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Existe um consenso entre traders que já atravessaram a fase mais difícil da curva de aprendizado: ninguém evolui sozinho. Embora o conhecimento técnico seja fundamental, muitas das lições que fazem diferença na construção de resultados consistentes surgem em conversas informais, trocas de experiências e conexões construídas ao longo da jornada.
Esse foi um dos temas que marcaram mais uma edição do ChurrasKyn, evento promovido pela Clear. Em entrevistas ao InfoMoney, influenciadores e clientes destacaram como o networking pode acelerar o desenvolvimento dos traders e explicaram por que encontros presenciais continuam relevantes mesmo em uma indústria cada vez mais digital.
Evolução compartilhada
Entre os participantes, existe um consenso de que o networking exerce papel importante na formação de um trader. Além do acesso a diferentes visões de mercado, a convivência permite encurtar caminhos, ampliar perspectivas e acelerar a evolução profissional.
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Para Rafael Perretti, o ambiente tem influência direta no desempenho dos operadores. “Para mim, o ambiente transforma, muda e acelera o processo de performance. Você acaba conhecendo outras ideias, falando sobre outros ativos, sobre diferentes estratégias operacionais, gerenciamento de risco, então você sai desse ambiente um trader, um investidor muito melhor”, afirma.
A visão é compartilhada por Mari Damaceno, que acredita que a convivência com outros traders ajuda a encontrar atalhos no processo de desenvolvimento. “O trade tem um processo, só que as peculiaridades são individuais. Só que quando a gente troca com os outros, é quando a gente tem a oportunidade de entender algumas viradas de chave. E eu acho que isso só acontece na convivência e na troca. Não é um curso que você assiste que vai te trazer isso”, destaca.
Na avaliação de Murilo Abdalla, o networking funciona como uma porta de entrada para oportunidades dentro e fora do mercado. “Eu falo que o networking, ele é uma porta de entrada para tudo. Ele é uma porta de entrada em qualquer ramo”, ressalta.
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Atalhos no aprendizado
Além de ampliar conexões, os participantes acreditam que a troca de experiências permite acelerar a curva de aprendizado. Isso porque ouvir histórias de quem já enfrentou desafios semelhantes pode evitar erros recorrentes e reduzir o tempo necessário para alcançar consistência.
Damaceno observa que o relacionamento entre traders ajuda a abreviar caminhos que normalmente seriam percorridos apenas após sucessivas tentativas e erros. “Eu acho que dificilmente a gente constrói resultado sozinho. A gente pode ir abreviando os nossos caminhos, olhando para o caminho, para os erros e acertos dos outros”, argumenta.
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Na mesma linha, Marcelo Carvalho acredita que muitas oportunidades surgem justamente em conversas aparentemente simples. Segundo ele, uma troca de experiências pode gerar percepções que dificilmente seriam encontradas em materiais tradicionais de estudo. “Essa parte de relacionamento, muitas vezes é uma conversinha que tu tem, surge um insight, que aquilo ali tu não vai encontrar num livro, tu não vai encontrar num vídeo e aquilo ali talvez seja aquela tua virada de chave”, comenta.
Para Perretti, esse aprendizado compartilhado tem impacto direto nos resultados financeiros de quem está construindo sua trajetória no mercado. “Aprender com os erros dos outros, te poupa muito capital, principalmente na curva de aprendizado”, salienta.
Leia também: O que churrasco tem a ver com day trade? Conheça o ChurrasKyn e entenda a relação
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A profissão solitária
Outro ponto recorrente é a natureza solitária da profissão. Apesar da crescente oferta de conteúdo online, muitos traders passam boa parte do tempo operando sozinhos, o que aumenta a importância de ambientes voltados para interação e troca de experiências.
Renan Cocato destaca que eventos presenciais ajudam a preencher essa lacuna. Segundo ele, o trabalho do trader costuma ser isolado, o que torna ainda mais valioso o contato com pessoas que compartilham os mesmos desafios. “O trader em si é uma pessoa muito solitária, acaba ficando em suas casas, hoje é tudo muito online, muito digital o trabalho em si e um ambiente como esse ajuda a ter essa troca de experiência”, relata.
Carvalho também observa que o isolamento pode fazer com que o operador fique preso às próprias convicções. “Primeiro porque o trader é um cara mais isolado em casa, então tu acaba criando as tuas convicções e quando tu está conectado com outras pessoas, muda completamente. Não é só operacional que muda, muda tua cabeça, muda tudo”, afirma.
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O valor do presencial
Mesmo com o crescimento dos conteúdos digitais, os entrevistados acreditam que determinados aprendizados continuam acontecendo apenas no contato presencial. Para eles, a proximidade permite criar conexões mais profundas e gerar interações que dificilmente ocorreriam em ambientes virtuais.
Felipe Arakaki destaca a oportunidade de estar próximo de profissionais que normalmente acompanham apenas pela internet. “Estar junto com ele, com outros profissionais que até então a gente vê só de forma virtual, já é um grande benefício. Agora, fora isso, é conversar com gente mais experiente”, observa.
Cocato também ressalta que eventos presenciais ajudam a derrubar barreiras entre clientes e profissionais do mercado. “Você tem a chance de conhecer essas pessoas que supostamente seriam intocáveis e você passa a entender que são seres humanos como nós que estamos do outro lado”, relata.
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Já Abdalla acredita que o principal diferencial está na humanização das relações. “Humanização. Eu falo que a humanização, o tete-a-tete, o olho no olho. A rede social hoje, a gente vive algo superficial”, afirma.
Na mesma linha, Carvalho entende que nenhuma tecnologia consegue substituir completamente a proximidade construída nos encontros presenciais. “A proximidade. É o tete-a-tete, tu conversar de frente com o teu cliente, com o teu aluno, essa proximidade faz total diferença, coisa que a internet não nos dá”, declara.
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Ambiente que aproxima
Outro aspecto destacado é o formato descontraído do ChurrasKyn. Para eles, o clima informal favorece conversas mais abertas, aproxima pessoas com interesses em comum e cria um ambiente propício para a troca de experiências.
Segundo Perretti, esse tipo de encontro permite que traders compartilhem situações que normalmente não apareceriam em eventos tradicionais do mercado financeiro. “Está mais aberto a falar sobre a vida real de um trader, de um investidor, então esse ambiente descontraído faz toda a diferença”, salienta.
Damaceno acredita que o perfil do público trader combina com formatos menos formais e mais próximos da realidade das pessoas. “Se a gente tenta trazer esse diálogo para um ambiente rígido, institucional apenas, acho que a gente perde muito do que as pessoas são de verdade”, argumenta.
Enquanto isso, Arakaki acredita que um dos diferenciais do ChurrasKyn está na concentração de pessoas que compartilham interesses e objetivos semelhantes dentro do mercado financeiro. Para ele, esse alinhamento contribui para conversas mais relevantes e direcionadas. “Com certeza, ajuda muito a galera a trazer um foco maior para o mesmo objetivo”, comenta.
Cocato concorda e destaca que momentos como esse ajudam a quebrar a intensidade da rotina operacional. “As pessoas acabam sendo até um pouco mais abertas em conversar sobre assuntos aleatórios, não necessariamente de mercado financeiro”, acrescenta.
No fim das contas, o que une as diferentes histórias é a percepção de que a evolução no mercado financeiro não acontece apenas por meio de gráficos, indicadores ou estratégias operacionais. Para muitos traders, o networking é uma forma de encurtar caminhos, evitar erros e acelerar a construção de resultados.
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