Pré-campanha de Flávio pede investigação de gastos do governo Lula com publicidade

Documento assinado por Rogério Marinho destaca, entre gastos que precisam ser investigados, dinheiro investido em uma campanha favorável ao fim da escala 6x1, tema que ainda é debatido no Congresso Nacional

Caio César

O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, observa durante uma declaração conjunta à imprensa no Palácio do Planalto, em Brasília, Brasil, em 16 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, observa durante uma declaração conjunta à imprensa no Palácio do Planalto, em Brasília, Brasil, em 16 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado

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O coordenador-geral da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, o senador Rogério Marinho (PL-RN), entrou com uma representação no Tribunal de Contas da União para que a Corte apure os gastos do governo Lula com campanhas publicitárias em 2026.

Segundo o documento, o governo federal já teria consumido R$ 785 milhões em publicidade, valor que superaria em quase 30% o teto legal de R$ 618,1 milhões permitido pela legislação para uso durante o semestre de ano eleitoral.

A pré-campanha pede também que o TCU apure as peças publicitárias veiculadas pelo governo federal em defesa do fim da escala de trabalho 6×1. Segundo Marinho, a campanha “Tempo com a Família” teria custado aproximadamente R$ 80 milhões, apesar de tratar de um tema que ainda aguarda apreciação no Congresso Nacional.

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O senador defende que o governo Lula tem utilizado recursos publicitários para influenciar politicamente a pauta sobre o fim da escala 6×1, o que também infringe a legislação eleitoral. Para justificar o precedente, Marinho cita que, em 2019, o TCU determinou a suspensão de uma peça publicitária de Jair Bolsonaro relativa ao pacote anticrime, sob o argumento de que tal medida ainda não havia sido submetida à apreciação dos congressistas.

Na representação, Marinho pede a realização de auditoria emergencial nos gastos da Secretaria de Comunicação Social, o envio de informações detalhadas sobre as despesas realizadas em 2026, a suspensão das campanhas publicitárias e a responsabilização dos agentes públicos envolvidos.

O documento também inclui, como sugestão, a criação de um portal único de transparência da publicidade governamental, o que “favoreceria a fiscalização tempestiva do cumprimento dos limites previstos na legislação eleitoral, ampliando a transparência, o controle social e a segurança jurídica em ano eleitoral”.

Decisão similar na Justiça

A Justiça Federal determinou, em 16 de junho, que Lula suspenda os anúncios patrocinados nas redes sociais em defesa do fim da escala 6×1.

Na decisão liminar, a juíza Pollyanna Kelly Maciel Medeiros Martins atendeu ao solicitado na movida pelo deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ).

A magistrada entendeu que há indícios de que recursos públicos possam ter sido utilizados para promover a proposta legislativa, que ainda depende de aprovação no Senado e de promulgação para entrar em vigor, semelhante ao solicitado por Marinho ao TCU.

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Na decisão, a juíza destacou que o momento em que parte dos anúncios foi contratada é relevante para justificar a suspensão. De acordo com o levantamento, R$ 881 mil foram investidos entre 15 e 18 de abril de 2026, período em que a matéria estava em votação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Para a juíza, a data utilizada reforça que a intenção do governo ao promover o conteúdo ia além do caráter informativo, como apontou a defesa do governo. A magistrada também citou entendimento anterior do TCU, que destacou que a utilização de recursos públicos para divulgar projetos de lei não atende aos requisitos necessários para caracterizar publicidade institucional.