça cautela. O PCE em 4,1% no acumulado de 12 meses e o núcleo em 3,4% indicam que o Federal Reserve ainda não tem conforto para uma política monetária mais flexível, mesmo com o PIB revisado para 2,1% no primeiro trimestre. Para o Brasil, isso significa pressão sobre juros globais, câmbio e prêmio de risco.

Murad aponta que, para a Bolsa brasileira, o cenário cria uma dinâmica mista: juros locais ainda altos favorecem a renda fixa e aumentam a exigência de retorno para ações, enquanto o câmbio mais pressionado pode beneficiar exportadoras, mas encarece custos de empresas dependentes de insumos importados.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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Lara Rizério

Editora de mercados do InfoMoney, cobre temas que vão desde o mercado de ações ao ambiente econômico nacional e internacional, além de ficar bem de olho nos desdobramentos políticos e em seus efeitos para os investidores.